Construção da Ideia

Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, apresenta uma bela metáfora, aplicável a qualquer palestra. A obrigação número um de um palestrante é reconstruir na mente de seus ouvintes algo que lhe importa. Chama essa coisa de ideia: uma criação mental que os ouvintes podem reter, levar para casa, apreciar e, em certo sentido, permitir que ela os modifique.

É necessário cumprir o objetivo de uma palestra em um aspecto-chave: plantar uma ideia na mente dos ouvintes.

A singularidade do TED está em ser um espaço no qual indivíduos de uma ampla variedade de disciplinas podiam se reunir e se compreender mutuamente. Essa fertilização cruzada é fundamental para o mundo, e por isso a conferência passaria a não ter fins lucrativos e seus organizadores tornariam seus depositários com vistas ao interesse público. Seu futuro beneficiaria a todos.

Essa ideia mudou o modo como a plateia encarava a transição do programa. A saída de seu fundador já não tinha tanta importância. A questão passou a ser preservar uma forma especial de transmitir conhecimento.

A tese central deste livro de Chris Anderson, “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, é que qualquer um com uma ideia digna de ser divulgada é capaz de realizar uma palestra eficaz. A única coisa de fato importante ao se falar em público não é a autoconfiança, a presença de palco ou aquilo que se costuma chamar de “falar bem”. É ter algo de importante a dizer.

Está empregando a palavra “ideia” em um sentido bem amplo. “Ela não precisa ser um avanço científico, uma invenção genial ou uma teoria jurídica complexa. Pode ser um conjunto de instruções simples sobre como fazer algo. Ou um insight de caráter humano ilustrado com a força de uma história. Ou uma bela imagem de intenso significado. Ou um fato que você gostaria de ver acontecer no futuro. Ou, ainda, apenas um lembrete do que mais importa na vida. Uma ideia é qualquer coisa capaz de mudar a visão de mundo das pessoas”.

Você tem ideias que merecem ser ouvidas por mais pessoas? É impressionante como avaliamos mal uma resposta a essa pergunta. Muitos indivíduos (em geral homens) dão a impressão de adorar o som da própria voz e gostam de falar durante horas sem transmitir nada de relevante. Mas há também muitas pessoas (em geral mulheres) que subestimam demais o valor de seu trabalho, de seu conhecimento e de suas percepções”.

Chris Anderson alerta: “Caso você só esteja lendo este livro porque adorou a ideia de subir ao palco e se tornar a estrela de uma Conferência TED, inspirando plateias com seu carisma, pare de lê-lo neste momento, por favor. Dedique-se a algo que mereça ser compartilhado com outras pessoas. Estilo sem conteúdo é horrível.

O mais provável, no entanto, é que você tenha dentro de si muito mais coisas dignas de serem transmitidas do que imagina. Você viveu uma vida que é sua, e só sua. Passou por experiências que foram suas, e de mais ninguém. Certas sacadas criativas extraídas de algumas dessas experiências merecem ser divididas com outras pessoas. Você só precisa descobrir quais.

Isso lhe causa estresse? “Para ser digna do tempo e da atenção de uma plateia, a maioria das palestras exige base em algo com certa profundidade. Em tese [se você não tem nada a dizer de original], é possível que a melhor coisa que você tem a fazer por enquanto seja continuar sua jornada, buscar algo que de fato mobilize seus interesses e sua atenção e voltar a pegar este livro [TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público] daqui a alguns anos”.

Entretanto, antes de chegar a essa conclusão, vale conferir mais uma vez se sua autoavaliação está correta. Talvez apenas lhe falte autoconfiança. Estamos diante de um paradoxo: você sempre foi você e só se vê de dentro para fora. Talvez não enxergue os detalhes que os outros consideram notáveis a seu respeito. Para enxergá-los, talvez você precise ter conversas francas com aqueles que o conhecem bem. Eles sem dúvida conhecem aspectos seus melhor do que você!

Seja como for, você tem uma coisa que ninguém mais no mundo tem: a sua experiência de vida. Ontem você viu uma sequência de fatos e vivenciou uma série de emoções únicas. Você é o único ser humano, entre sete bilhões, que teve exatamente essa experiência. E então? Consegue tirar alguma coisa daí? Muitas das melhores palestras baseiam-se apenas numa história pessoal e numa lição simples dela extraída.

Você observou algo que lhe causou surpresa? Você viu alguma coisa que possa interessar a outras pessoas? Em caso negativo, consegue se imaginar passando as próximas semanas caminhando de olhos bem abertos, consciente da possibilidade de que alguma parte de sua jornada única poderá interessar ou beneficiar outros?

As pessoas adoram histórias, e todo mundo pode aprender a contar uma boa história. Mesmo que a lição a se tirar dela já seja batida, tudo bem, somos humanos! Precisamos relembrar as coisas. Há um motivo para que, a cada semana, os sermões religiosos repassem as mesmas coisas com diferentes roupagens. Se exposta da forma correta, uma ideia importante, embrulhada em uma história só um pouco diferente, pode resultar em uma palestra top de linha.

Pense sobre seu trabalho nos últimos três ou quatro anos. O que se destaca nele? Qual foi a última coisa que você realmente achou empolgante? Ou irritante? Pense em dois ou três feitos seus dos quais mais se orgulha. Quando foi a última vez em que você conversou com alguém que lhe disse “isso é muito interessante”? Se você tivesse uma varinha mágica, qual ideia mais gostaria de gravar nas mentes das pessoas?

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