Chega de Procrastinar

Obs.: legenda em português em configurações no canto à direita.

Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, sugere que “você pode usar a oportunidade de falar em público como motivação para se enfronhar mais em determinado assunto. Em maior ou menor grau, todos sofremos de alguma forma de procrastinação ou preguiça. Em princípio, há muitas coisas que gostaríamos de conhecer melhor, “mas, sabe como é, essa tal de internet nos faz perder muito tempo”

A oportunidade de falar em público pode ser apenas o estímulo de que você precisa para se dedicar a um projeto de pesquisa sério. Qualquer um com um computador ou um smartphone tem acesso a grande parte da informação existente no mundo. É questão de começar a pesquisar e ver o que é possível descobrir.

Na verdade, as perguntas que você faz ao realizar sua pesquisa ajudam a criar o plano geral de sua palestra.

  1. Quais são as questões mais relevantes?
  2. Como elas se relacionam?
  3. Como explicá-las de maneira clara?
  4. Quais são os enigmas ainda sem boas respostas?
  5. Quais são as principais controvérsias?

Você pode usar sua viagem de descoberta para propor os momentos-chave de revelação da palestra.

Portanto, se você acha que talvez tenha algo, mas não tem certeza de que já domina o assunto, por que não usar a oportunidade de falar em público como um incentivo para descobrir? Sempre que sentir que sua atenção está se desviando, lembre-se da perspectiva de pisar em um palco com centenas de olhos fixos em você. Isso fará você se empenhar por mais uma hora!”

Chris Anderson parte do princípio de que você quer falar sobre um determinado assunto, seja ele uma paixão de toda a vida, um tema que deseja estudar com mais afinco ou um projeto de trabalho que precisa apresentar. Nos capítulos restantes do livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, ele vai se concentrar em como, e não em o quê. No último, porém, ele vai retornar ao o quê, porque tem certeza absoluta de que todo mundo tem algo relevante que pode e deve compartilhar.

Você tem algo importante a dizer e deseja recriar sua ideia essencial na mente das pessoas. Como fazer isso?

Não devemos subestimar a dificuldade da tarefa. “Como é possível recriar toda essa estrutura [de milhões de neurônios interconectados] num grupo de mentes de desconhecidos em poucos minutos? O homem desenvolveu uma tecnologia que torna isso possível: a linguagem.”

Você pode formar na cabeça a imagem de algo que nunca aconteceu na história, a não ser em sua imaginação e na de quem te leu ou ouviu. Uma única frase tem esse poder. Mas desde que você e o ouvinte conheçam um conjunto de conceitos prévios.

A linguagem só produz sua magia quando partilhada entre falante e ouvinte. E essa é a chave para que se realize o milagre de recriar sua ideia no cérebro de outras pessoas. Você só pode usar as ferramentas a que sua plateia tem acesso. Se usar apenas sua linguagem, seus conceitos, seus pressupostos e seus valores, não terá sucesso. Então, em vez disso, utilize os deles. Só a partir dessa base comum os ouvintes podem começar a construir a sua ideia na mente deles.

Na tentativa de descobrir como esse processo funciona, é possível capturar em tempo real a complexa atividade cerebral associada à construção de um conceito ou à memorização de uma história. Essa pesquisa exige uma tecnologia chamada imagens por ressonância magnética funcional (IRMf).

Pesquisas publicadas em 1967 pelo professor Albert Mehrabian afirmam que apenas 7% da eficácia da comunicação decorrem da linguagem, enquanto 38% dependem do tom de voz e 55% da linguagem corporal. Isso tem levado muitos instrutores a se concentrarem excessivamente em desenvolver um estilo de oratória fundamentado na autoconfiança, no carisma etc., sem se preocuparem muito com as palavras.

Infelizmente, essa é uma interpretação equivocada das conclusões de Mehrabian. Em essência, os experimentos dele visaram descobrir como a emoção era comunicada. Por exemplo, ele testava o que acontecia quando alguém dizia algo em tom de raiva ou com uma expressão corporal ameaçadora. É claro que, nessas circunstâncias, as palavras em si pouco interessam. Entretanto, é um absurdo generalizar esse resultado a qualquer palestra (e Mehrabian fica tão irritado com a má utilização de suas pesquisas que, em seu site, um parágrafo em negrito pede que não se faça isso).

Passar emoção é importante, e nesse aspecto o tom de voz e a linguagem corporal do palestrante têm enorme valor. Chris Anderson analisa isso em detalhes mais adiante. “No entanto, a essência de uma palestra depende fundamentalmente das palavras. São elas que narram uma história, constroem uma ideia, explicam o que é complicado, apresentam argumentos lógicos ou fazem um apelo convincente para a ação. Por isso, se alguém lhe diz que, ao falar em público, a linguagem corporal é mais importante do que a linguagem verbal, lembre-se, por favor, de que a pessoa está interpretando mal as pesquisas científicas”.

A palestra é uma viagem que palestrante e plateia realizam juntos. “Como todos os bons filmes e livros, uma palestra de alto nível é capaz de nos transportar. Todos adoramos participar de aventuras, viajar para algum lugar novo na companhia de um guia bem informado — se não imaginativo — e capaz de nos apresentar coisas que nem sabíamos existir, de nos induzir a abrir janelas para lugares desconhecidos, de nos munir de novas lentes para ver o ordinário de maneira extraordinária… de ao mesmo tempo nos extasiar e acionar diversas áreas do nosso cérebro”. É por isso que muitas vezes um palestrante tenta moldar sua fala em torno do embarque para uma viagem.

Essa metáfora deixa claro o motivo pelo qual o palestrante, como todo guia turístico, deve começar por onde a plateia está. E também explica por que ele precisa se certificar de que não haja saltos impossíveis ou mudanças inexplicáveis na direção do percurso.

A viagem pode ser de exploração, explicação ou persuasão, mas o resultado é conduzir a plateia a um lugar novo e belo. E isso também é um presente.

“Seja qual for a metáfora que você use, concentre-se em o que vai dar à sua plateia, pois é essa a base perfeita para a preparação de sua palestra”.

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