Proposta de O Mercado para O Governo Golpista: Privatizar Tudo Logo!

Venda de Ativos Federais

Flávia Lima (Valor, 13/06/16) informa que, diante de um governo golpista que prometeu um forte ajuste fiscal para implementar a Velha Matriz Neoliberal (VMN) mas que, desde que tomou posse, não conseguiu emplacar nenhum corte significativo de gastos, a venda de ativos pode ser a salvação de curto prazo, dizem especialistas de O Mercado de olho em “bons negócios privados com o patrimônio público”! Os “vendidos” pouco se importam que essa dilapidação sem a legitimidade das urnas será questionada na Justiça no futuro! Os responsáveis responderão com seu patrimônio pessoal e os compradores o devolverão!

Essas receitas atípicas não terão nenhum papel fundamental na recuperação das contas públicas porque pouco representam em relação ao valor do estoque da dívida pública. A questão, ponderam esses economistas idólatras do livre-mercado, é que o momento atual de O Mercado pode azedar até mesmo esse tipo de iniciativa. Eles não têm escrúpulos com A Coisa Pública, mas percebem que falta justificativa honesta até pela conjuntura de baixa dos preços dos ativos.

O volume a ser arrecadado com a fatia que o governo federal tem em grandes empresas e bancos não é animador, ainda que ele abrisse mão de praticamente tudo o que tem. Exercício feito pela GO Associados (“coçando as mãos”) aponta que se a União se desfizesse integralmente de sua participação no capital social de empresas como Petrobras, Caixa, Banco do Brasil, Correios, Infraero, IRB e Eletrobrás, o potencial de recursos que poderiam ser obtidos seria de pouco mais de R$ 127 bilhões. Somada à carteira do BNDES, de R$ 47,2 bilhões, segundo dados do primeiro trimestre, o governo conseguiria arrecadar R$ 174,2 bilhões, ou algo próximo a 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os “vendidos” não avaliam bem a relação custo político / benefício fiscal, as privatizações resultariam em algo bem próximo ao rombo estimado para as contas públicas neste ano e representariam apenas uma fração da dívida pública do setor público, que é de cerca de R$ 4 trilhões (67,3% do PIB).

Para as empresas com capital aberto, a GO usou o valor de mercado da empresa, de acordo com a cotação da ação em 12 de maio. Para as demais empresas, usou o patrimônio líquido, de acordo com o dado divulgado em balanço.

Embora os neoliberais não se importem com a democracia, eles apenas consideram o mau momento de O Mercado para a venda integral dos ativos, ou seja, as opiniões se dividem sobre a oportunidade ou não do negócio. Além de todos os entraves políticos que a venda integral das participações enfrentaria, este talvez não seja o melhor momento para a venda de ativos, que tiveram seus preços bastante deprimidos nos últimos anos.

Como reflexo desse “mau momento”, as oito empresas consideradas no levantamento perderam 31% do valor total de mercado nos últimos 48 meses, de R$ 391 bilhões (considerando não só a participação do governo) para R$ 269,4 bilhões. Nos últimos 24 meses, a perda foi de 21,5%. Em outras palavras, o lockout golpista de O Mercado agora o está punindo! 🙂

O Mercado estima, no entanto, que se o governo se propuser a vender R$ 40 bilhões em ativos e usar esses recursos para abater sua dívida, conseguiria economizar cerca de R$ 5,7 bilhões (ou 0,1% do PIB) com pagamento de juros em um ano, o que considera positivo.  :)

“Talvez o melhor seria vender apenas uma parte e aos poucos. Do contrário, seria vender no pior momento possível”, diz o cara-de-pau de O Mercado. Ele ressalta que a Infraero, por exemplo, está com um patrimônio líquido praticamente zerado e deve precisar de aporte do Tesouro. “A empresa está totalmente endividada e fica difícil avaliar um caso desses. Provavelmente ela vale mais”. Good business: privatizar todos os aeroportos praticamente de graça!

A despesa primária do governo ainda deve crescer em 2017. Logo, a solução para melhorar o endividamento poderia vir do lado das receitas, por meio de uma combinação de alta de impostos e venda de ativos. E a FIESP vai “pagar o pato-amarelo”?! Enquanto os especuladores compram ativos na baixa?!  :0

A venda de ativos, diz o cabeça-de-planilha, “poderia ajudar a reduzir um pouco o tamanho da dívida pública”, de modo que o governo prescindisse de um primário entre 2% e 2,5% do PIB para estabilizar a dívida.

“Assim se conseguiria reduzir o prêmio de risco, reduzindo também a taxa de juros sobre a dívida. Consequentemente, o superávit necessário para estabilizá-la também pode ser menor”, diz o enrolador dos incautos, para quem tudo depende de uma série de variáveis, inclusive de “O Mercado comprar esse cenário mais positivo”.

estratégia de consolidação fiscal do fim da década de 1990 em diante, na Era Neoliberal, combinou, em um primeiro momento, aumento carga tributária – com CPMF e Cide, por exemplo – e receitas não recorrentes de privatização. “Como a economia crescia pouco, o peso da venda de ativos foi crucial no primeiro momento de ajuste fiscal para depois passar a depender menos dessas receitas atípicas”, mente o economista neoliberal sem mostrar nenhuma comprovação empírica do que afirma. Na verdade, pouco ajudou a privatização tanto em queda do estoque da dívida pública, quanto na diminuição dos encargos financeiros, pois o Banco Central se encarregou de “colocar o juro nas nuvens”!

A verdade é que o governo golpista não tem legitimidade nem competência para enfrentar os problemas: mesmo que a economia dê sinais de estabilização e trabalhe com nível de ociosidade ainda muito elevada, a arrecadação recorrente vai demorar a voltar, pois se pratica o austericídio (austeridade + suicídio) que agrava o problema de arrecadação fiscal. E, como a FIESP golpista não permite aumentos de carga tributária, os idiotas idólatras do “livre-mercado” acham a venda de ativos pode “fechar o buraco” no curto prazo, assim como qualquer outro tipo de modalidade de receita atípica expressiva, como repatriação de recursos ou securitização da dívida ativa da União.

Algo um pouco acima de R$ 100 bilhões com a venda de ativos, sem dúvida, seria “muito pouco”, dado que o governo gastou com juros no ano passado cerca de R$ 500 bilhões. “Ajuda a reduzir a dívida, mas não vai resolver o problema. E aí, olhando a proposta com pragmatismo, imagina a confusão que vai ser privatizar os Correios. E quem vai ser o comprador? As empresas brasileiras estão muito endividadas. Não sou tão otimismo com a proposta”, afirma um sujeito com mais bom senso.

Sem entrar no mérito da dificuldade política em se desfazer do ativo público, os “gênios de O Mercado” veem como oportunidade a abertura de capital dos Correios, por exemplo, cujo serviço postal, o Sedex, é visto pelos gananciosos como a operação mais valiosa – assim como os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont para a Infraero, que estão entre os mais rentáveis do mundo. Ueba!

Lambendo os beiços, consideram ainda que há ativos regionais que o governo poderia exigir que fossem privatizados como contrapartida à renegociação de dívida dos Estados. “Mais ou menos como ocorreu na década de 1990, quando o governo federalizou a dívida. A presença em saneamento e distribuição de gás dos governos regionais é forte”, dizem felizes, achando que “os bons tempos voltaram após o golpe!”

Para os mais sensatos, propostas estruturais que olhem para o longo prazo seriam mais adequadas neste momento. Vender ativo é positivo apenas para uns poucos capitalistas especuladores, mas mesmos eles têm dúvidas se é viável politicamente. Fora que não vai ser a salvação da pátria. E é preciso reduzir os juros de maneira sustentada, com uma política de confiança e credibilidade. Essa é a grande distorção da economia brasileira: a maior taxa de juro do mundo!

Ora, mas O Mercado golpista não foi contra a “Cruzada da Dilma” contra essa maior taxa de juro do mundo?! A memória é curta… Assim, como são curtas as pernas da mentira.

2 thoughts on “Proposta de O Mercado para O Governo Golpista: Privatizar Tudo Logo!

    1. Glorinha,
      há anos, para manter meu humor, evito ler tanto jornal de direita quanto economista de direita…

      Quando dou uma passada de olhos, p.ex., nos artigos do Delfim Neto, leio-os como sintomas do “direitismo, doença senil do capitalismo”. Ele chamava o golpe de 1964 de “revolução” e agora chama o golpe de 2016 de “parlamentarismo de ocasião”!

      O cinismo desse ex-conselheiro da Dilma é espantoso. Acostumado a adulações de gente de O Mercado, o Delfim Tataraneto acha que pode enganar todo o mundo o tempo todo! Ele é do tempo da ditadura do AI-5, do Sarney da Arena, do Bacha da Puc-Rio…
      bjs

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