Concentração da Riqueza no Mundo

Riqueza Global em 2015

Luciana Seabra (Valor, 08/06/16) informa que a riqueza administrada pelos serviços de gestão de fortunas em todo o mundo cresceu 5,2% em 2015, para US$ 168 trilhões, abaixo dos 7,5% do ano anterior, segundo estudo da consultoria (BCG). Houve desaceleração em todas as regiões do mundo, com exceção do Japão, que avançou 4,4%, ante 2,8% do ano anterior, na esteira de sua política monetária expansionista.

A desaceleração resulta, segundo o BCG, de um desempenho ruim de O Mercado [ingrato para quem tanto lhe quer bem…], somado à desaceleração econômica global. Ao contrário do que costuma ocorrer, destacaram os consultores, o crescimento do segmento resultou mais da geração de novas riquezas do que do desempenho dos ativosformas de manutenção e/ou capitalização do estoque de riqueza –, com mercados de ações e títulos estáveis ou até em queda em todo o mundo.

Na América Latina, o crescimento foi de 7%, para US$ 4,8 trilhões, também inferior aos 7,6% do ano anterior. O resultado foi puxado, segundo a consultoria, pelo pobre desempenho dos mercados de ações do Brasil e do México, que detêm metade da riqueza regional.

O crescimento econômico futuro, consideraram os pesquisadores do BCG, depende das escolhas feitas nos próximos ciclos eleitorais. [FNC: curioso, não? Os idolatras de O Mercado Livre colocam toda a economia dependente de O Governo!] A consultoria atribui a uma recuperação do mercado de ações uma estimativa de expansão entre 9% e 11% ao ano do segmento até 2020.

O estudo é feito com 130 gestores de patrimônio da Europa, EUA, Ásia, África e América Latina, além de entrevistas com 500 clientes. A pesquisa abrange quatro segmentos de atendimento, começando pelo afluente [“novos ricos”], com US$ 250 mil a US$ 1 milhão de patrimônio, e chegando ao chamado “ultra-high net worth“, com mais de US$ 100 milhões.

Foi esse nível mais alto da escala que marcou o maior crescimento de riquezas, de 7%. No mercado asiático, as fortunas desse grupo cresceram 21%.

Mesmo com a desaceleração, o crescimento das fortunas em private banking na América Latina perdeu somente para a região da Ásia-Pacífico, com avanço de 13,4%, para US$ 37 trilhões. Mas até a região que mais gerou riquezas nos últimos anos, entretanto, desacelerou, já que o avanço em 2014 tinha sido de 14,1%. A América do Norte marcou a maior desaceleração, passando de um crescimento de 6% em 2014 para 2% no ano seguinte.

Na análise dos portfólios, os Estados Unidos estão em um extremo com viés para ações e o Japão em outro, para liquidez. Com o desempenho desapontador dos mercados, escrevem os consultores, a riqueza em ações cresceu menos no ano passado do que na história recente.

No Brasil, a maior parte da riqueza está em renda fixa. [FNC: Em outras palavras, investimento com risco soberano e sem risco da renda variável: o melhor dos mundos!]

A consultoria destacou ainda o baixo crescimento das riquezas em centros financeiros “offshore“, de somente 3% em 2015, para US$ 10 trilhões. Houve uma forte repatriação para países desenvolvidos no ano. [FNC: isto é já sintoma da maior regulação e fiscalização com a troca de informações entre os países da OCDE.]

Essa conjuntura está, segundo os pesquisadores do BCG, forçando gestores de fortunas a reavaliar suas estratégias. A consultoria encontra três tendências que estão alterando o perfil do segmento:

  1. aperto na regulação,
  2. aceleração na inovação, e
  3. novos públicos com perfis diferentes, como o maior volume de mulheres e dos chamados “millenials“, nascidos nas décadas de 80 e 90.

Essas questões já têm afetado os custos e a rentabilidade do private banking, com os bancos tentando:

  1. implementar novas medidas de compliance,
  2. melhorar os sistemas de tecnologia da informação e
  3. treinar os vendedores.

Enquanto isso, Laura Noonan e Ben McLannahan (apus Valor, 13/07/16) informam que a remuneração dos executivos-chefes dos grandes bancos mundiais aumentou 7,6% em 2015, para uma média de US$ 13,1 milhões.

Os chefes dos seis maiores bancos dos Estados Unidos se saíram particularmente bem – seu pacote salarial médio subiu mais de 10% e foi quase o dobro do recebido pelos pares europeus, de acordo com análise feita pela firma especializada em dados salariais Equilar e pelo “Financial Times“, com os 20 chefes de bancos internacionais mais bem pagos na Europa, EUA, Canadá e Austrália.

O maior ritmo de crescimento e o aumento da diferença deverão criar dificuldades políticas para a candidata presidencial americana Hillary Clinton, que já foi criticada por seus laços de proximidade com Wall Street.

Os números também reforçam a ideia defendida pela próxima primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, de que os salários fiquem sujeitos a votações obrigatórias dos acionistas.

Nos EUA, os principais executivos de J.P. Morgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup, Wells Fargo, Bank of America e Morgan Stanley ganharam em média US$ 20,7 milhões em 2015, incluindo salários, bonificações pelo desempenho no ano e contribuições previdenciárias. Jamie Dimon, do J.P. Morgan, voltou a encabeçar a lista, com um montante de US$ 27,6 milhões.

Em contraste, os CEOs de 11 bancos europeus ganharam em média US$ 10,4 milhões. O número foi impulsionado por ganhos extraordinários em ações de US$ 27 milhões, divididos pelos novos comandantes de Standard Chartered, Credit Suisse e Barclays para compensá-los pelo que deixaram de ganhar ao sair de seus empregos anteriores. [Coitados… É justo…]

A remuneração dos executivos-chefes de bancos europeus subiu em média 9,6% no ano passado. Em 2014, o pacote salarial médio havia aumentado apenas 0,5% nos 20 bancos.

Bill Smead, da Smead Capital, uma firma de Seattle com US$ 2,4 bilhões em ativos sob gestão, disse que a remuneração no setor como um todo parece ser demasiado alta, tendo em vista o baixo retorno sobre o patrimônio em termos gerais. Ele argumentou, no entanto, que alguns executivos, entre os quais Dimon, fizeram por merecer o que ganharam, ao ajudar seus bancos a ajustar-se ao cenário de taxas de juros baixíssimas e de exigências regulatórias muito mais rigorosas.

“A tarefa de comandar esses negócios nos últimos quatro ou cinco anos na terra dos executivos-chefes foi tão infernal quanto se pode imaginar”, afirma.🙂

“Quantas pessoas brilhantes de 22 anos acordam pensando ‘Quero comandar um desses grandes bancos’? A escassez cria valor”, conclui.🙂

A remuneração mais alta em Wall Street é reflexo da diferença de lucratividade no ano; embora os bancos americanos tenham sofrido com o enfraquecimento das operações de corretagem no quarto trimestre, no geral seus lucros foram melhores que os dos europeus. O pacote salarial de Dimon aumentou 36%, para US$ 27,6 milhões, e 92% dos acionistas votaram pela sua aprovação. Ele vai precisar atingir metas de desempenho de três anos para receber o pagamento integralmente.

Mike Corbat, do Citigroup, teve o segundo maior aumento. O reajuste de 31% elevou sua remuneração total para US$ 16,5 milhões, mas mais de 30% dos investidores do banco recusaram-se a aprovar o pacote na assembleia geral anual.

O comitê de remuneração do Citigroup destacou que o pacote de Corbat subiu apenas 14% em relação ao nível de 2013, já que houve redução em 2014 em decorrência das deficiências encontradas no teste de resistência do banco feito naquele ano.

Apesar do corte de 4% na remuneração em 2015, Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs, continua sendo o segundo executivo-chefe de banco mais bem pago do mundo, com um total de US$ 23,4 milhões. Apenas 66% dos acionistas avalizaram seu pacote salarial na assembleia geral anual do banco.

Dois europeus ficaram entre os cinco executivos-chefes mais bem pagos – o novo chefe do Standard Chartered, Bill Winters, com um pacote de US$ 22,4 milhões, e o novo chefe do Credit Suisse, Tidjane Thiam, que ganhou US$ 21,1 milhões. O pacote de Winters incluiu um “prêmio de compensação” de US$ 10 milhões, que recebeu em troca do que deixou de ganhar ao aceitar o cargo. Sua bonificação máxima neste ano vai ser de US$ 8,4 milhões, bem menos do que a bonificação total de 2015, de US$ 18,4 milhões.

A remuneração de Thiam incluiu cerca de US$ 15 milhões em “prêmios de compensação”um pacote que irritou alguns investidores, uma vez que o preço das ações do Credit Suisse caiu cerca de 50% nos últimos 12 meses. Thiam pediu ao Conselho de Administração para reduzir sua bonificação em 40% em consequência do cenário desafiador enfrentado pelo banco.

[FNC: e ainda há gente que duvida do Poder da Casta dos Comerciantes de Dinheiro… Enquanto isso, agrava-se cada vez mais a desigualdade social na apropriação da riqueza na economia mundial.]

Leia o seguinte estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI): 

Ele mostra que a polarização da renda aumentou dramaticamente nos Estados Unidos nas últimas décadas e teve repercussão direta no consumo.

Desde a década de 70, as famílias com renda média tiveram mais ganhos do que perdas. Já a população de renda mais baixa sofreu mais perdas no período. O resultado foi considerado surpreendente e está em contraste com outros estudos concluídos recentemente.

Os dados dos pesquisadores Ali Alichi, Kory Kantenga e Juan Solé revelam que a propensão ao consumo caiu de maneira geral após o efeito de diminuição na renda dos menos favorecidos.

De 1998 a 2013, o aumento da polarização na renda e a menor propensão ao consumo suprimiram o consumo real num nível agregado em aproximadamente 3,5% – percentual que equivale a mais de um ano de consumo!

O estudo não reflete as opiniões do FMI, mas a instituição tem chamado a atenção para o aumento da desigualdade no crescimento econômico não apenas nos EUA, mas em outras partes do mundo.

Leia maisIncome Polarization in The United States – IMF WP 16-121

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