Plano de Trabalho em Docência e Pesquisa

Rendimento e Riqueza Per Capita das Castas - 2013 Obs.: se a sociedade brasileira fosse igualitária na distribuição de renda, o rendimento de todos os 26,5 milhões de declarantes seria R$ 6.483,48 / mês, ou seja, quase 10 salários mínimos de 2013, uma renda mensal de ”classe média alta”. Imaginem o potencial do mercado interno e o possível Estado de Bem-Estar Social…

Apresentarei, hoje às 15:30 no Pavilhão da Pós-Graduação (sala 23), meu Plano de Trabalho em Docência e Pesquisa para os alunos do Mestrado e Doutorado do IE-UNICAMP. Em resumo:

Economia Interdisciplinar na Pós-Graduação — 2o. semestre de 2016

Métodos de Análise Econômica na Graduação — 2o. semestre de 2016

Economia no Cinema na Graduação — 1o. semestre de 2016

Pesquisa: Transformação do Complexo em Simples — 1o. semestre de 2016

Resultados de pesquisa postados:

TDIE 265 Interações entre Componentes Regionais do Sistema Bancário Nacional

TDIE 270 Estratificação Social da Riqueza e Renda no Brasil

Download deFERNANDO N. COSTA – Apresentação de Plano de Trabalho em Docência e Pesquisa 08.06.16

METODOLOGIA DE ELABORAÇÃO DOS INDICADORES BANCÁRIOS:

Os bancos comerciais de varejo levantam balancetes diários por agência, grupos de agências e total consolidado. A apresentação dos saldos de todas as contas patrimoniais e de resultado em um único demonstrativo é designada por balancete.

Os lançamentos contábeis alteram os saldos das contas a cada instante, refletindo as contínuas mutações ocorridas na posição patrimonial da empresa financeira. Os balancetes e os balanços demonstram a posição do patrimônio da empresa nas datas a que se referem.

Costuma-se dizer que o balanço é uma “fotografia” do patrimônio, porque mostra os saldos das contas em um dado instante. Na mesma metáfora, diz-se que a demonstração de resultado constitui um “filme” que conta a formação do lucro ou prejuízo através da acumulação das receitas e despesas do período a que se refere. Aquele trabalha com o conceito de estoque e esta com o de fluxo.

O encerramento das contas de resultado e a simultânea inclusão do lucro ou prejuízo no patrimônio líquido constitui a “ponte” que liga a demonstração de resultado ao balanço patrimonial. Demonstrando-se o movimento contábil ocorrido entre dois saldos consecutivos pode-se obter o fluxo entre as contas patrimoniais.

Sendo demonstrações sintéticas, os balanços não oferecem informações detalhadas sobre o estado patrimonial e sobre suas variações. Daí a necessidade de aplicação da técnica contábil denominada análise de balanços. Analisar o balanço é decompô-lo nas partes que o formam, para melhor interpretação de seus componentes.

Embora o economista parta dessa informação básica para a elaboração de estatística referente a empresas – os registros contábeis e os registros trabalhistas –, diferentemente do contabilista, ele não se restringe a esse nível particular de análise de balanços. Para fazer uma análise macroeconômica ou deduzir algum comportamento setorial, ele tem de agregar, de maneira seletiva, esses dados básicos.

A partir da escolha dessas agregações, pode constituir indicadores patrimoniais e de desempenho mais gerais do que os dos diversos casos individuais, lembrando sempre que o comportamento do todo pode se diferenciar de suas partes. Em outras palavras, a lógica coletiva não se deduz diretamente das diversas lógicas particulares.

Do ponto de vista contábil, em face do conjunto patrimonial, interessa principalmente conhecer dois aspectos do patrimônio: o econômico e o financeiro. A situação econômica diz respeito à aplicação e ao rendimento do capital, enquanto a financeira diz respeito à solvabilidade da empresa. A aplicação do capital e a solvabilidade são verificadas através da situação estática do patrimônio, ao passo que o rendimento do capital, ou seja, o resultado da atividade econômica, é verificado através da situação dinâmica.

O livro de Hilário Franco, Estrutura, Análise e Interpretação de Balanços (SP, Atlas, 1972), sugere os seguintes processos de análise:

  1. decomposição dos fenômenos patrimoniais em seus elementos mais simples e irredutíveis (análise propriamente dita);
  2. determinação da porcentagem de cada conta ou grupo de contas em relação ao seu conjunto (coeficientes);
  3. estabelecimento da relação entre componentes do conjunto (quocientes);
  4. comparação entre componentes do conjunto em sucessivos períodos (índices);
  5. comparação entre componentes de diferentes conjuntos para determinação de padrões.

Com esses respectivos processos de análise, obtém-se as seguintes interpretações:

  1. quanto à estática patrimonial: específicas sobre origem e aplicação de capitais; quanto à dinâmica patrimonial: específicas sobre receitas e despesas, lucros ou perdas;
  2. decorrentes do confronto dos coeficientes com os de exercícios sucessivos e com os padrões;
  3. decorrentes do confronto de quocientes com os de exercícios sucessivos e com os padrões;
  4. decorrentes do confronto dos índices absolutos com os relativos;
  5. sobre o grau de normalidade em relação ao padrões.

O primeiro passo do processo, portanto, deve constituir a análise propriamente dita dos componentes do patrimônio – agregados segundo o “corte” estabelecido -, para conhecimento detalhado de cada grupo de contas representativas do ativo e do passivo. Poderá se aprofundar até onde for o interesse do analista de conhecer as subdivisões das próprias contas.

A determinação da percentagem de cada elemento patrimonial em relação ao conjunto indica o coeficiente dos diversos grupos patrimoniais, oferecendo assim uma idéia precisa de distribuição dos valores no conjunto patrimonial. Pode-se então avaliar se há excesso de imobilização, insuficiência de capitais ou de disponibilidades (liquidez), a proporção necessária e definida entre os capitais próprios e de terceiros, etc.. Os bancos, diferentemente de empresas de outros ramos de atividade, movimentam mais capitais de terceiros que capitais próprios, têm maiores disponibilidades que valores imobilizados e mais realizáveis que disponíveis.

Quociente é o resultado da comparação entre dois componentes do conjunto. Não se confunde, portanto, com coeficiente, que é a porcentagem de um componente em relação ao conjunto.

Quocientes patrimoniais são aqueles calculados em relação à situação estática do patrimônio (balanço patrimonial). Os calculados sobre a situação dinâmica do patrimônio (contas de resultado) são os quocientes de variações patrimoniais.

Os primeiros possibilitam interpretações sobre as aplicações de capital (bens e direitos) e sua origem (capitais próprios e de terceiros), Os últimos – calculados através da comparação entre componentes do resultado econômico entre si, ou entre eles e os componentes patrimoniais -, nos fornece indicadores sobre a dinâmica patrimonial, evidenciando a circulação de capitais e sua rentabilidade.

Entre os quocientes patrimoniais, destacam-se:

  1. quocientes de solvência: são o resultado da comparação entre o ativo circulante e as obrigações, com a finaliidade de medir a capacidade da empresa de pagar seus débitos; a medida de solvência vai desde a indicação da liquidez imediata (disponível / exigível de curto prazo) à da liquidez geral (capital circulante / exigível), de acordo com o desejo de conhecer os vários graus de conversibilidade dos valores ativos, assim como os prazos de vencimento das responsabilidades;
  2. quocientes de garantia de capitais de terceiros: constituem o resultado da comparação das obrigações patrimoniais (exigível) com vários aspectos do patrimônio (patrimônio líquido, capital em giro próprio e de terceiros, ativo, etc.);
  3. quocientes de capitais próprios: são representados pela comparação entre o patrimônio líquido e vários aspectos do patrimônio (capital circulante, ativo total, ativo permanente, exigível, etc.), para medir a posição do capital próprio no conjunto patrimonial;
  4. quocientes de imobilização de capitais: decorrem da comparação do imobilizado com vários aspectos do patrimônio (patrimônio líquido, capital em giro, ativo real, etc.).

A análise das variações patrimoniais e consequente resultado econômico torna-se bastante mais significativa com a determinação de quocientes, pois eles põem em evidência a rotação dos capitais e sua rentabilidade, assim como a porcentagem dos elementos positivos e negativos do resultado econômico sobre os montante de variações e sobre o resultado final.

Essa comparação entre elementos formadores do resultado econômico pode constituir os seguintes grupos de quocientes:

  1. quocientes de rentabilidade: comparação do resultado econômico (lucro líquido ou prejuízo) com o capital, nos vários aspectos de sua origem e aplicações, embora o mais usual seja o cálculo da rentabilidade do patrimônio líquido – capital + reservas + lucros – através da relação lucro líquido / patrimônio líquido;
  2. quocientes de produtividade: comparação da movimentação econômica da empresa (produção ou vendas) com os vários aspectos da aplicação de capitais (ativo total, ativo real, imobilizado, circulante, etc.);
  3. quocientes de aproveitamento de custos: comparação dos custos (despesas) com a movimentação econômica da empresa (produção ou vendas) e com os resultados (lucro bruto ou lucro líquido);
  4. quocientes de rendimento das ações: comparação do lucro distribuído (dividendo) com o capital da empresa (capital social ou patrimônio líquido) e com o investimento do acionista (preço da ação na bolsa), embora o mais usual seja a relação preço / lucro, que indica o número de anos necessário para que haja retorno do capital investido, através de lucros recebidos.

É útil conhecer também a variação sofrida, em sucessivos períodos, pelos elementos que formam o patrimônio. Para tanto, o comum é calcular-se um índice de base fixa (igual a 100), para o período inicial, sendo os demais calculados em relação a ele.

Define-se os índices como indicações numéricas das gradações de um fenômeno, relacionadas com seu número básico inicial. Qualquer número só tem valor quando comparado com outro, pois isoladamente não fornece elementos de julgamento.

Por fim, comparações entre componentes de diferentes conjuntos patrimoniais e de variações patrimoniais permitem a determinação de coeficientes-padrão. O coeficiente-padrão é aquele que com maior frequência se apresenta nos balanços de empresas do mesmo ramo de atividade.

A classificação geral de cada instituição financeira nos rankings publicados por revistas especializadas, geralmente, considera variáveis que refletem:

  1. a representatividade global de cada banco (ativo total),
  2. a dimensão de seu capital próprio (patrimônio líquido) e
  3. o seu resultado no exercício considerado (lucro líquido).

Discriminam a composição por origem de capital:

  1. bancos estatais,
  2. privados nacionais e
  3. estrangeiros.

Com base nos dados coletados para a elaboração desses rankings de bancos, destacam, ainda, o comportamento do setor  em relação a três outras variáveis consideradas relevantes:

  1. os depósitos totais,
  2. a receita operacional líquida  e
  3. o capital de giro próprio.

As duas primeiras variáveis estão fortemente correlacionadas com a dimensão dos bancos. No entanto, a receita operacional líquida reflete não só o tamanho do banco, mas também seu desempenho mercadológico, guardando certa relação com a variável lucro líquido, que incorpora uma dimensão mais ampla do desempenho dos bancos.

Finalmente, o capital de giro próprio, que representa a diferença entre o patrimônio líquido e o ativo permanente, reflete o volume de capital próprio que está sendo direcionado para as operações ativas do banco. Por outro prisma, mostra o volume de recursos de terceiros que está sendo direcionado para cobrir investimentos em ativo permanente ou empresas controladas e coligadas.

Um valor negativo para o capital de giro próprio significa que o banco está financiando com capital de terceiros investimentos menos líquidos em ativo permanente ou empresas controladas e coligadas. No curto prazo, este tipo de comportamento pode estar vinculado a processos de expansão e automação dos bancos, representando uma alavancagem operacional. No longo prazo, no entanto, o mesmo tipo de comportamento pode ser reflexo de um desajustamento estrutural.

Outra metodologia de pesquisa visa classificar os principais bancos brasileiros exclusivamente por um critério de porte que toma como indicador o ativo total. Com o intuito de captar a segmentação existente no setor, os bancos analisados são divididos em três grupos, de acordo com a participação de seus ativos totais no ativo total consolidado da amostra.

  • O grupo 1 engloba bancos de maior porte, p. ex., que respondem isoladamente por mais de 2% do ativo total consolidado de todas as instituições financeiras participantes.
  • O grupo 2 engloba os bancos cujos ativos totais representam, p. ex., entre 0,2% e 2% do total da amostra.
  • Finalmente, o grupo 3 engloba os bancos de menor porte, neste exemplo, com ativos totais inferiores a 0,2% do total da amostra.

Com o objetivo de analisar o desempenho do setor bancário brasileiro, constata-se a tendência da rentabilidade em relação à registrada no ano anterior. Por exemplo, o efeito das receitas de floating fica patente a partir da evolução da conta de ganhos com passivos sem encargos deduzidos das perdas com ativos não-remunerados.

Compara-se o resultado bruto da intermediação financeira do ano corrente em relação ao ano anterior; busca-se a explicação para sua variação, verificando o custo de captação e as receitas de operações de crédito.

Examina-se, então, se as receitas de prestação de serviços (decorrentes da cobrança de tarifas bancárias) desempenharam papel relevante para a sustentação do nível de rentabilidade dos bancos.

Interessante também é ver até que ponto estas últimas receitas, isoladamente, cobririam as despesas administrativas ou, pelo menos, as despesas de pessoal. Este é conhecido como Indicador de Cobertura.

Vale comparar as margens de intermediação financeira (relação do resultado bruto da intermediação com receitas de intermediação financeira) entre distintos grupos de bancos. Outros Indicadores de Desempenho são as relações:

  • rendas de operações de crédito (conta de resultado) / operações de crédito (conta patrimonial)
  • despesas de captação (conta de resultado) / operações de crédito (conta patrimonial)
  • spread creditício [rendas de operações de crédito – despesas de captação] / operações de crédito
  • proxy do “faturamento” para bancos: receitas da intermediação financeira + rendas de prestação de serviços
  • crescimento: média geométrica da taxa anual de crescimento do faturamento
  • giro do ativo total (produtividade média com a qual o capital total é utilizado): faturamento / ativo total
  • produtividade da mão de obra: faturamento / número de empregados
  • participação no mercado: faturamento do grupo de bancos / faturamento total de todos os bancos

É possível elaborar diversos Indicadores Patrimoniais. Um passo preliminar seria examinar a evolução real das operações de crédito e de arrendamento mercantil, além dos depósitos totais, por agência bancária.

Outros Indicadores Patrimoniais são as seguintes relações:

  • característica “aplicadora” ou “captadora”: operações de crédito e de arrendamento mercantil / [depósitos totais + obrigações por empréstimos e repasses]
  • atuação “emprestadora”: operações de crédito e de arrendamento mercantil / ativo total
  • atuação “carregadora”: títulos e valores mobiliários / ativo total
  • atuação “interbancária”: aplicações interfinanceiras de liquidez / ativo total
  • qualidade do crédito: operações de crédito de liquidação duvidosa / operações de crédito e de arrendamento mercantil
  • cobertura da inadimplência: provisões para créditos de liquidação duvidosa / operações de crédito de liquidação duvidosa
  • relação capital/trabalho: imobilizados de uso e de arrendamentos / número de empregados
  • número de empregados / agência bancária
  • índice de liquidez corrente (medida inversamente proporcional ao risco de insolvência): ativo circulante / passivo circulante
  • holding (representa a estrutura societária-administrativa escolhida pela empresa): investimento (inclusive participações em coligadas e controladas) / ativo permanente
  • ativo permanente [investimentos + imobilizados de uso e de arrendamento] / patrimônio líquido [capital + reservas]
  • endividamento geral (medida direta do risco de insolvência e indireta da alavancagem potencial do lucro): exigível total [passivo circulante e exigível a longo prazo] / ativo total
  • relação investimento/produto (representa o nível de fluxo de acréscimo de capital às operações): variação do ativo total / proxy do faturamento

As variáveis sugeridas acima foram escolhidas dentre os indicadores que poderiam ser calculados a partir dos dados de balanços publicados pelos bancos. Sua classificação em grupos de desempenho e patrimoniais obedece ao seguinte critério:

  • desempenho inclui tudo aquilo que reflete resultados de decisões e/ou políticas adotadas pelos bancos na utilização de seus recursos;
  • patrimoniais são indicadores de condutas adotadas quanto à utilização mais ou menos intensiva de mão de obra, recursos de terceiros, investimentos em participações em coligadas e controladas, etc..

Cabem classificações por grupos de bancos e por regiões.

3 thoughts on “Plano de Trabalho em Docência e Pesquisa

  1. Pergunta honesta ao Sr.: você abriria mão do excedente de sua atual renda em prol dos pouco mais de 6K/mês que configuraria o Estado de Bem-Estar Social que defende? Acredito que esse “novo brasileiro médio” teria ainda mais dificuldades em manter as obrigações financeiras em dia face a sua tenaz capacidade de alavancagem perpétua. Com nossa mentalidade de acumulação, imagina qual seria a bolha de preços dessa “realidade”? Não, obrigado! Abraço.

    1. Prezado Rodney,
      o método de “raciocínio pelo absurdo” levanta uma hipótese no limite e/ou inalcançável apenas para exercitar ou exemplificar o raciocínio.

      No caso da renda média dos 26,5 declarantes de IRPF levanta-se a hipótese do potencial de mercado que haveria em caso de uma política de redistribuição de renda em favor de uma convergência para essa renda de classe média alta. Em outras palavras, uma política pública contra a acentuada concentração de renda existente no País traria benefícios sociais pelo choque de demanda e incentivo ao investimento multiplicador de renda.
      att.

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