Passado como Guia do Futuro Imprevisível

Retomada da Recessão

Temos uma dependência de trajetória caótica, onde gradualmente vamos nos afastando das condições iniciais, desde setembro de 2011, quando explodiu a “bolha de commodities“. Como política compensatória (“bolsa-industrial”) adotou-se desoneração fiscal, corte de tarifas elétricas, crise hídrica (seca no tucanês), quebra de oferta, baixa-e-alta da taxa de juros que levou à “eutanásia de rentistas” com títulos prefixados, lockout empresarial com corte de gastos em investimentos e consumo para recomposição patrimonial, ajuste fiscal, choque tarifário, depressão… golpe na democracia!

Henrique Meirelles já começou a mitificação ilusória, afirmando que “primeiro tem de piorar para depois melhorar”. Isso não é ciência, mas sim um contorcionismo verbal para evitar afirmar que sua política econômica agravará a depressão e o desemprego para arrochar mais os salários de maneira que, no futuro, fique barato contratar trabalhadores sem poder de barganha!

Essa ainda é a visão neoclássica ou pré-keynesiana de retomada de crescimento após uma depressão. Os neoliberais dizem que “antes de começar a crescer, o país ainda terá mais dois a três trimestres de queda (além do primeiro trimestre deste ano que foi negativo em relação ao fim do ano passado)”.

A retomada será mais difícil no atual ciclo porque a recessão está sendo mais profunda (dois anos consecutivos com queda próxima a 4%), todo setor público (União, Estados, municípios e estatais) está sem capacidade de fazer política anticíclica e, ao atingir fortemente o investimento, a crise afetou a própria capacidade de recuperação da economia, em um mundo que cresce pouco. O lockout empresarial foi um “tiro-no-pé”!

Muitos empresários, liderados pela FIESP golpista, se dispuseram ao boicote ao governo social-desenvolvimentista, inclusive perdendo dinheiro, para criar as condições recessivas para golpeá-lo politicamente. Agora, tentarão passar o ônus maior para os trabalhadores.

Continue reading “Passado como Guia do Futuro Imprevisível”

Conquistas Sociais da Era Social-Desenvolvimentista sob Ameaça Neoliberal

Ascensão e Queda do Social-DesenvolvimentismoProgresso na redução da pobrezaFontes de redução da pobrezaQueda da desigualdade salarial

 

Daniel Rittner (Valor, 16/05/16) adverte que a perspectiva sombria da economia brasileira após o golpe de Estado dos reacionários coloca em risco os avanços sociais conquistados pelo Brasil nos últimos 15 anos. O aumento da inflação está corroendo o valor das transferências sociais, as dificuldades econômicas têm o potencial de aprofundar conflitos fundiários, pode haver aumento da violência urbana. As constatações aparecem em um amplo relatório do Banco Mundial: WB – Retomando o Caminho para a Inclusão, o Crescimento e a Sustentabilidade – Sumario Executivo.16.05.16.

No “Diagnóstico Sistemático do País“, um estudo feito a cada quatro ou cinco anos para servir de roteiro às suas ações em cada nação onde atua, o organismo multilateral afirma que “alguns brasileiros estão se perguntando se os ganhos da última década não teriam sido uma ilusão”.

A resposta a esse questionamento vem em seguida: não, “com ressalvas”. O progresso social descrito no relatório – um contingente de 24,6 milhões de pessoais saiu da pobreza entre 2001 e 2013 – pode ser preservado e até ampliado. Para evitar retrocesso, no entanto, um ajuste fiscal deve ter foco: reforma no sistema previdenciário, redução dos desperdícios, revogação de subsídios ineficientes e realocação de recursos para serviços que beneficiem “B40”. Essa é a parcela da sociedade, os 40% mais pobres – “bottom 40%” em inglês -, que o banco considera prioritário para as políticas públicas.

Continue reading “Conquistas Sociais da Era Social-Desenvolvimentista sob Ameaça Neoliberal”