Debate sobre “Nova Classe Média”: Pluralismo Ideológico da Era Social-desenvolvimentista

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O debate sobre a existência ou não de uma “nova classe média”, no Brasil, não pode ser considerado ultrapassado, anunciado o fim do governo social-desenvolvimentista pelos golpistas neoliberais. Com maior distanciamento histórico, cabe analisar erros e acertos daquele período de aumento da Felicidade Interna Bruta. É a condição política, para mais adiante, sobre os escombros do esperado fracasso social de mais um ajuste a favor do “livre-mercado”, retomar eleitoralmente essa trajetória democrática, evitando repetir erros do passado.

Para tal empreitada, vale resenhar as ideias-chave dos três últimos presidentes do IPEA, pela ordem, Márcio Pochmann (2007-2012), Marcelo Neri (2012-2014) e Jessé Souza (2015-2016). Eles publicaram livros interpretativos da sociedade brasileira na Era Social-desenvolvimentista, respectivamente, Nova Classe Média: O Trabalho na Base da Pirâmide Social Brasileira (São Paulo: Boitempo; 2012), Nova Classe Trabalhadora, A nova classe média: o lado brilhante da base da pirâmide” (São Paulo: Saraiva, 2011), A Ralé Brasileira: Quem É, Como Vive” (Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009).

Talvez a análise da corrente de pensamento que cada qual se filia diga algo a respeito da ideologia plural (e volátil) que permeou o governo sob hegemonia da casta dos sábios-tecnocratas, sob liderança da Dilma, após a transição da hegemonia anterior da casta dos trabalhadores, sob liderança do Lula. Inicialmente, apresentamos um breve currículo deles, a partir da Wikipedia, onde se verifica as diferentes formações acadêmicas (e provavelmente ideológicas) de cada um deles.

Marcio Pochmann (Venâncio Aires, 19 de abril de 1962) é um economista e político brasileiro. Formou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1984. Entre 1985 e 1988 concluiu sua pós-graduação em Ciências Políticas e foi supervisor do Escritório Regional do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Distrito Federal, além de docente na Universidade Católica de Brasília.

Em 1989, mudou-se para o Estado de São Paulo, onde iniciou seu doutorado – concluído em 1993 – em Ciência Econômica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tornando-se pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do qual seria diretor-executivo anos mais tarde, assim como membro do corpo docente da Unicamp.

Foi ainda pesquisador visitante em universidades da França, Itália e Inglaterra, com pós-doutorado nos temas de relações de trabalho e políticas para juventude. Também atuou como consultor no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e no Dieese, entre outras instituições nacionais. No plano internacional, foi consultor em diferentes organismos multilaterais das Nações Unidas, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), entre outras.

No período de 2001 a 2004, em São Paulo, Pochmann dirigiu a Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade durante o governo da prefeita Marta Suplicy. A partir de 2007, passou a exercer a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília, cujo comando deixou em 2012 para retornar a Campinas.

Nas eleições 2012, Marcio Pochmann foi o candidato do PT à Prefeitura de Campinas-SP. Desde então, segue exercendo as funções de pesquisador no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) e de Professor Titular no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, além de Presidente da Fundação Perseu Abramo. Atualmente tem 49 livros publicados na condição de autor e coautor nas áreas de economia, sociedade e políticas públicas em diversas editoras.

Marcelo Cortês Neri (Rio de Janeiro, 27 de março de 1963) é um economista brasileiro. Após publicar seu livro de “A nova classe média : o lado brilhante da base da pirâmide” (São Paulo: Saraiva, 2011), foi convidado para tornar-se presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de setembro de 2012 até maio de 2014. Daí, tronou-se também ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República de 22 de março de 2013 a 5 de fevereiro de 2015.

É Doutor PhD em economia pela Universidade de Princeton, mestre e bacharel em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ministra aulas no doutorado, mestrado e graduação da EPGE da Fundação Getulio Vargas. Diretor do FGV Social. Fundador do Centro de Políticas Sociais (CPS/FGV) onde atuou por 12 anos. Foi pesquisador da diretoria de pesquisas do IPEA, onde trabalhou por cinco anos, inicialmente como pesquisador associado e depois como parte do quadro (1º lugar do concurso com 340 candidatos). Foi professor dos departamentos de economia da Universidade Federal Fluminense e da PUC-Rio.

Suas principais áreas de pesquisa são políticas sociais, educação e microeconometria. Avaliou políticas públicas em mais de duas dezenas de países. Autor dos livros Microcrédito: o Mistério do Nordeste e o Grameen Brasileiro; Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas; Ensaios Sociais; Diversidade; Inflação e Consumo; A Nova Classe Média (indicado ao Prêmio Jabuti de 2012); Superação da Pobreza no Campo; Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania; Estado, Planejamento e Políticas Públicas; e Percepções da População Sobre Políticas Públicas. Publica com frequência em revistas especializadas nacionais e internacionais.

Integrante de vários conselhos da sociedade civil, foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), indicado pelo presidente Lula, do Comitê Gestor do CDES, eleito pelos demais conselheiros e depois foi nomeado secretário-executivo pela presidente Dilma. Também pela Secretaria de Assuntos Estratégicos organizou o Forum Acadêmico dos paises dos BRICS, foi NSA (National Security Advisor) Brasileiro junto aos BRICS, recriou a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) em 2013 e representou o Brasil no Forum Econômico Mundial entre 2013 e 2015. Atua ativamente na proposição, avaliação e debate de políticas públicas, tendo participado da criação do sistema de pisos salariais mínimos estaduais em 2000. No âmbito de políticas de transferência condicionada de renda, desenhou e implantou os programas “Família Carioca” e “Renda Melhor”, para, respectivamente, cidade e estado do Rio de Janeiro. Além de desenhar políticas públicas a três níveis de governo no Brasil, avaliou programas sociais em mais de uma dúzia de países. Sua proposta de mecanismo de crédito social vinculado ao Desenvolvimento do Milênio recebeu o prêmio da Network Meeting, em Dacar, no Senegal. Foi colunista fixo do jornal Valor Econômico e da Folha de S.Paulo.

Jessé José Freire de Souza (29 de março de 1960) é um professor universitário e pesquisador brasileiro. Em 2 de abril de 2015 foi nomeado pela Presidência da República ao cargo de presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cargo anteriormente ocupado por Marcelo Neri. Formado em direito pela Universidade de Brasília (1981), concluiu o mestrado em sociologia pela mesma instituição em 1986. Em 1991, doutorou-se em sociologia pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg (Alemanha), país onde obteve livre docência nesta mesma disciplina Universität Flensburg em 2006. Também fez pós-doutorado em sociologia na New School for social research, Nova Iorque, (1994/1995).

A partir de 2009, Souza empreendeu pesquisa sociológica em todo o país para confrontar a tese de que havia surgido uma “nova classe média” no país. O resultado foi a configuração de nova nomenclatura, a saber, “ralé”, “batalhadores” e “ricos”. Suas categorias, hoje, são amplamente aceitas pela academia e passaram a ser usadas por quase todos os autores (sociólogos, economistas, filósofos, políticos, jornalistas) críticos à visão de “nova classe média”.

Escreveu e organizou 22 livros, em português, inglês e alemão sobre sociologia política, teoria da modernização periférica e desigualdade no Brasil contemporâneo. Atualmente, é Professor Titular de Ciência Política na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro.

Continua em próximo post.

 

2 thoughts on “Debate sobre “Nova Classe Média”: Pluralismo Ideológico da Era Social-desenvolvimentista

  1. Fernando, é uma sugestão, e também um pedido … Voce poderia aprofundar a “tese” de cada um deles, pois como o artigo é pequeno, e é justo, dado o seu objeto ser o post do Cidadania & Cultura, a linha de pensamento de cada um não fica clara para quem “não é do ramo”. Mas é um bom caminho para começarmos a pensar o papel econômico e político da “classe média”. Bjs, Glorinha..

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