TV Paga ou Serviços de Streaming?

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Leia sobre GloboPlayCultura Digital – Carlos Safini – 21.06.2016

Maurício Stycer (FSP, 03/07/16) informa que, no Brasil, em abril de 2016, havia 18,91 milhões de contratos de TV por assinatura. Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o serviço está presente em 28,37% dos domicílios brasileiros. Um ano atrás, em abril de 2015, quando chegou ao seu pico, o país contava 19,76 milhões de assinantes, alcançando 29,90% dos lares.

Além de não ter alcançado a simbólica marca de 20 milhões de assinantes, o encolhimento de quase 5% no mercado em um ano ocorre justamente num momento em que as ofertas de serviços chamados de “over the top” (OTT), via banda larga de internet, estão em crescimento em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O movimento de cancelamento de pacotes de TV paga (a cabo ou por satélite) é estimulado não apenas pelo preço, mas também pela possibilidade de escolher melhor o que se deseja consumir.

Minha NET: CBO NET MAIS HD FUT CONF FID COMBO VIRTUA 60 MEGA FIDELIDADE FONE + NET FALE FIXO ILIMITADO. Soma no total NET TV R$ 204,90 + NET VIRTUA 60 MEGA R$ 129,90 + NET Fone R$ 65,91 = Valor total: R$ 400,71!

NETFLIX = custo de R$ 16,90 para até cinco dispositivos + custo da banda larga.

YOUTUBE = grátis + custo da banda larga NET VIRTUA 120 MEGA: R$ 299,90.

Em vez de 200 e tantos canais, subaproveitados, já há quem entenda ser mais cômodo montar o seu próprio cardápio de ofertas, assinando serviços como Netflix e de canais disponíveis para assinaturas diretas, sem intermediários, como HBO, Esporte Interativo e até a Globo (com títulos do acervo desde 2010), entre outros.

A realização nesta semana do congresso da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) mostrou como o setor está enxergando de forma equivocada esta crise:

1) O ritmo da queda no número de assinantes está diminuindo, num sinal de que o pior já passou;

2) A perda de um milhão de assinantes em um ano deve-se exclusivamente à crise econômica;

3) A migração de consumidores do cabo para os serviços OTT só ocorre em mercados “maduros”, e não no Brasil.

Além de ter “pura fé (infundada) no fim da crise”, com um governo golpista, sem legitimidade e com uma política econômica recessiva, o setor não fala, por exemplo, em:

  1. reduzir preços de pacotes ao consumidor, ou
  2. oferecê-los de formas mais customizadas, de acordo com as necessidades dos clientes, assim como
  3. não promete melhorar o serviço, sempre alvo de críticas como a não transparência na tarifação e na fidelização, a não entrega da velocidade de banda larga vendida, a dificuldade em encerramento da conta, etc.

Há uma mudança mais profunda, já bem visível nos canais de TV paga.

A grade rígida, com os programas obedecendo a horários e dias fixos, ainda está lá, mas as opções oferecidas ao espectador são cada vez maiores. Um recurso conhecido é o da repetição de um mesmo programa em diferentes dias e horários. Perdeu o último episódio de “Game of Thrones” no domingo? Ao longo de uma semana, os canais HBO oferecem dez opções de reprise.

O recurso à repetição subsiste, mas também está ficando obsoleto. Para quem assina pacotes de TV paga, e dispõe de boa internet, é muito mais confortável assistir ao programa desejado na versão on-line do canal que o exibe, na hora em que bem entender. Isso já vale para canais dos grupos Fox, Turner, HBO e Globosat, entre outros.

Pesquisa divulgada em maio, nos EUA, pela consultoria PDG, quis saber o que os espectadores preferem, se forçados a escolher apenas uma opção: TV paga ou serviços de streaming?

  • Entre 18 e 24 anos, 66% dos entrevistados escolheram a segunda opção.
  • No outro extremo de idade, 77% dos maiores de 65 anos preferem a primeira.

Stycer conversou por e-mail com a Livraria da Folha. Leia parte da entrevista abaixo .

Qual é o futuro da televisão no Brasil?

A TV no Brasil ainda depende muito do desenvolvimento econômico do país. Para o consumidor viver de forma plena os benefícios e facilidades oferecidos pela revolução digital é preciso haver acesso bem maior à banda larga e ao sinal digital. Hoje, quem tem ambos, já vive o “futuro”, ou seja, já vê o que quiser, na hora em que bem entende, no aparelho de sua escolha – o próprio televisor, o telefone, o tablet, o notebook etc.

Que fim levará o controle remoto?
A tendência é, cada vez menos, você ligar o aparelho de TV e ficar procurando algo para ver entre 200 canais. Com os serviços online, de streaming e on demand, você escolhe o que quer ver e se programa para isso. O controle remoto pode continuar existindo, para ligar e desligar a TV, mas o ato de “zapear” tende a acabar.

Por que reality shows fazem tanto sucesso?
Reality shows são atrações destinadas exclusivamente ao entretenimento, tão rasas quanto muitas outras, com o fascínio adicional de permitir que o público avalie, o tempo todo, os participantes. Não é à toa que este gênero ocupa hoje a grade não apenas da TV aberta como da paga, em todos os campos, da gastronomia à forma física, do turismo à moda, da intimidade de celebridades à de anônimos.

Qual é o papel da crítica de televisão e como as emissoras reagem a ela?
Num país como o Brasil, em que a televisão ainda é a principal forma de lazer e maior fonte de informação da população, o papel do crítico é essencial. Ninguém gosta de ser criticado – artistas ou emissoras. E já me meti em várias discussões e brigas virtuais por causa disso. Mas entendo que, ao se esforçar em ser analítico, privilegiando o substantivo em relação ao adjetivo, dando contexto e julgando as intenções, o crítico é respeitado.

Você é um usuário bastante ativo do Twitter. Como lida com os trolls da internet?
De uma maneira geral, não dou bola para os chatos da internet. Se divergem e discutem com educação, troco ideias. Se são grosseiros, apenas deixo de ouvi-los.

*
ADEUS, CONTROLE REMOTO
AUTOR Mauricio Stycer
EDITORA Arquipélago Editorial
QUANTO R$ 41,90 (preço promocional*)

Leia mais sobre serviços de streaming:

Além do Netflix: Conheça 17 serviços de streaming de filmes para todos os gostos

 

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