Recuperação da Petrobras

Déficit da Petrobras

Flávia Lima (Valor, 12/07/16) avalia que o estrago causado por um conjunto de problemas que atingiram a Petrobras nos últimos anos foi grande, espalhado e seus efeitos ainda parecem longe de um desfecho. Queda vertiginosa dos preços do petróleo no mercado internacional, uso da empresa como instrumento de controle da inflação e Lava-Jato figuram entre as principais variáveis que afetam – ou afetaram – a empresa e seu entorno.

Mas notícia a favor de si, como um efeito negativo menor do recuo dos investimentos da estatal sobre o Produto Interno Bruto (PIB) ou preços de combustíveis ainda vendidos bem acima do mercado externo, além do entusiasmo de O Mercado com a nova direção nas mãos do executivo Pedro Parente podem ser os primeiros sinais de que os estragos da estatal sobre a macroeconomia tendem a ser menos desastrosos daqui para frente.

A queda dos investimentos da empresa, por exemplo, vêm tirando pontos do Produto Interno Bruto (PIB) pelo menos desde 2014. Na avaliação de especialistas, porém, esse efeito sobre a economia será menor neste ano do que em períodos anteriores. Nas contas da Tendências, a participação dos investimentos da Petrobras na formação bruta de capital fixo ficará ao redor de 7,4% em 2016. Considerando queda de 3,6% dos investimentos da Petrobras neste ano, o impacto seria de -0,1 ponto percentual no PIB, ante -0,3 ponto no ano passado.

Ninguém no mercado espera queda dos preços da gasolina de modo a ajustá-los ao cenário internacional, mas uma política de controle das cotações também não aparece mais no horizonte. Nas contas de Leonardo Costa, economista da Rosenberg Associados, uma queda de 20% dos preços da gasolina tiraria 0,8 ponto percentual da inflação medida pelo IPCA. Mas, dado o momento extremamente delicado da Petrobras, seria arriscado forçar a queda agora. No mais, é preciso lembrar que atualmente a Petrobras vem recompondo perdas passadas.

As perdas acumuladas com a venda de combustíveis subsidiados vêm se reduzindo com força. Segundo a MacroSector Consultores, essas perdas somavam, em junho de 2016, R$ 30,96 bilhões — R$ 31,66 bilhões a menos do que no mesmo mês de 2015, quando estavam em R$ 62,62 bilhões. A cada mês, o cenário favorável à Petrobras reduz esse volume de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões. Em abril de 2016, a gasolina era vendida pela Petrobras 21% mais cara se comparada aos preços externos, enquanto no diesel a diferença era de 54%. Hoje a diferença está em 20% para a gasolina e, no caso do diesel, próxima de 36%.

Outra notícia positiva para a empresa é a emissão de bônus no mercado externo. Em meados de maio de 2016, a Petrobras reabriu o mercado de emissões lá fora, ao captar US$ 6,75 bilhões. No fim da semana passada, a empresa voltou ao mercado e, diante de propostas de US$ 9 bilhões, captou mais US$ 3 bilhões a taxas mais baixas das negociadas em maio.

Para Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, a emissão reduz a necessidade de capitalização da empresa – possibilidade descartada pelo próprio Pedro Parente no início de junho. Dado que a empresa voltou a ter acesso ao mercado de capitais, mesmo que a um custo um pouco mais elevado, e mais o plano de desinvestimento, ambos podem levar o caixa da empresa para um nível elevado, reduzindo a necessidade de aportes a Petrobras.

impacto direto e indireto do investimento menor da estatal sobre o PIB deve beirar 0,8%, mas por uma combinação de fatores. Não dá para dizer que foi só queda do preço do petróleo ou Lava-Jato.

Apesar da nova direção da empresa e de tudo o que pode significar em termos de melhora de gestão — a atual diretoria manteve o mesmo diretor-financeiro, ou seja, a política financeira que já estava em andamento com o ex-presidente –, ainda é cedo para falar que a maré está virando para a estatal. A empresa ainda tem que enfrentar pesados processos com riscos elevados de perdas, especialmente nos EUA, além dos riscos relacionados ao que ainda pode surgir da Lava-Jato.

A cautela faz sentido. A perda de fôlego da estatal causou estragos em diversas áreas, como na arrecadação do governo. Só em dividendos, histórico levantado por Felipe Klein, da Tendências, aponta que, no auge, em 2010, a Petrobras repassou ao governo R$ 5,3 bilhões, o que caiu para R$ 3,5 bilhões em 2012 e para R$ 2 bilhões no ano passado. Para este ano, a expectativa é que o repasse seja zero.

Mas não foi só a esfera federal afetada. Os Estados dependentes de royalties do petróleo também vêm sofrendo bastante. A arrecadação do Rio de Janeiro com royalties e participações especiais despencou de R$ 8,8 bilhões em 2014 para R$ 5,5 bilhões em 2015. A estimativa para 2016 é que não passe R$ 3,8 bilhões. Como a maior parte dos royalties arrecadados têm o fundo de pensão dos servidores, o Rioprevidência, como destino, o Tesouro, já com problemas, teria que elevar repasses para pagamento da folha de salários de ativos, inativos e pensionistas, segundo a Secretaria de Fazenda do Estado.

No caso do Espírito Santo, outro Estado bastante afetado, a arrecadação que já vinha caindo de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão de 2014 para 2015, deve encerrar em R$ 937 milhões em 2016.

Mesmo a reversão das perdas obtidas com a política de controle de preços para não mexer com a inflação corre algum risco. A margem na gasolina pode virar Cide, dado o tamanho do déficit fiscal: há a possibilidade de um retorno da contribuição sobre combustíveis, sinalizada pela nova equipe econômica.

Hoje, a gasolina é vendida na refinaria 20% mais cara, o que corresponde a um excedente para capitalizar a empresa: os brasileiros pagando mais em favor da Petrobras — e seus acionistas que recebem dividendos. Entre refinaria e distribuidora, a Cide está zerada. O governo poderia instituir a Cide com um valor de, por exemplo, R$ 0,05 ou R$ 0,10 por litro, de forma a baixar os preços de realização e morder a rentabilidade da Petrobras, o que atrapalharia a recuperação das perdas. Ou poderia instituir a Cide e fazer com que a cadeia de distribuição arcasse com o valor.

No cenário-base, a Petrobras deve continuar recuperando perdas, mas os ganhos mensais serão menores que os do passado recente em razão da tendência atual de elevação do preço do petróleo e de seus derivados. O barril tipo Brent deve atingir US$ 55 no fim de 2017, um bom horizonte de preço para explorar o pré-sal. Estão melhorando bastante as condições de financiamento da empresa.

A perda acumulada pela Petrobras no período em que vendeu gasolina e óleo diesel abaixo dos preços internacionais no mercado doméstico seguiu diminuindo nos últimos meses e já está em menos da metade do que era no seu pior momento, no fim de 2014, mas os ganhos mensais da estatal perderam força com a recuperação do barril do petróleo.

Estimado em cerca de R$ 30 bilhões, a expectativa é que esse déficit demore mais de um ano para ser zerado, prazo um pouco mais longo do que o esperado anteriormente, uma vez que a vantagem da estatal sobre os preços externos tende a ficar um pouco menor. Isso porque até junho, os preços do barril vinham mais altos (ver gráfico acima), movimento que mudou em julho, mas não entra ainda nas contas dos analistas.

Nos cálculos da Macrosector, as perdas da empresa com a política de preços mais baixos do que os externos, em vigor de 2011 até 2014 — a Petrobras em favor dos brasileiros –, devem ter chegado a R$ 30,96 bilhões em junho – R$ 31,66 bilhões a menos do que em igual menos de 2015, quando estavam em R$ 62,62 bilhões. O dado do mês passado é o menor desde agosto de 2012 (R$ 29,64 bilhões). O pico da série foi alcançado em outubro de 2014, mês em que esse rombo chegou a R$ 76,52 bilhões.

O cenário é ainda favorável para a Petrobras, que, no ritmo atual, deve zerar o saldo negativo em cerca de 14 meses, mas a alta internacional do petróleo impõe um ritmo um pouco mais lento a essa trajetória. Os ganhos mensais da estatal com as vendas de combustíveis, que já chegaram a superar R$ 4 bilhões em janeiro deste ano, caíram para patamar mais próximo a R$ 2 bilhões nos dois últimos meses, observa.

No início de 2016, o barril do petróleo oscilava entre US$ 30 e US$ 35. Hoje, está ao redor de US$ 50, e a tendência é que aumente para US$ 55 até o fim do ano. A recente valorização do real, que atua a favor da queda do déficit da estatal, foi compensada pelo aumento dos preços internacionais. Devido à continuidade da política monetária expansionista nos EUA, que eleva os preços das matérias- primas ao aumentar a liquidez nos mercados, o barril tem espaço para subir um pouco mais.

O Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE) estima que as perdas acumuladas pela estatal, devido à venda de combustíveis com preços menores do que os internacionais são de R$ 32,8 bilhões, sendo que a gasolina responde por R$ 14,2 bilhões do déficit, e o diesel, por R$ 18,6 bilhões. O saldo negativo – que compreende o período de janeiro de 2011 até maio de 2016 – se manteve mesmo com o ganho de R$ 25,5 bilhões para a Petrobras entre novembro de 2014 e maio deste ano.

O déficit da estatal seria recuperado mais rapidamente com o barril de petróleo abaixo de US$ 40. Tendo em vista o sério problema de caixa da estatal, o correto seria que a empresa adotasse uma fórmula de cálculo que desse mais transparência à política de preços de combustíveis. Mas isso ainda não foi sinalizado até agora pelo governo golpista. A Petrobras precisaria ganhar um prêmio e, quando esse déficit fosse zerado, a política de preços seguiria o mercado internacional.

Preços de commodities em recuperação

 

Renato Rostás e Victória Mandona (Valor, 01/07/16) informam que, embora conte com um total de R$ 450 bilhões em compromissos – o maior endividamento de uma companhia de capital aberto não financeira no mundo -, a dívida da Petrobras é considerada “manejável” por analistas. Mesmo assim, ponderam, a brasileira enfrenta grandes obstáculos para melhorar sua saúde financeira.

Dentre as estatais do setor na América Latina, a empresa nem é avaliada como o pior perfil de crédito. A venezuelana PDVSA é que ocupa o posto, com previsão de “default” nos próximos 12 meses. As agências de classificação de risco Moody’s e S&P Global Ratings, ex-Standard & Poor’s, e a casa de análise de dívida Gimme Credit apontam a execução do plano de venda de ativos como um dos principais desafios da Petrobras, dado o cenário econômico do país.

A avaliação da vice-presidente sênior da Moody’s, Nymia Almeida, é que, embora tenha uma dívida grande em montantes absolutos, “as métricas de crédito não são tão horrorosas”. Para efeito de comparação, a alavancagem da Petrobras (dívida líquida sobre Ebitda), terminou março em 5 vezes, enquanto Pemex beirava 3,5 vezes e Ecopetrol, 2,5 vezes.

No caso da PDVSA, é difícil mensurar, mas, para se ter uma ideia, a S&P disse no início do ano que a rebaixaria para “D”, o que significa calote, mesmo que não houvesse “default”, se a rolagem fosse pesada demais em suas métricas.

O grande problema da Petrobras é que o perfil de pagamento da dívida está muito forte nos próximos anos. A empresa conta com R$ 46,88 bilhões em compromissos que vencem ainda neste ano, conforme as demonstrações de 31 de março de 2016. Para 2017, são outros R$ 47,88 bilhões, com mais R$ 53,44 bilhões em 2018. É a empresa com maior necessidade de capital de todas, com o agravante de que o controlador está debilitado.

A S&P destaca mudanças positivas desde a gestão de Aldemir Bendine, que assumiu o comando no ano passado, mas foi substituído por Pedro Parente. Vê que a companhia está mais focada em rentabilidade, no lugar de apenas elevar a produção.

Ela destaca que qualquer desalavancagem da Petrobras vai depender da sua capacidade de realizar o plano de desinvestimento anunciado. Nenhuma das agências, porém, considera o sucesso do plano em seu cenário-base.

Além de ser bem-sucedida em se desfazer de ativos, a Petrobras precisa tomar medidas como:

  1. reduzir ainda mais os investimentos,
  2. conseguir uma injeção de capital e
  3. alongar sua dívida

Outras latino-americanas com o mesmo perfil estão em situação semelhante. A previsão da Moody’s é que todas continuem com um perfil de crédito fraco ao menos até 2017. Um dos fatores que levou o setor a apresentar dificuldades foi a queda significativa dos preços do petróleo desde o fim de 2014.

A recuperação da cotação do petróleo, após atingir US$ 30 por barril na mínima do ano, em janeiro, não é vista como suficiente para se investir. As agências de risco não acreditam em aumento substancial na produção a esses níveis. A S&P vê o Brent e o WTI – tipo negociado nos Estados Unidos – com média de US$ 40 em 2016 e US$ 45 em 2017. Já a Moody’s espera um nível entre US$ 40 e US$ 60, mas com a instabilidade sendo regra.

Para a Pemex, do México, uma ajuda do governo é mais provável, não só porque a companhia é totalmente controlada pelo Estado, mas também porque as contas públicas mexicanas estão mais saudáveis do que no Brasil.

Dentre as latino-americanas, a S&P elege a mexicana como a companhia com maior probabilidade de auxílio estatal em caso de necessidade. Em uma escala de 1 a 5, a Petrobras aparece em terceiro lugar – não só porque é de capital misto, mas também pelo risco menor de contágio na economia e pela crise fiscal. Na análise da Moody’s, a Pemex é a única da região classificada com alto risco de contágio e grande chance de suporte. A Petrobras aparece com nível moderado em ambos os casos.

O caso mais delicado, no entanto, é o da PDVSA. De acordo com a diretora da S&P sediada no México, Fabíola Ortiz, a classificação da empresa quanto à probabilidade de obter ajuda do governo era a mesma da Pemex, mas isso mudou devido à situação atual – o próprio país corre risco de calote. “O governo muito dificilmente estará em posição de poder dar apoio extraordinário à PDVSA”, diz.

No caso da Petrobras, dois fatores são importantes operacionalmente:

  1. o câmbio e
  2. a política de preços para os combustíveis.

S&P e Moody’s elogiam a decisão da nova diretoria de adotar uma postura “empresarial”, mas alertam para a baixa demanda no país em decorrência da recessão.

No curto prazo, a exposição a preços de petróleo não é tão material para a Petrobras. Há a manutenção dos preços de combustíveis acima dos internacionais como sinal de maior flexibilidade, mas a empresa ainda está exposta a várias incertezas.

A instabilidade do câmbio é difícil para a estatal. A promessa de uma política empresarial é positiva, mas precisa ser bem elaborada. Não adianta subir preço e perder mercado, com a demanda fraca como está agora.

O cenário é apenas marginalmente melhor para a Petrobras em 2016, principalmente por conta das maiores vendas de gasolina e diesel. A perspectiva para a economia brasileira segue de queda no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, e há pouca chance de retomada forte das vendas.

O problema é que a recuperação do petróleo não garante caixa. A Moody’s, por exemplo, prevê fluxo de caixa negativo para a Petrobras ao menos até o fim de 2017. Os custos ainda são altos demais ante outras pelo investimento no pré-sal. As estatais da América Latina estão abaixo do “breakeven”, ou seja, estão perdendo dinheiro.

As petroleiras, portanto, têm necessidade de se financiar. Face à ruína europeia, poderá haver boa recepção do mercado de crédito, tese corroborada por emissões recentes de YPF e Ecopetrol, além da própria Petrobras. A última emissão de bônus mostra que a Petrobras ainda tem bom acesso ao mercado internacional. Mas há um pouco de auto-engano, já que o governo descarta uma capitalização.

A crise do petróleo, que derruba os preços desde o fim de 2014, afeta principalmente as nações do Oriente Médio e da África, segundo analistas de crédito, mas a Venezuela é frequentemente citada como um caso de séria deterioração das contas públicas por sua dependência da commodity.

Dentro da América Latina, o governo da Venezuela é o que mais depende de receitas do petróleo. Dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mostram que quase 95% do superávit comercial do país vem da commodity. A venda ao exterior responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB).

No resto do mundo, a Rússia é outro país que está muito mal por conta da desvalorização, mas o problema é que na Venezuela o caso é mais complicado, envolve questões sociais e políticas.

Com praticamente um quarto do PIB gerado pelo petróleo, a Venezuela ainda é considerada o pior caso do mundo. A PDVSA, estatal local, sofreu com má gestão por tanto tempo que o governo atual é incapaz de conter a derrocada econômica.

Além do país latino-americano, há outros que encontram-se com suas contas públicas mais deterioradas, apesar da menor importância do petróleo no PIB. Colômbia, Equador, Indonésia, Índia, México e até Brasil são vistos como casos preocupantes, mesmo que em diferentes níveis. Ao mesmo tempo, a China pode aproveitar o ambiente mais deprimido para adquirir ativos do setor mais barato do que o normal ao redor do mundo.

Desde o início do ano, sete países já tiveram seus ratings soberanos rebaixados pela S&P Global Ratings por conta da crise do petróleo. Tratam-se principalmente de nações oriundas de Oriente Médio e África – dentre elas Arábia Saudita, Omã e Angola, por exemplo. Em relatório divulgado em março de 2016, a agência estimava que tenha havido queda substancial na contribuição do hidrocarboneto para o PIB, para exportações e receitas fiscais.

Nesse contexto, o Kuwait aparece como o país com maior relação de dependência do PIB em relação aos negócios do setor, com representação de 65%. Abu Dhabi tem 55% e Arábia Saudita, 40%. No quesito exportações, Angola e Nigéria têm, cada um, mais de 90% vinculados ao setor. Arábia Saudita tem perto de 80% das suas vendas no mercado externo provenientes do setor.

A Moody’s, por sua vez, cortou a nota de crédito de dez países devido aos preços menores e deixou mais seis nações em perspectiva negativa. Para a instituição, mesmo que os preços se recuperem, como observado desde janeiro de 2016, as receitas governamentais ao menos até 2018 serão significativamente menores do que se viu no passado, quando a commodity era cotada no mercado internacional acima de US$ 100.

Rodrigo Polito, André Ramalho e Camila Maia (Valor, 12/07/16) informam que, depois de um início de ano fraco, devido a uma série de paradas para manutenção em suas principais plataformas, a Petrobras iniciou uma trajetória de recuperação de sua produção nos últimos meses.

Sustentada pelo pré-sal, a produção nacional de petróleo da estatal cresceu pelo terceiro mês seguido, em junho de 2016, e fechou o segundo trimestre com alta de 7,7%, ante os três primeiros meses do ano. Com o resultado, a petroleira caminha em direção à meta de atingir 2,145 milhões de barris ao dia em 2016.

Em junho, a produção de óleo da estatal cresceu 2%, ante maio, e atingiu os 2,204 milhões de barris diáriosa terceira melhorar marca histórica da companhia, atrás apenas de agosto de 2015 e dezembro de 2014. Esses números são expressivos, mas necessários para o cumprimento da meta de produção para o ano.

No ano, a estatal acumula volume médio de 2,056 milhões de barris diários, o que coloca para a Petrobras o desafio de produzir, neste semestre, uma média mensal de 2,235 milhões de barris ao dia se quiser alcançar a meta para 2016. O cumprimento do ‘guidance‘ é uma coisa muito cara valiosa à empresa, que em 2015 atingiu a meta pela primeira vez em 13 anos.

A companhia aposta no crescimento da produção das plataformas mais novas do pré-sal e na entrada em operação das próximas embarcações para atingir os 2,145 milhões de barris por dia previstos para o ano. A expectativa da companhia é conectar 11 novos poços produtores no segundo semestre e iniciar as operações de dois novos FPSOs (plataformas flutuantes) na Bacia de Santos: Cidade de Saquarema (em Lula) e Cidade de Caraguatatuba (em Lapa).

Em curtíssimo prazo, a Petrobras conta com a antecipação do início de produção da plataforma Cidade de Saquarema. A unidade, cujo primeiro óleo poderá ser extraído a qualquer hora, tem capacidade para produzir 150 mil barris diários.

A Petrobras deve antecipar esse primeiro óleo em relação ao planejado. E com isso conseguirá ter fatos novos em relação ao que realizou no primeiro semestre. Hoje, neste exato momento, a plataforma está em processo de primeiro óleo. Ele deve acontecer a qualquer hora.

Inicialmente, a estatal estimava o início das operações do navio para o terceiro trimestre, sem especificar o mês em que a unidade entraria em produção. A estatal “trabalha duro” para antecipar também a entrada em operação das próximas embarcações. Está trabalhando para antecipar aquela produção. Os navios que estão previstos para entrar em 2017, com um viés bastante positivo.

Questionada se a estatal mantém a meta de iniciar as operações de seis plataformas em 2017, conforme previsto no plano 2015-2019, ela respondeu que o novo plano de negócios da empresa ainda está em fase de elaboração. Há a necessidade de se trabalhar com “zelo” nas projeções.

nível da produção da estatal, no longo prazo, dependerá da nova previsão de investimentos da companhia para exploração e produção.

A projeção atual da companhia é investir US$ 80 bilhões na área entre 2015 e 2019 – contra os US$ 108,6 bilhões previstos inicialmente. Não se pode perder de vista que o crescimento da produção da companhia no pré-sal reflete o legado dos investimentos realizados há muitos anos, antes do corte de 60% realizado entre 2013 e 2016. O crescimento anual da produção da Petrobras até 2020 será de até 3%, abaixo da meta atual de 5%.

One thought on “Recuperação da Petrobras

  1.    Segunda feira quero ir a uma palestra no Fundão: O Futuro do Pré-Sal. Bjs. 

    Gloria Moraes

    DSc. Engenharia de Produção

    Professora de Economia da Universidade Mackenzie – Rio

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