Trauma do Desemprego

Salários nos EUABen Leubsdorf (WSJ, 11 de Maio de 2016) avalia que “a recessão acabou nos Estados Unidos sete anos atrás, mas o desemprego e o subemprego persistentes prejudicaram a expansão econômica que se seguiu. Um número crescente de estudos sugere que o trauma econômico deixou cicatrizes financeiras e psicológicas em muitos americanos e que estas marcas vão durar décadas.

Cerca de um em cada seis trabalhadores americanos ficaram desempregados durante os anos da recessão, em 2007, 2008 e 2009. Hoje, cerca de 14 milhões de pessoas ainda estão procurando emprego no país ou só têm empregos de meio período porque não conseguem encontrar trabalho em tempo integral.

Mesmo para os milhões de americanos que voltaram a trabalhar, os efeitos de ter perdido o emprego ainda se fazem sentir, indicam os estudos. Essas pessoas vão ainda ganhar menos durante anos e terão menos chances de possuir uma casa própria. Muitas vão sofrer com problemas psicológicos. Seus filhos irão ter um desempenho pior na escola e muitos deles, possivelmente, vão ganhar menos quando tiverem seus próprios empregos.

“Os efeitos, na média, são severos e duradouros”, diz Jennie Brand, socióloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. “Não existe recuperação rápida.”

A produção da economia americana continua teimosamente abaixo de seu potencial, conforme estimado pela Agência do Orçamento do Congresso americano. E muitas pessoas provavelmente ainda não terão se reerguido quando a próxima recessão chegar. Economistas do banco J.P. Morgan previram recentemente um aumento na probabilidade de os EUA viverem uma nova recessão dentro dos próximos três anos.

Dados do Departamento do Trabalho dos EUA mostram que 40 milhões de pessoas perderam o emprego no período de dezembro de 2007 a junho de 2009. A taxa oficial de desemprego atingiu um máximo de 10%. Henry Farber, economista da Universidade de Princeton, calculou que o número chegou a 16%.

Segundo economistas, as pessoas que perdem o emprego, mesmo durante períodos de expansão econômica, normalmente passam a ganhar menos quando voltam a trabalhar, como se pagassem um preço para ingressar numa nova empresa ou mesmo em uma nova carreira.

Desta vez, os danos foram exacerbados pela lenta recuperação do mercado de trabalho dos EUA. Períodos longos e repetidos de desemprego significam perdas salariais mais severas. E, nos últimos anos, um número excepcionalmente elevado de trabalhadores americanos passou mais de seis meses procurando emprego ou trabalhando somente meio período.

 

Apesar de o crescimento seguir morno e irregular, o mercado de trabalho dos EUA está se recuperando. A taxa de desemprego em abril de 2016 foi de 5% e o aumento dos salários parece estar se firmando.

As estimativas variam, mas, segundo uma análise, pessoas que perderam o emprego em recessões ganham salários entre 15% e 20% menores, após 10 a 20 anos, que as que seguiram empregadas.

No caso dos jovens, inclusive recém-formados, o simples fato de entrar na força de trabalho durante um período de desemprego alto pode deprimir a renda por anos, apesar de, quase sempre, seus salários acabarem atingindo o nível ideal com o tempo.

O desemprego tem consequências que vão além das financeiras. Trata-se de uma experiência que isola as pessoas. Pesquisadores já associaram a perda do emprego ao estresse, à depressão e aos sentimentos de desconfiança, ansiedade e vergonha.”

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