Sucesso Enganoso do Lockout Golpista

Mercado de Automóveis Novos

Locaute (do inglês lockout) é a recusa por parte da entidade patronal em ceder aos trabalhadores os instrumentos de trabalho necessários para a sua atividade. Forçar o desemprego pelo desinvestimento pode ser visto também como uma medida de lockout. É um “tiro-no-pé” das associações patronais patrociná-lo, pois cai a renda e, em consequência, a demanda dos trabalhadores. Salário não é apenas custo, mas também demanda. Os empregadores, agindo como classe, deveriam entender isso.

Os golpistas reaças — da FIESP ao PIG — vão já serem cobrados pelo ônus em perda de emprego e renda que impuseram à sociedade brasileira pela sua reação contra o avanço histórico do progresso social para assumirem o poder executivo sem votos e legitimidade. O golpe midiático-parlamentarista cuidou de paralisar a economia brasileira desde quando se perdeu riqueza financeira com a reviravolta da tendência de queda da taxa de juros no ano pré-eleitoral de 2013.

Eduardo Laguna (Valor, 09/05/16) informa que perda de renda, endividamento das famílias, preços altos e dificuldades no crédito minaram o poder aquisitivo dos brasileiros. Consequência: voltaram a fazer do mercado de automóveis um ambiente do público mais abastado.

Quem está comprando carros ganha, na média, R$ 2 mil a mais do que o padrão de renda do consumidor que adquiria automóveis até quatro anos atrás, quando o movimento nas concessionárias ainda estava em alta. De 2012, no pico das vendas de veículos zero quilômetro, para este ano, a renda mensal dos consumidores subiu de R$ 5,2 mil para R$ 7,2 mil, conforme relatam fontes do mercado.

O mercado se tornou menos acessível ao público que, não muito tempo atrás, conseguia comprar seu primeiro automóvel, ajudando a alimentar uma sucessão de recordes na indústria automobilística. Vários motivos tiraram do jogo os consumidores de menor poder aquisitivo, a começar pelas condições de crédito menos flexíveis.

Se, há menos de dois anos, o carro mais barato do país – na época, o subcompacto chinês QQ, da Chery -, custava R$ 24 mil, hoje não se encontra nas tabelas das marcas modelos por menos de R$ 29 mil, preço do Palio Fire, agora o carro com preço mais baixo.

O mercado, então, afunilou-se numa parcela mais endinheirada de consumidores que atendem aos critérios restritivos dos bancos, ou que não tiveram poder de compra inviabilizado por reajustes de preços. Isso ajuda a entender como modelos em faixa de preço superior a R$ 68 mil – casos do sedã Corolla, da Toyota, e dos utilitários esportivos HR-V, da Honda, e Renegade, da Jeep – estão vendendo mais do que carros populares como Gol, da Volks, e Sandero, da Renault.

Conforme dados da Fenabrave, a entidade que abriga as concessionárias de veículos, os chamados modelos de entrada – opções mais baratas dos portfólios das marcas que, em 2011, representavam um terço do total vendido – responderam no primeiro trimestre por menos de 21% dos automóveis emplacados no Brasil.

Na fase do boom, ou seja, o ciclo de nove anos ininterruptos de crescimento do consumo de carros que terminou em 2012, quem visitava concessionárias tinha a seu dispor planos de financiamento com parcelas de entrada mínimas, carências e prazos de amortização que alcançavam os seis anos.

Hoje, os planos não excedem cinco anos. Na média, os empréstimos que estão sendo liberados pelos bancos para compra de automóveis preveem pagamento em 42 meses, quatro a menos do que o prazo praticado em 2011.

São prazos mais curtos, com taxas mais pesadas: de 26% ao ano, ou 23,4% se o crédito for concedido por bancos de montadoras, que pegam os clientes com melhor perfil de crédito. Para efeito de comparação, em 2013, os juros anuais médios praticados pelo mercado eram de 21,3%, enquanto os bancos das montadoras cobravam 16,4% – respectivamente, 4,7 pontos percentuais e 7,1 pontos percentuais inferiores às taxas atuais.

As melhores condições de financiamento exigem uma entrada que o consumidor de baixa renda muitas vezes não pode dar. Ofertas publicadas em sites da General Motors (GM) e da Volkswagen oferecem, por exemplo, financiamentos a taxa zero, mas com entrada de 60% do valor do veículo.

Por outro lado, entradas menores acarretam parcelas e juros maiores do que esses consumidores estão dispostos a assumir, bem como geram um risco – o maior comprometimento de renda – ao qual o banco está igualmente indisposto a incorrer. Tem-se, assim, uma equação que faz do carro zero quilômetro um bem inacessível à grande parte da população.

As instituições financeiras não se arriscam a fazer contratos que levem a um comprometimento de renda superior a 25%. Esse limite chegou a ser de 30%, quando o mercado fazia operações mais agressivas. Mas nesse momento os bancos estão sendo mais restritivos, adotando critérios mais apertados.

Nos últimos dois anos, os recursos liberados por bancos à pessoa física para compra de veículos caíram mais de 22%, segundo dados do Banco Central compilados pela Anef. O sistema financeiro vinha “limpando” uma carteira cuja inadimplência – atrasos superiores a 90 dias – bateu, há quatro anos, em 6,4%.

O maior rigor nos financiamentos conseguiu derrubar o índice para 3,9%, mas a taxa de calotes voltou a subir, chegando a 4,1% da carteira de crédito direto ao consumidor no fim do ano passado, impedindo qualquer distensão nas análises de crédito. Não se fazem mais financiamentos sem a entrada de, no mínimo, 30% do valor do automóvel.

Além do aperto no crédito, os veículos ficaram menos acessíveis porque também ficaram mais caros. Seja pela implementação de novos equipamentos, incluindo dispositivos de segurança que se tornaram obrigatórios, seja pelo repasse de custos, ou pela retirada dos incentivos fiscais, os preços dos veículos inverteram cinco anos de deflação e acumularam aumento de 13,5% entre 2013 e 2015.

É menos do que a inflação de 25% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período, mas o suficiente para tirar grande contingente do mercado. Sobretudo quando a renda do trabalhador cai 3,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

 

One thought on “Sucesso Enganoso do Lockout Golpista

  1. “Aos vencedores, o inferno – Fernando Morais

    Esta noite, no nono círculo do inferno, vão se abrir as portas da esfera antenora, aquela em que padecem por toda a eternidade os traidores da pátria. Rios congelados e cascatas de fogo e sangue vão receber os golpistas brasileiros de 2016.

    Perdei toda a esperança, vós que entrais.”

    >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/05/12/bem-vindos-ao-inferno-bienvenido-al-infierno-welcome-to-the-hell/

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