Era Social-Desenvolvimentista: Massificação do Ensino

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Um dos maiores grupos de ensino superior do mundo, a Kroton promoveu sua fusão com a Estácio, o que cria uma companhia com valor de mercado de mais de R$ 22 bilhões e 1,6 milhão de alunos, que corresponde a 23,5% do setor de ensino superior privado brasileiro.

A investida da Kroton é justificada pelo momento em que vive o setor de educação. Com a recessão e a redução do programa de crédito estudantil do governo (Fies), as aquisições e fusões voltaram ao interesse das grandes companhias como caminho para ganhar mercado, uma vez que o crescimento orgânico é restrito no atual cenário de desemprego. Além disso, a oportunidade explorada pela Kroton – que é forte geradora de caixa – aumentou porque as ações Estácio se desvalorizaram muito do ano passado para cá.

Graziella Valenti e Beth Koike (Valor, 04/07/16) informa que, aos 40 anos, sendo seis deles à frente da Kroton, Rodrigo Galindo é um executivo com uma clara preferência por aquisições com potencial para transformar a companhia e nunca escondeu seu gosto por negócios marcados pela pressão. Ainda, assim, causou surpresa quando anunciou sua intenção de incorporar a segunda maior companhia de ensino superior do país, a Estácio.

A surpresa tem suas razões. Há três anos, Galindo liderou uma fusão com a Anhanguera que, na época, também ocupava a vice-liderança do setor. Foi um processo longo, de quase um ano no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e que por diversas vezes correu o risco de não sair do papel. A autarquia aprovou com a operação com restrições e a integração das duas companhias foi concluída em 2015, no auge da crise do Fies, o programa de financiamento estudantil reduzido pela metade pelo governo.

Nem bem a poeira assentou e Galindo propôs uma fusão com a Estácio. A transação trouxe à tona o quão duro Galindo é nas negociações. O presidente da maior companhia de educação que, só neste ano vai gerar mais de R$ 2 bilhões de caixa, negociou cada ponto percentual e cada centavo. Só no último minuto do segundo tempo melhorou a proposta da fusão que ameaçava ir para uma oferta hostil. Cedeu. Mas cedeu em nome de uma negociação amigável, sabendo que essa foi só a primeira batalha.

Seus concorrentes provavelmente devem buscar apoio da opinião pública com argumentos de que a formação de um gigante jogará para baixo a qualidade do ensino. Galindo tem ciência dessa estratégia e já montou um arsenal de dados, planilhas e números para convencer que a história não é bem assim.

Uma de suas teses de defesa é que 60% dos cursos da Anhanguera tinham notas entre 3 e 5 pela classificação do Ministério da Educação (MEC) e após a incorporação com a Kroton esse percentual subiu para 98%. Com investidores, a estratégia é a mesma: usar os números a seu favor.

Galindo vem construindo sua carreira na Kroton com aquisições. Aos 35 anos tornou-se presidente desta. A Kroton havia adquirido a faculdade de sua família e em menos de um ano à frente da companhia fez a maior aquisição do setor de educação, na época, ao levar a Unopar por R$ 1,3 bilhão.

O ativo era cobiçado no setor, mas não há ponto de se assinar um cheque tão alto. A Unopar operava com ensino a distância, segmento pouco conhecido até então. Galindo partiu para o tudo ou nada e cinco meses depois ainda comprou outro ativo de ensino on-line, a Uniasselvi, por R$ 510 milhões.

A fusão com a Estácio é a mais dura na carreira de Galindo. Em apenas um mês de negociação, a transação já é conhecida como “Game of Thrones” da educação.

As quatro companhias de ensino superior com capital aberto – Anima, Estácio, Kroton e Ser Educacional – respondem, juntas, por um percentual de 27,3% das 75 mil novas vagas do programa de financiamento estudantil do governo (Fies) abertas para o processo seletivo do segundo semestre de 2016.

Em números absolutos, a Kroton foi a que obteve a maior quantidade vagas de Fies, o equivalente a 8,8 mil. Considerando o porte da instituição, a Ser Educacional foi a mais beneficiada, com 5,7 mil. O programa de crédito estudantil do governo dá prioridade ao Norte e Nordeste, regiões que abrigam a maior parte das operações da Ser Educacional. Também são considerados prioritários os cursos nas áreas de engenharia, saúde e formação de professores.

A Estácio vai ofertar 4,8 mil novos financiamentos estudantis e a Anima, 1,1 mil vagas de Fies.

Ao contrário dos períodos anteriores, as companhias de educação foram discretas na divulgação da quantidade de vagas. Nos dois últimos semestres praticamente metade delas ficou ociosa porque os alunos não se enquadravam nas regras do programa.

Diante da queixa de faculdades e estudantes, o Ministério da Educação (MEC) mudou o critério de rendimento do Fies. Agora, os alunos com renda familiar mensal bruta, por pessoa, de até três salários mínimos são elegíveis. Antes, o patamar era de 2,5 salários. Segundo profissionais do setor, o teto anterior era o principal empecilho para a contratação do crédito estudantil. As 75 mil novas vagas vão demandar investimento de R$ 450 milhões do governo.

Atualmente, o programa atende a 2,1 milhões de estudantes. Desse total, cerca de 25% estão concentrados nas quatro companhias de capital aberto. Considerando exclusivamente os alunos da Estácio e da Kroton com Fies, a participação conjunta é de 17,5% do total. Em uma combinação de Estácio com Ser Educacional, a fatia de ambas é de 13% dos 2,1 milhões de estudantes beneficiados.

Em 2016, o orçamento do Fies é de R$ 18,7 bilhões — recurso usado para pagar os contratos vigentes e as novas vagas do financiamento estudantil abertas.

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