Educação Executiva Continuada

sucesso-e-felicidade

Françoise Terzian (Valor, 27/06/16) cita: “Não há nada tão inútil quanto fazer eficientemente o que não deveria ser feito.” A frase do austríaco Peter Drucker, o pai da Administração moderna, resume bem o resultado de uma escolha mal feita.

Ter um MBA de peso no currículo, o projeto da maioria dos profissionais, é mais difícil do que se supõe. Não pelo desafio de ser aceito na escola, frequentar todas as aulas e sair-se exemplarmente bem. Antes de todo esse processo, é preciso muito cuidado na hora de escolher a instituição e o MBA mais adequados ao seu perfil e, consequentemente, às metas profissionais.

O Brasil tem, pelo menos, 1.000 cursos de MBAs, segundo o Guia do MBA de 2016, lançado recentemente pelo jornal “O Estado de S.Paulo” em parceria com a Associação Nacional de MBA (Anamba). É tanta opção que a escolha equivocada pode levar à perda de tempo e de dinheiro.

Com a crise, a busca por MBAs aumentou, o que é um fator importante para se diferenciar no momento da recolocação. Afinal, um profissional que fica fora da escola por cinco anos está literalmente fora do mercado. Motivo: falta de atualização deixa o indivíduo, por mais experiente que seja, aquém dos outros.

A primeira decisão a se tomar é qual curso fazer. É preciso decidir se você gosta de Finanças, Marketing, RH ou Logística. Você deve se perguntar:

  1. em que você é bom (pontos fortes / pontos fracos),
  2. em que área pretende se aperfeiçoar e
  3. aonde quer trabalhar.

Quando há muitas dúvidas, o melhor caminho é procurar um profissional de coaching.

Uma vez decidido o curso, é importante avaliar a escola e sua credibilidade – o que pode ser conferido por meio de:

  1. certificações ou acreditações,
  2. países em que o aluno pode fazer aulas e
  3. networking.

Também vale verificar se o nome é reconhecido nacionalmente, uma vez que oportunidades de emprego podem surgir em todo país.

As escolas mais bem posicionadas em rankings e com mais certificações são as preferidas dos alunos. Por isso, o processo seletivo é mais concorrido e muitas vezes o programa requer um investimento maior.

Um MBA no Brasil hoje dura em média 18 meses e pode custar de R$ 10 mil a R$ 145 mil. Este último orçamento envolve três viagens internacionais de estudos, chamados de Seminários. Não adianta pagar menos para ter um MBA em uma escola de quinta linha no currículo. É preciso pensar no custo-benefício.

No Brasil, muitas instituições usam o nome MBA quando, na verdade, seus programas se enquadram como uma pós-graduação lato sensu de 360 horas.

Por exemplo, essa categoria é onde se enquadra um Curso de Especialização, em nível de pós-graduação lato sensu, na área de Economia Financeira, como criei para o IE-UNICAMP há 15 anos. Nele, à noite, até hoje dou aulas para profissionais que trabalham com Finanças ou que desejam aprender o jargão, os conceitos e as teorias que orientam as decisões financeiras práticas.

Aos interessados, no país, há instituições que oferecem MBAs com programas equivalentes aos dos Estados Unidos, denominados de Mestrados Profissionalizantes, com carga horária de 500 horas. Existem ainda os MBA Executivos Internacionais, o que a Anamba certifica como MBA Padrão Global de Qualidade, com 480 horas/aula e destina-se a formar profissionais que ocupem cargos de gestão há pelo menos três anos.

Se o candidato quiser melhorar seus conhecimentos técnicos, multiculturais e comportamentais — ou se for o caso de formação de líderes –, ele deve optar por um programa que tenha aulas vivenciais, seções de coaching e módulos internacionais, como os MBAs executivos internacionais.

Recomenda-se ainda comparar programas de diferentes escolas, ver quem são os professores e se eles têm experiência profissional.

Também é indicado conversar com antigos alunos dos cursos pré-selecionados, para verificar quanto o MBA realmente agregou à carreira profissional.

Adriana Fonseca (Valor, 27/06/16) informa que levantamento do Graduate Management Admission Council (GMAC) mostra que 29% dos que cursam um MBA “full- time”, programa que requer dedicação do aluno em tempo integral, querem abrir um negócio após o curso. Nos outros tipos de MBA, que permitem conciliar trabalho e estudo, o índice é um pouco menor: entre 21% e 22%. O GMAC é a instituição que aplica as provas GMAT, pré-requisito para ingresso em boa parte dos MBAs internacionais.

Entre os profissionais com mais tempo de carreira, a vontade de empreender aumenta: 37% para o nível executivo. Por região do mundo também há diferenças. Os latinos estão entre os que mais querem abrir a própria empresa: 37% em comparação a 17% dos americanos, por exemplo.

Marco Antonio Monteiro (Valor, 27/06/16) informa que o mercado de cursos a distância se transforma a passos largos no caminho mais rápido e eficaz para consolidar a formação, especialização e até a pós-graduação de executivos em todas regiões do país. Mais de 300 mil alunos cursam pós-graduação on-line anualmente no país e outros 3 milhões fazem cursos de especialização a distância, de curta e média duração.

O crescimento anual médio dos cursos on-line é de 15%. Os cursos de pós-graduação a distância já representam cerca de 20% em relação ao total de cursos de pós ministrados no país, incluindo os cursos presenciais, avalia um diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed).

Considerando a Educação Executiva, de acordo com a entidade, os cursos mais demandados são da área de Negócios, destacando cursos generalistas em Gestão, Finanças e Projetos. A demanda também é forte na área de Educação porque, para progressão de carreira, o professor de ensino fundamental e médio da rede pública precisa de pós-graduação.

Os alunos na faixa de 24 a 30 anos buscam em geral MBA para especialização em suas áreas de atuação. Já os executivos no mercado há mais de dez anos, com faixa etária entre 35 e 45 anos, buscam os cursos a distância para ingressar em novas áreas de atuação ou aumentar sua competitividade no mercado.

A tendência é de que o crescimento anual dos cursos a distância seguirá na faixa dos dois dígitos. E, possivelmente, será de 50% a relação entre cursos on-line e presencial dentro de oito a dez anos. No futuro, o mercado será híbrido. É uma tendência no mundo inteiro: juntar aulas a distância com presenciais.

A previsão já é realidade na Universidade Veiga de Almeida (UVA), controlada pelo grupo americano Ilumno, que também está presente na Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá e Paraguai. Tem 200 mil alunos na América Latina. Cerca de 60% deles são de cursos on-line. No Brasil, onde pretende investir R$ 173 milhões até 2020, haverá a geração de quase 2 mil empregos diretos e indiretos no período, entre professores, tutores, equipes de suporte acadêmico e outros.

Os cursos de pós-graduação mais procurados na UVA são os MBAs em Gestão Empresarial e Gestão de Projetos. Todos os alunos recebem certificado reconhecido pelo Ministério de Educação (MEC) e é o mesmo certificado concedido para o curso presencial.

As aulas on-line, com duração média de 12 meses, têm conteúdo interativo e flexível, de modo que de o aluno defina seu ritmo, sem deixar de se exigir a mesma dedicação e disciplina dos cursos presenciais. Ele só ganha flexibilidade de horário para fazer o curso. Mas as provas são todas presenciais e realizadas de duas a três vezes por semestre. Cerca de 30% dos alunos dos cursos de pós on-line vêm de uma distância superior a 100 km dos campi.

No Ibmec, a adesão aos cursos de pós-graduação mantém-se elevada especialmente entre profissionais das áreas de Gestão, Administração, Economia e Ciências Contábeis, mas o destaque segue com o MBA de Finanças, com duração média de 14 meses. Em dezembro passado, o Ibmec teve seu controle acionário (96,4%) adquirido pelo grupo norte- americano DeVry pelo valor em torno de R$ 700 milhões.

A compra do Ibmec acrescentou à carteira da DeVry cerca de 15 mil alunos em cursos de graduação e pós-graduação e on-line em áreas como Finanças, Administração e Engenharia. O Ibmec, fundado em 1970, tem campi no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Campinas (SP) com a marca Metrocamp.

Em tempos de crise econômica, o preço do curso on-line para educação executiva torna-se também um diferencial a se considerar. Escolas de negócios como FGV e Ibmec, entre outras, cobram de R$ 14 mil a R$ 20 mil por um MBA a distância. Custa em torno de 70% do curso presencial. Já os cursos com certificação internacional como o MBA Manchester/FGV custam R$ 40 mil.

No entanto, há um problema com relação aos cursos feitos integralmente com uma universidade estrangeira. É o que se chama de engessamento da legislação brasileira, que só reconhece diploma do exterior para curso presencial. A legislação é muito engessada. Ela exige que a prova seja presencial, quando o curso é feito integralmente com uma instituição de ensino estrangeira, e que não tenha participação de uma escola brasileira.

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