Velha Classe Média: Mobilidade Social para Classes A e B

Juro NeoliberalJuro Social-DesenvolvimentistaRenda do Capital X Renda do TrabalhoRenda do Capital Financeiro 1995-2014

Classes A e B

Os números não mentem como os “delatores premiados” pelo paladino da (in)justiça brasileira. Mesmo sob tortura só confessam o que é a realidade estatística. Os interpretes que se enganam.  Fato: na sociedade brasileira, quem tinha investido R$ 35.000 em 100% do CDI de um LFT (título pós-fixado), no final do ano de 1994, e permaneceu com esse investimento financeiro intocado durante 20 anos, ou seja, até 2014, tornou-se milionário em reais!

A média anual da Selic nominal entre 1995-2014 foi 18,5%; o juro real médio ao ano foi 10,5%, disparadamente, o maior do mundo! E tem neoliberal que, despudoradamente, defende a manutenção dessa política para enriquecer mais a elite socioeconômica à custa do empobrecimento do restante da população

Veja no gráfico e nas tabelas acima as comparações que fiz entre a Era Neoliberal e a Era Sociadesenvolvimentista. Entendeu a paixão de O Mercado pela política (e políticos) do neoliberalismo?

Equivalência da taxa do juro média real:

Era Neoliberal (1995-2002): 15,1% aa = 1,2% am

Era Socialdesenvolvimentista (2003-2014): 6,6% aa = 0,5% am

Em outros termos, quem é milionário em reais aplicados no mercado financeiro a 100% do CDI, na Nova Era Neoliberal (2015-2016) com juro nominal de 14,25% aa (equivalente a 1,1% am), recebe no mínimo de renda mensal do seu capital financeiro o valor que o coloca entre os membros das Classes A e B: R$ 11.600.

Eduardo Belo e Flávia Lima (Valor, 14/07/16) não são muito precisos e/ou mitificam quando sugerem que você “esqueça os nomes quatrocentões, as famílias tradicionais com educação internacional e as dinastias empresariais. Pelo menos metade da porção mais rica dos brasileiros não ostenta nenhuma dessas credenciais, não sabe o que é viajar ao exterior nem fala inglês. São pessoas que basicamente se criaram ‘com o umbigo no balcão’ de um pequeno comércio e galgaram degraus na escala social a custa de uma veia empreendedora e muito trabalho. Chegaram lá faz pouco tempo, na última década apenas, e ainda desconhecem a maior parte dos códigos sociais e comportamentais da elite de nascença“. Não se pode esquecer a metade composta pelos já ricos que se enriqueceu ainda mais!

Aproximadamente 7,5 milhões de brasileiros maiores de 24 anos ingressaram nos últimos dez anos no grupo dos 25% mais ricos da população brasileira, as classes A e B, movidos pelo aumento do consumo e pelo crescimento do estrato social médio (classe C) e seu consequente impulso consumidor.

“Se o emprego formal funcionou como a grande estímulo à classe média, foi o empreendedorismo que fez crescer as classes mais altas”. [Menos, menos… Isso se refere à renda do trabalho. E a renda do capital financeiro e imobiliário que se capitalizou elevando a concentração da riqueza financeira?]

Os “novos ricos” representam pouco mais da metade das classes A e B. Exatamente 50,3% desse grupo.

A pesquisa considera como classes A e B as famílias com renda de pelo menos R$ 11,6 mile não as famílias com renda per capita nesse valor como foi publicado originalmente no jornal. Esse grupo social cresceu 11 pontos percentuais nesses dez anos na distribuição de renda (não de riqueza), elevando-se de 14% para 25% da população brasileira.

Somados, novos e antigos integrantes dos 25% mais ricos representaram um consumo total de R$ 2,3 trilhões em 2015. É o maior mercado consumidor do país em volume de dinheiro. A classe C, maior grupo social do país, com 54% da população – mais que o dobro do grupo A/B -, consumiu o equivalente a R$ 1,5 trilhão no ano passado. De volta ao passado da Era Neoliberal! Retrocesso social: Nova Era Neoliberal!

Os dados fazem parte de um estudo inédito realizado pelo recém-criado Instituto de Pesquisa Locomotiva, com base em 1.590 entrevistas realizadas no mês passado e na decupagem de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

O responsável pela pesquisa é Renato Meirelles e uma equipe de oito analistas, todos, como ele, oriundos do Data Popular, instituto que Meirelles presidia e que acaba de deixar justamente para criar o Locomotiva, ao lado do administrador de empresas, escritor corporativo e palestrante Carlos Alberto Júlio. Meirelles agora preside o Locomotiva. Júlio, executivo com passagem por empresas como a HSM e Tecnisa, vai atuar como sócio e “head” de estratégia e inovação da nova organização.

Meirelles usa os números de seu estudo para mostrar que “bolso não explica mais a cabeça” do brasileiro, depois das tantas transformações dos últimos dez anos. No período da Era Socialdesenvolvimentista:

  1. mais de 10 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho,
  2. mais de 53 milhões de pessoas passaram a ter acesso à internet,
  3. outros 50 milhões à conta bancária e
  4. 10 milhões conseguiram diploma de curso superior.

A partir dos anos 2000, as classes A e B cresceram por conta do empreendedorismo. “É o dono de padaria que ficou rico, o dono do mercadinho. O processo de democratização do consumo fez com que também se criasse essa nova classe empresarial”, afirma. “Ou seja, um número gigantesco de pessoas que tem bolso de classe A e cabeça de classe C.”

Os números mostram ainda que apenas 34% desse público têm curso superior. Dos ingressantes na classe A e B diplomados em uma faculdade, muitos são a primeira geração de universitários da família.

[FNC: Entende agora quem estava entre os alienados, vestidos com a camisa da CBF e manipulados pelos golpistas da direita? Agora, aprenderão “na marra” que “eram felizes na Era Socialdesenvolvimentista e não sabiam”…]

Dois terços não ingressaram na universidade. A maior parte, 73% estudou apenas em escola pública. Quase metade (48%) jamais andou de avião – um meio de transporte ao qual a classe C teve acesso recentemente – e apenas 20% já fizeram viagens internacionais.

“Como achar que a divisão de classes que servia há dez anos serve para entender o Brasil de hoje?”, questiona o publicitário de 38 anos, cuja carreira foi construída no Data Popular, considerado sinônimo de “especialista em Classe C”.

A missão de Meirelles e Júlio no Locomotiva é procurar oferecer às empresas uma radiografia mais acurada da nova organização social brasileira, na qual não necessariamente ter dinheiro significa pensar “com cabeça de rico”. É preciso entender que o capital financeiro não dialoga necessariamente com o capital cultural.

“Uma forma de entender isso é olhar para a gangorra social que o país viveu nos últimos anos”, argumenta. “Imagine que hoje metade dos brasileiros que fazem parte da camada mais rica da população pertencem à primeira geração de pessoas com dinheiro na família.”

“A elite econômica passou a ser menos homogênea do que era antes, passou a reunir pessoas com diferentes histórias de vida, aglutinando valores e transformando jeitos de pensar e de viver e, sobretudo, rompendo com velhos paradigmas da classificação econômica”, comenta Meirelles.

[FNC: Para o mal — religiosidade, preconceitos e conservadorismo político — e para o bem — ampliação do mercado interno consumidor para atração de Investimentos Diretos Estrangeiros no País…]

O principal problema para as empresas é que elas não sabem disso e continuam trabalhando como se todos os 25% mais ricos da população pensassem de maneira uniforme. “São paradigmas que, muitas vezes, fizeram as empresas lançar produtos para a elite usando nomes em inglês, achando que todos da elite sabiam falar inglês; que usavam referências internacionais naturais para quem sempre foi rico, mas que não fazem sentido para os novos ricos que surgiram com essas mudanças econômicas.”

A dificuldade é que, no mundo corporativo, as pessoas que desenvolvem estratégias de negócios para esse público A e B, para o mercado de luxo, por exemplo, são pessoas que sempre foram das classes A e B.

“Não tem nenhum presidente de empresa para quem a gente mostrou a versão mais antiga dos dados que não tenha falado: ‘opa, de fato eu tenho que repensar meus conceitos’“, confirma Meirelles.

Segundo o presidente do Locomotiva, a visão tradicional de classe social está fortemente vinculada ao capital cultural e social. No caso das classes A e B, o imaginário está preso à ideia de um grupo que, “historicamente, durante séculos”, foi objeto de baixíssima mobilidade social e permaneceu estático, sem grandes entradas e saídas no conjunto dessa população.

“A tendência do piloto automático das empresas é achar que esse cara é igual a ele”, diz Júlio. “Gente que está na terceira geração de universitários da família, conhece o mundo inteiro, é nativo digital”, emenda Meirelles.

O bolso também não explica a vida financeira. Embora tenham renda para integrar a elite social e econômica do país, 60% dos entrevistados afirmam que já compraram “fiado” ou tomaram emprestado o cartão de crédito alheio para fazer compras. A pesquisa indica também que metade jamais fez operações bancárias pela internet, embora o rendimento os coloque entre a clientela “premium” dos grandes bancos.

[FNC: No caso, necessita-se de outras fontes de pesquisa — ANBIMA e DIRPF — para verificar a concentração da riqueza financeira e imobiliária:Private Banking por Domicílio - março 2016DIRPF 2015-2014

Quando se trata do volume de negócios financeiros e os bens e direitos líquidos (deduzidas as dívidas), inclusive imóveis com seu valor histórico de aquisição (e não valor-de-mercado), a estratificação social da riqueza é muito distinta, não? Confira as participações na renda e riqueza do decil, percentil e milionésimo superior.]

Outro dado surpreendente até para os responsáveis pelo estudo foi a proporção de pessoas dessa classe social que dá importância a alguns serviços públicos que a princípio parecem mais voltados para as demais camadas sociais. A pesquisa indica que 63% dos entrevistados dessa classe social utilizaram transporte público no mês anterior ao levantamento. “Não quer dizer que ele não tenha carro, mas que ele entende que o transporte público é um valor. Quer dizer também que ele está presente em regiões periféricas.”

Essa é, aliás, uma característica das novas classes A e B: a maior pulverização geográfica. Antes concentrada nas regiões centrais das metrópoles, hoje a elite social brasileira aparece com mais frequência nas periferias e cidades do interior.

[FNC: Este é outro mito vocacional que se deduz da melhoria da distribuição de renda do trabalho, quando se esquece da piora da concentração da riqueza financeira: 44.513 clientes do Private Banking com cerca de R$ 8 milhões per capita em riqueza financeira moram na Grande São Paulo. Representam 40,4% do total de clientes (CPFs + CNPJs).

Na Nova Era Neoliberal, esse movimento massivo vai se esgotar. A mobilidade social não tende a prosseguir. Isto em razão do cenário econômico depressivo, quando se privilegia apenas o ajuste fiscal para garantir o pagamento dos juros dos dentistas mais ricos em capital financeiro.]

Mas, como para ascender a classe A e B não dependeu tanto do emprego como a classe média, o presidente do Locomotiva acha que “será mais difícil haver retrocesso no número de novos ricos como tem ocorrido com a Classe C”.

[FNC: ele se esquece que o descenso social da “nova” Classe C reduz o mercado consumidor, explorado pela casta dos comerciantes que emergiu por estar “com o umbigo no balcão” de um pequeno comércio de varejo durante a Era Socialdesenvolvimentista… Como eu era feliz e não sabia, snif, snif… E fui às ruas apoiar os golpistas! Dei um tiro no meu pé, snif, snif… ]

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