Para Conhecimento de Economia

Decisões Microeconômicas e Resultantes Macroeconômicas

Estudo Economia desde 1971. Depois de todo esse tempo, cheguei à simplíssima conclusão que um bom curso depende, fundamentalmente, do domínio da matéria e do didatismo do professor, criando motivação para o aluno estudar sob orientação, seja Economia Política, seja Ciência Econômica. Esta área de conhecimento começou de maneira multidisciplinar no século XVIII (período clássico); depois, na virada do século XIX para XX, tornou-se Economia Pura (período neoclássico); agora, no século XXI, está resgatando seu caráter interdisciplinar, como ensino no doutoramento do IE-UNICAMP. Confira o Programa e baixe a Bibliografia em:  Economia Interdisciplinar.

Quando escrevi e publiquei o livro Economia em 10 Lições (todos os capítulos estão disponíveis neste blog na Categoria Meus Livros deste blog), apresentei, de início, diversos temas motivacionais: razão de estudar Economia; conceitos básicos; dificuldades (hermetismo e assuntos controversos); metodologia para se estudar Economia; linhas de pensamento; fontes de informações, etc.

O Quadro acima trata-se de uma listagem de temas fundamentais que a meu ver um curso de economia deveria contemplar. Mas para isso necessita-se de professores com grande domínio desses temas e não de apenas determinada corrente ou escola de pensamento econômico. E isto é um problema, pois a maioria dos economistas costuma “colar um rótulo em sua testa”, tipo “eu sou neoclássico”, “eu sou keynesiano”, fora os que acham que inovam antepondo “novo”, “pós”, “neo”, etc. Brinco dizendo que “pós-tudo, necessita-se de ex-tudo“…

Os diferentes autores e/ou as linhas da História do Pensamento Econômico devem ter suas contribuições subordinadas à explicação de cada tema. Mas este — o assunto — é o mais importante. Em outras palavras, “as linhas devem ser prioritárias face às colunas”, no Quadro abaixo de dupla-entrada.

Em cada tema, p.ex., Teoria dos Preços, o professor deve ser capaz de apresentar as diferentes contribuições de todas as correntes de pensamento relevantes. Um bom economista necessita ser plural e não se reduzir à autodenominação de ortodoxo ou heterodoxo.

Principais Correntes do Pensamento Econômico Contemporâneo

Na coluna “Decisões”, os temas podem ser vistos também como parte das Teorias das Escolhas para enfrentar os problemas “microeconômicos”:

  1. fixar preços e/ou margem de lucro,
  2. produzir para mercado interno ou externo (importar/exportar),
  3. gastar (consumo e/ou investimento),
  4. regular economia de mercado via política econômica.

Na coluna “Resultantes”, com uma visão sistêmica, apresentam-se os costumeiros problemas “macroeconômicos”:

  1. inflação,
  2. desemprego,
  3. estagnação, recessão ou depressão (ciclo e tendência), subdesenvolvimento,
  4. crise cambial.

Há quatro temas fundamentais, tanto em Microeconomia, quanto em Macroeconomia. Mesmo essa divisão entre Micro e Macro é artificial, pois na realidade seus conteúdos se interagem como todos os componentes de um Sistema Complexo, como é a Economia. Entendo-se isso, pode-se passar à etapa de denominar as disciplinas que se referem às partes do todo.

O Núcleo de Teoria Pura, de mais alto nível de abstração dos fenômenos econômicos puros, poderá ser oferecido em 4 semestres letivos, após a Introdução à Economia, do 2º ao 5º (inclusive). Este curso de Introdução deveria apresentar, de maneira panorâmica, como as diversas disciplinas se subordinam à essa metodologia dos três níveis de abstração.

Pode ser entremeado com o Núcleo de “Teoria Aplicada” ou “Outras Ciências”, onde se desce um degrau para o nível médio de abstração e há  reincorporação do antes abstraído para extrair os fenômenos econômicos “puros”: Sociologia, Política, Filosofia, Ética, Direito, Cálculo, Estatística, Econometria, Matemática Financeira, Contabilidade (Empresarial e Nacional), Administração, etc.

O Núcleo “Arte da Economia” ou “Economia Aplicada” ou “Política Econômica”, tem como pressuposto o conhecimento teórico e conceitual antes apresentado e propicia datar e localizar as intervenções na realidade via decisões práticas: História Econômica Mundial (inclusive Economia Internacional) e Brasileira (inclusive Contemporânea), Finanças (Públicas, Corporativas e Pessoais / Comportamentais).

Finalmente, nos últimos semestres letivos de um bom curso de Economia, deve ser oferecido um Núcleo de Disciplinas Eletivas, destacadamente aquelas de especializações setoriais como Economia Agrícola e de Meio-Ambiente, Economia Industrial, Economia de Serviços, Economia Monetária e Financeira, etc. Elas permitirão atualização e darão flexibilidade para escolha do aluno para sua formação dirigida ao mercado de trabalho, seja profissional (treinamento), seja acadêmico (pós-graduação), já que ele, pós-tudo, dominará a arte fundamental de “aprender a aprender”.

Este Ensino de formação generalista, onde se oferece e aprende-se a senha de onde acessar e como processar dados e informações de maneira lógico-conceitual e analítica, propiciará o autodidatismo necessário para continuidade da acumulação de Capital Intelectual no resto de nossas vidas…

Capital Humano é a capacidade pessoal (e intransferível) de ganho da vida. Em vez de ser pecuniário, o segredo da felicidade é gostar de o que se faz no dia-a-dia. No caso, sentir que você  faria de graça o que ainda te pagam para fazer!

O Economista Profissional bem formado poderá se ter sucesso nas seguintes Áreas de Atuação:

  1. ASSESSORIA: determinar o nível ideal de produção e produtividade para fixar preços de venda com base em custos e margem de lucro adequados à estrutura de mercado e ao setor de atividade;
  2. PROJETOS: colaborar em auditoria e perícia no que se refere às avaliações econômico-financeiras, elaborar projetos de investimentos;
  3. PESQUISA: pesquisar, analisar e diagnosticar o mercado e a inflação, o custo de vida e o poder aquisitivo da população, a renda nacional e o nível de desemprego, a conjuntura econômica, o ciclo e a tendência de crescimento, o mercado de câmbio e o balanço de pagamentos;
  4. PLANEJAMENTO: atuar nas áreas de planejamento econômico, financeiro e administrativo e propor o uso de instrumentos de política econômica para elevação do desenvolvimento socioeconômico;
  5. CONSULTORIA: atender consultas em Economia e Finanças, visando o aumento da rentabilidade do patrimônio privado e a melhoria da prestação de serviços privados e públicos;
  6. ENSINO: atuar como professor universitário e em Educação Financeira.

Por fim, saliento que, segundo o Censo Demográfico de 2010, eram 2.274.184 profissionais com Ensino Superior que  trabalhavam em Administração, Negócios e Economia, ou seja, 25% dos 8.979.706 graduados. Constituíam apenas 3,6% no total de 62.853.201 de trabalhadores ocupados com carteira assinada, desconsiderando o 1% de todas as profissões que tinham Mestrado (0,7%) ou Doutorado (0,3%). Mas, entre o 1% mais rico, 15,4% trabalhavam diretamente com economia, tendo essa corporação profissional, então, o maior percentual deste top de renda. Mas apenas 4,3% dos 2,274 milhões (98 mil) se situavam entre os ricaços.

Segundo DIRPF-2014 (AC-2013), por Natureza Ocupacional, se auto classificaram 409.768 declarantes como Economista, Administrador, Contador, Auditor e Afins, ou 1,5% do total de 26,5 milhões de declarantes. O rendimento anual per capita deles foi R$ 75.292,45 ou R$ 6.274,37 mensais — equivalente a 9,25 salários mínimos de R$ 678,00 em 2013. Era pouco menor do que o rendimento per capita de todos os declarantes (R$ 77.801,80), mas praticamente se igualava à média individual da sua casta dos sábios-universitários (R$ 76.126,63). Porém, em Bens e Direitos per capita com R$ 378.513,53 superavam a média da riqueza per capita de todos os declarantes: R$ 258.134,75. Em termos de classes sociais, eram membros da classe média alta.

No entanto, é bom destacar que 58.853 declarantes se apresentaram como Economista, Administrador, Contador, Auditor e Afins, que eram Recebedores de Lucros e Dividendos, sendo este Rendimento de Sócio e Titular de Microempresa por Ocupação Principal. Neste caso de “pejotização” (CPFs trocados para CNPJ por causa da absurda isenção de Lucros e Dividendos recebidos no Brasil), o rendimento per capita foi R$ 84.334,95 e os bens per capita, R$1.290.992,00. Então, estes PJ eram milionários em reais, mesmo contabilizando seus imóveis em valores históricos. Porém, na classificação internacional de milionários em dólares não se considera o valor da residência principal…😦

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