Competência Comunicativa

Obs.: legendas em português nas configurações do canto à direita.

Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, afirma que “quase todo mundo já sentiu medo de falar em público. Estudos que pedem a pessoas para listar seus maiores medos costumam apontá-lo como o mais temido, superando o medo de altura, de águas profundas — e até da morte”.

Pergunta-se: “Por que isso acontece? Por que essa angústia?”

Responde: “Porque há muita coisa em jogo. Não se trata só da situação momentânea, mas da nossa reputação em longo prazo. A maneira como os outros nos veem tem enorme importância. Somos criaturas essencialmente sociais. Desejamos o afeto, o respeito e o apoio dos outros. Em enormes proporções, nossa felicidade futura depende dessas realidades.

Para nós, o que acontece num palco afeta substancialmente esses valores sociais, para o bem ou para o mal. Entretanto, com a atitude mental correta, pode-se usar o medo como um trunfo valioso. Ele pode ser o elemento capaz de convencer o palestrante a se preparar de forma adequada”.

Participantes de Conferências TED contaram episódios maravilhosos sobre o impacto de suas palestras. Às vezes ocorrem propostas para livros e filmes, bem como ofertas inesperadas de apoio financeiro. Contudo, as histórias mais interessantes estão ligadas à promoção de ideias e de mudança de vida.

Por exemplo, “Amy Cuddy fez uma palestra extremamente popular sobre como a mudança da linguagem corporal pode aumentar a autoconfiança. Ela recebeu mais de quinze mil mensagens, vindas de gente do mundo todo, contando como tinha sido beneficiada”.

Quando Chris Anderson assumiu o comando do TED, no fim de 2001, ele se recuperava do quase colapso da empresa que eu passara quinze anos construindo. Estava apavorado com a possibilidade de outro enorme fracasso público. Vinha lutando para convencer a comunidade TED a apoiar sua visão do programa e temia que essa luta não fosse dar em nada.

Na época, o TED era um ciclo anual de palestras realizado na Califórnia, organizado e apresentado por seu proprietário, um arquiteto carismático chamado Richard Saul Wurman, cuja personalidade exuberante dominava cada aspecto do evento. Cerca de oitocentas pessoas por ano assistiam às palestras, e a maior parte parecia conformada com o fato de que o TED provavelmente não sobreviveria ao afastamento de Wurman.

A conferência de fevereiro de 2002 foi a última organizada sob a liderança dele, e Chris Anderson tinha uma chance — e não mais do que uma — para persuadir essas pessoas de que era perfeitamente possível continuarem a realizar as palestras. Entretanto, ele nunca havia organizado um ciclo de palestras e, apesar de todo o meu esforço de muitos meses para promover o evento do ano seguinte, somente setenta pessoas compareceram.

Na manhã da véspera da primeira palestra do ciclo, teve quinze minutos para defender suas ideias. Falou de coração aberto, com o máximo de franqueza e convicção.

  1. Disse que acabara de sofrer um violento malogro comercial.
  2. Que tinha passado a se considerar um completo fracassado.
  3. Que o único caminho que lhe permitira sobreviver mentalmente tinha sido mergulhar no mundo das ideias.
  4. Que o TED havia passado a significar tudo para ele — pois se tratava de um espaço ímpar em que era possível compartilhar ideias de todas as disciplinas.
  5. Que ele faria tudo ao seu alcance para preservar seus melhores valores.
  6. Que, em todo caso, o programa lhes havia proporcionado tanta motivação e tantos subsídios que não podiam deixá-lo morrer, certo?

“A facilidade para falar em público não é um dom congênito concedido a alguns felizardos, mas sim um amplo conjunto de aptidões”.

O desafio é achar o ponto ideal para começar a contar sua história e criar uma sequência narrativa natural. Para isso, é necessário ensaiar a palestra várias vezes diante de uma plateia de verdade. Isso ajuda a aumentar sua autoconfiança, a ponto de tornar visível sua personalidade.

Seu objetivo não é parecer uma celebridade. É ser você. “Se você é cientista, seja cientista; não tente ser um militante. Se é artista, seja artista; não tente ser um acadêmico. Se é um sujeito comum, não queira simular um impressionante estilo intelectual; seja esse sujeito comum. Você não tem obrigação de fazer uma multidão se pôr de pé com uma oratória notável. Um tom de conversa pode funcionar muito bem. Na verdade, para a maioria das plateias, é bem melhor assim. Se você sabe conversar com um grupo de amigos durante o jantar, também sabe falar em público”.

E a tecnologia vem criando novas opções. Vivemos numa época em que não é necessário saber falar diante de milhares de pessoas ao mesmo tempo para exercer grande influência. Podemos falar intimamente para uma câmera e deixar a internet fazer o resto.

“A competência comunicativa não é um extra opcional destinado a uns poucos. É uma qualificação fundamental para o século XXI. É o modo mais eficaz de mostrar quem você é e quais são os seus interesses. Se for capaz de adquirir autoconfiança, ela se expandirá, e você vai ficar atônito com os benefícios que isso trará para seu sucesso na vida profissional”.

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