YouTube + Netflix X TV Aberta

Net ou Tube

Em smart-TV, assistir belíssimos vídeos em 4K no YouTube, além de Palestras TED e outros cursos disponíveis online, além de diversos canais estrangeiros especializados em certos segmentos (futebol, automóveis, viagem, natureza, etc.) disputa a audiência do acompanhamento de séries de TV em 4K no Netflix. Sendo este o futuro da TV, vale ler a entrevista abaixo.

JACK NICAS (WSJ, 9 de Junho de 2016) avalia que Susan Wojcicki possui um lugar único da história da indústria tecnológica. Atualmente ela desempenha um papel essencial no futuro da mídia e também do entretenimento também.

Larry Page e Sergey Brin alugavam três quartos e uma garagem na casa de Wojcicki perto de Montain View em setembro de 1998, o mesmo mês em que eles incorporaram o Google Inc. Um ano depois, os dois fundadores a contrataram. Ela logo lançou o negócio de publicidade do Google, que tornou-se um dos maiores sucessos na história dos negócios. Ela também pressionou a empresa, agora uma unidade da Alphabet Inc., para comprar o YouTube em 2006.

Agora, como diretora-presidente do YouTube, a próxima missão de Wojcicki, de 47 anos, é transformar a central de vídeos em um negócio.

O YouTube possui mais de um bilhão de usuários, mas pouco lucro, quando gera lucro. Ela lidera várias grandes iniciativas destinadas a tornar a plataforma lucrativa, incluindo realidade virtual, programação ao vivo e uma assinatura de US$ 10 por mês para acesso livre de anúncios lançada em outubro.

O YouTube continua uma força dominante de vídeos on-line, com mais de 180 milhões de usuários em computadores tradicionais em fevereiro, ante cerca de 81 milhões espectadores do Facebook Inc., o vice-líder, de acordo com a firma de pesquisa comScore. (Os números não incluem dispositivos móveis, que a empresa afirma serem responsáveis pela maioria dos acessos ao YouTube.)

Com o Facebook Inc. acelerando sua presença em vídeos, o domínio do YouTube não está assegurado de forma alguma. Os usuários agora gastam uma média de 50 minutos diários no Facebook, ante 17 minutos no YouTube, segundo a comScore. O Snapchat Inc. e o Twitter Inc., que licenciaram direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos e dos jogos da Liga Nacional de Futebol Americano, a NFL, respectivamente, também estão entrando no mercado de vídeo. E o Netflix Inc. e a Amazon.com Inc. estão atraindo mais assinantes para seus serviços de streaming de vídeo. Enquanto isso, vários canais a cabo estão permitindo que os usuários façam streaming de vídeo em qualquer dispositivo.

Mesmo assim, Wojcicki diz que sua principal concorrente é a televisão tradicional. Ela quer transformar seus bilhões de espectadores em uma audiência principalmente de conteúdo on-line. Mesmo assim, até ela diz que em metade das vezes pula os anúncios mostrados antes dos vídeos do YouTube — o principal gerador de receita do serviço.

Em uma entrevista recente ao The Wall Street Journal, Wojcicki falou sobre a estratégia do YouTube, concorrentes e cultura. Abaixo, trechos editados:

WSJ: Como você descreve sua gestão?

Wojcicki: Eu vejo uma oportunidade para reinventar a TV. Quando eu olho para o futuro da TV, eu penso que:

  1. ela será feita sob demanda;
  2. ela será móvel e para vários dispositivos;
  3. ela será global; e
  4. incluirá um conjunto diverso de conteúdo.

O objetivo do YouTube é construir essa plataforma e ser o conteúdo da próxima geração e a fornecedora de TV.

WSJ: O YouTube tem mais de um bilhão de espectadores, mas pouco ou nenhum lucro. Como você vai resolver isso?

Wojcicki: Nesse momento, estamos em um período de crescimento. Nós estamos pensando em como chegar ao próximo bilhão de usuários e como nós conseguiremos monetização adicional. Nós estamos concentrados em nos preparar para o negócio mais bem-sucedido no longo prazo. Estamos reinventando nosso negócio para alcançar os usuários e oferecer mais opções de monetização e um serviço melhor.

WSJ: Então os lucros são prioridade hoje?

Wojcicki: O crescimento é a prioridade.

WSJ: Quem é seu principal concorrente?

Wojcicki: Snapchat, Facebook, Netflix. De certo modo, nosso principal concorrente é a forma tradicional de assistir TV. É um espaço enorme e há muitas oportunidades para todos. Nós precisamos todos pensar como podemos entregar melhor nossas principais propostas para nossos usuários, diferentemente de ‘Oh, fulano tem esse recurso; eu preciso ter também’.

WSJ: Os anunciantes têm sido mais lentos que os espectadores para adotar os vídeos on-line. Por que?

Wojcicki: Os usuários podem tomar decisões de forma relativamente rápida, e não tem um custo associado em mudar seu comportamento como espectador. Mas se você é um anunciante, você precisa ter certeza que funciona. Anunciantes geralmente começam de forma modesta para testar. Não faz sentido para eles anunciar em um lugar onde não há usuários, certo? Estou confiante que os anunciantes vão correr atrás e os dólares dos anúncios migrarão para o digital. Vai demorar um tempo.

WSJ: O que os hábitos dos espectadores on-line te dizem sobre a humanidade?

Wojcicki: As pessoas estão muito mais interessadas nas pessoas comuns do que nós imaginávamos. Esse foi o insight que me levou a comprar o YouTube em primeiro lugar. Antes, nós pensávamos que os usuários apenas queriam ver tipos de conteúdo profissional e acabado, mas eles realmente querem ver todos os tipos de conteúdo. Há um elemento muito humano no YouTube, onde as pessoas estão apenas conectando-se com outras pessoas.

WSJ: Você e seu marido, outro executivo do Google, normalmente vão jantar em casa com seus cinco filhos. Os leitores vão querer saber como vocês conseguem.

Wojcicki: A primeira coisa é ter certeza que minha vida profissional é administrável. Para mim, isso tem a ver a priorização e identificação das coisas mais importantes a serem feitas. Então ser capaz de dizer no fim do dia que você terminou o que tinha que fazer e que você está indo para casa e não vai pensar mais em trabalho. Nós tentamos ter uma regra de não checar e-mails entre 18 e 21 horas, porque se você está no telefone então é difícil desconectar [do trabalho].

Eu também continuo lembrando as pessoas que o sucesso não é baseado no número de horas que você trabalha. Os capitalistas de risco não dizem: ‘Bem, quantos horas você está planejando trabalhar?’ Eles perguntam: ‘Qual é sua ideia? O que você pode trazer para discussão?’ Se você está trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, você não vai ter nenhuma ideia interessante. A separação entre vida e trabalho é realmente importante para produtividade — ser eficiente no trabalho e também tentar estar realmente presente quando estiver em casa.

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