Da Linha Mestra À Estrutura da Apresentação

Obs.: legenda em português em configurações no canto à direita.

Chris Anderson, no livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, examina esta palavra: “estrutura”. Ela é crucial. Diferentes palestras podem ter diferentes estruturas ligadas à linha mestra central.

  1. Uma palestra pode começar com uma introdução ao problema em que o palestrante está trabalhando e contar uma história que o ilustre.
  2. Pode então passar para algumas tentativas históricas de solucionar o problema e dar dois exemplos que acabaram fracassando.
  3. Pode avançar com a solução proposta pelo palestrante, incluindo um fato novo e eloquente que sustente sua ideia.
  4. E pode terminar com três implicações para o futuro.

Imagine a estrutura da palestra como uma árvore. Há uma linha mestra central, que sobe verticalmente e na qual os galhos representam expansões da narrativa principal:

  1. um perto da base para a história de abertura;
  2. dois um pouco acima, na seção de história, para os exemplos fracassados;
  3. um para a solução proposta, que destaque o fato novo; e
  4. três no alto, ilustrando as implicações para o futuro.

Outra proposta poderia simplesmente apresentar, em sequência, cinco trabalhos separados que interliguem um tema comum, começando e acabando com o projeto corrente. Nessa estrutura, pode-se pensar na linha mestra como um arco que ligue cinco caixas, cada qual representando um trabalho.

O palestrante TED com mais visualizações na internet na época em que este livro foi escrito era Sir Ken Robinson. Segundo ele, em geral suas palestras seguem uma estrutura simples:

  1. Introdução — apresentação, o que será exposto
  2. Contexto — por que a questão é relevante
  3. Conceitos principais
  4. Implicações práticas
  5. Conclusão

Sir Ken disse a Chris: “Existe uma velha fórmula para a redação de ensaios. Nela, um bom ensaio responde a três perguntas: O quê? E daí? E agora? É mais ou menos isso.”

[FNC: eu prefiro a simplicidade de expor sua ideia-chave da seguinte forma:

  1. primeiro, anunciar o que vai dizer;
  2. depois, dizer o que anunciou;
  3. finalmente, recapitular o que disse…]

É claro que o atrativo das apresentações de Sir Ken Robinson vai muito além da simplicidade estrutural, e nem ele nem Chris Anderson recomendariam que todo mundo adotasse essa estrutura. O importante é você descobrir a que lhe permita desenvolver sua linha mestra com mais força no tempo disponível — e tornar clara a forma como cada elemento se liga a ela.

Você precisa tratar sua linha mestra com todo cuidado se for falar sobre um tema espinhoso e/ou doloroso da Humanidade. Muitas pessoas que tratam desses assuntos acreditam que é seu dever destacar uma causa que precisa de mais reconhecimento.

Em geral, a estrutura dessas palestras consiste em expor uma série de fatos que ilustram o quanto a situação é angustiante e o motivo por que cumpre fazer algo para remediá-la. E a verdade é que há ocasiões em que essa é a maneira perfeita de montar uma palestra… desde que você tenha certeza de que seus ouvintes estão dispostos a enfrentar o desconforto que suas palavras vão causar.

O problema é que, ao ouvir muitas apresentações do tipo, um público sente-se emocionalmente exausto e começa a se desligar. Instala-se a fadiga emocional. Se isso acontecer antes do fim de sua palestra, ela não exercerá impacto algum.

Como evitar isso?

A primeira medida é pensar em sua palestra não como uma questão, mas como uma ideia.

Uma palestra baseada em uma questão parte de moralidade; uma palestra baseada numa ideia parte de curiosidade.

Uma questão expõe um problema. Uma ideia propõe uma solução.

Uma questão diz: “Isso não é terrível?” Uma ideia diz: “Isso não é interessante?”

É muito mais fácil cativar a plateia tornando a palestra uma tentativa de solucionar um enigma intrigante, e não um apelo para que ela se mobilize. A primeira forma parece um presente; a segunda, um pedido.

À medida que você desenvolve sua linha mestra, submeta-a ao seguinte checklist:

  1. O assunto me apaixona?
  2. Ele provoca curiosidade?
  3. Ele faz diferença para a plateia?
  4. Minha palestra é um presente ou um pedido?
  5. As informações são novas ou já são conhecidas?
  6. Eu consigo explicar o tema, com os exemplos necessários, no tempo concedido?
  7. Conheço o assunto o suficiente para que a palestra valha o tempo dos ouvintes?
  8. Tenho a credibilidade necessária para falar do assunto?
  9. Quais são as quinze palavras que resumem minha palestra?
  10. Essas quinze palavras fariam alguém se interessar por ouvir minha palestra?

A instrutora de oratória Abigail Tenembaum recomenda que o palestrante teste sua linha mestra com alguém que poderia ser um membro típico da plateia. Segundo ela, é preciso fazer isso oralmente, e não por escrito: “Fazer a apresentação em voz alta muitas vezes torna nítido para o palestrante o que está claro, o que falta e como aprimorá-la.”

Conscientize-se de que está falando para uma única pessoa, e não para um segmento demográfico (“Minha palestra se dirige a profissionais entre 22 e 38 anos que atuem na área de Economia”), porque um segmento demográfico não é uma pessoa, e, se você falar para um segmento demográfico, não vai passar a ideia de que está falando para uma pessoa.

Você não precisa ir à casa dela ensaiar a palestra durante seis meses; ela nem precisa saber que você está ensaiando. Apenas escolha seu ouvinte ideal e depois faça tudo o que puder para criar uma palestra que o empolgue, emocione, fascine ou encante.

Porém, o mais importante é escolher um tema com o qual você se importe. “Fale sobre o que você conhece. Fale sobre o que conhece e ama de todo o coração. Eu quero ouvir você falar sobre o assunto mais importante de sua vida, e não sobre um tema qualquer que julgue ser uma novidade. Exponha sua paixão de décadas, não um artifício radical que esteja na moda. Acredite em mim: sua paixão vai me seduzir.”

Assim que tiver sua linha mestra, você estará pronto para planejar o que vai prender a ela. Existem muitas formas de construir ideias. Nos cinco próximos capítulos [5 a 9] do livro “TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público”, Chris Anderson examina as cinco ferramentas essenciais usadas por quem fala em público:

  1. Sintonia
  2. Narração
  3. Explicação
  4. Persuasão
  5. Revelação

Podemos misturar e combinar essas cinco ferramentas. Algumas palestras só se valem de uma delas. Outras incorporam diversos elementos. Algumas utilizam todas as cinco – muitas vezes, mais ou menos na ordem em que Chris Anderson as apresentou. No entanto, vale a pena analisá-las separadamente, pois essas técnicas são bem diferentes entre si.

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