Bode-Expiatório Pelos Efeitos da Crise Mundial: A Dilma!

FBCF e Consumo no SCN 1 T 2016Bem-Estar PerdidoQueda da IndústriaConfiançaProjeções para SCN brasileiroMercado de Trabalho 1 T 2016

As narrativas de jornalistas neoliberais, embora sempre louvem o livre-mercado — ou se torne um “jornalismo chapa-branca” quando gente de O Mercado assume o Ministério da Fazenda (um ex-banqueiro) e o Banco Central (outro ex-banqueiro) –, busca um bode-expiatório individual para os efeitos no Brasil de uma crise sistêmica mundial!

É como, em um jogo coletivo como o futebol, o craque fosse o responsável único pelas vitórias ou derrotas… Tal como no final da Eurocopa deste ano, quando praticamente não jogando a partida final, segundo a narrativa jornalística em defesa do individualismo, Cristiano Ronaldo foi o responsável pela vitória portuguesa!

Em visão assimétrica com viés de auto validação, se a economia vai bem, a responsabilidade é de O Mercado. Se não vai bem, dizem que nenhuma responsabilidade têm as livres forças de O Mercado, mas sim tem O Governo! Nunca se trata de falta de iniciativas particulares… 

Quando um editor-executivo do PIG (Partido da Imprensa Golpista) escreve sua coluna, a condenação da Presidenta golpeada se exacerba! Chega ao paroxismo condená-la até pelos efeitos da crise mundial na economia brasileira!

Cristiano Romero (Valor, 01/06/16) afirma que “uma das consequências mais nefastas da tragédia vivida pelo Brasil nos últimos anos [?!] foi a redução drástica de sua capacidade de crescer. Na era Dilma Rousseff (2011-2016), o crescimento potencial caiu de 4% para algo em torno de 1% ao ano. Registre-se: o país só voltará a crescer 1% depois de encontrar uma solução para o gigantesco problema fiscal criado pelos últimos dois governos.

[FNC: alô, alô, crise mundial pós-2008, você nunca existiu!]

No biênio 2015-2016 [FNC: após Joaquim Levy, representante incensado de O Mercado, implementar o plano neoliberal oposicionista derrotado pela maioria dos votos em 2014], o Produto Interno Bruto (PIB) deve encolher quase 8% — 3,8% em cada ano –, com queda de 10% da renda per capita no período.

O que explica a forte queda do PIB potencial é o recuo dos investimentos tanto do setor privado quanto do público, especialmente do privado, o mais relevante. A participação dos investimentos – Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede a compra de máquinas e equipamentos e os gastos com construção civil, e a variação de estoques – na expansão do PIB vem caindo desde 2011, quando Dilma assumiu o poder.

[FNC: alô, alô, explosão da bolha de commodities em setembro de 2011, você não existiu!]

A contribuição anual média dos investimentos para o PIB foi de 0,4 ponto percentual entre 1997 e 2015, período que já contempla a última revisão das contas nacionais trimestrais empreendida pelo IBGE. De 1997 a 2010, a média anual foi de 0,7 ponto percentual.

No reinado de Dilma [FNC: alô, alô, súditos, estivemos em uma Monarquia e não sabíamos!], foi negativa em 0,6 ponto percentual ao ano. Em 2010, último ano de crescimento vigoroso da economia brasileira (7,5%), a contribuição dos investimentos para o PIB foi de 5,4 pontos percentuais; em 2015, foi de -3,8 pontos percentuais.

Esse é um excelente indicador para avaliar o efeito das políticas de um governo sobre o humor dos empresários. Com uma política econômica razoavelmente pragmática, herdada em grande medida de seu antecessor [FNC: lógico, os petistas não podem ter inteligência e capacidade de articulação estratégica como os tucanos, segundo a narrativa maniqueísta do jornalista], Luiz Inácio Lula da Silva fez o setor privado acreditar que valia a pena investir em aumento de capacidade. Com sua Nova Matriz Econômica, Dilma rompeu com a confiança e acabou com a previsibilidade. Os empresários se retraíram.

[FNC: falta rigor de análise no maniqueísmo panfletário, afinal, por que ele não tem a coragem de afirmar que foi errado abaixar os maiores juros reais encontrados na economia mundial?!]

Na base da desconfiança, está a devastadora deterioração das contas públicas protagonizada pela gestão Dilma como política de governo — seus economistas de fato acreditavam que a geração de superávits primários era um expediente para enriquecer rentistas e não para impedir a escalada da dívida pública.

[FNC: qual é a fonte? Quem acreditava nesse sofisma? Por definição, a geração do superávit primário sempre foi para pagar a elevação dos encargos financeiros da dívida pública, provocada pela alta desenfreada do juro básico. Essa política é pautada às vésperas de reuniões do COPOM-BCB por gente de O Mercado através de púlpitos oferecidos pela “grande” imprensa econômica brasileira. Mas essa responsabilidade o editor-executivo não assume. Condena sim a ameaça à suposta independência do Banco Central que beneficia, sistematicamente, a renda do capital financeiro em desfavor da renda do trabalho.]

“Parte importante da contração recente dos investimentos está associada à dinâmica das contas fiscais nos últimos anos. O aumento da incerteza sobre a sustentabilidade da dívida pública contribuiu muito para a depreciação cambial dos últimos anos”, explica Nilson Teixeira, economista-chefe do banco Credit Suisse.

Num pequeno estudo que acaba de sair do forno, Nilson e sua equipe mostram as principais consequências desse processo sobre as empresas não financeiras. São elas:

1. o forte crescimento da dívida externa e da despesa com serviço (juros) dessa dívida. “O serviço da dívida como percentual do PIB do setor privado não financeiro cresceu bastante, tanto para padrões internacionais quanto na comparação histórica”, diz o estudo. A elevação da alavancagem (relação entre dívida e geração de caixa) do setor corporativo privado não financeiro desestimulou os investimentos nesse segmento, que concentra a maior parte do investimento total [FNC: o carry-trade para pegar dinheiro barato lá fora e especular com o cupom cambial propiciado pela disparidade do juro alto aqui dentro é culpa da NMM (Nova Matriz Macroeconômica) ou da VMN (Velha Matriz Neoliberal)?!];

2. a expressiva desaceleração do crédito bancário e o aumento dos spreads sobre os juros em um contexto de aumento da aversão ao risco do setor bancário brasileiro [FNC: NMM?!];

3. a elevação dos preços dos investimentos, em decorrência do alto percentual de importados (cerca de 40%) no investimento em máquinas e equipamentos [FNC: NMM?!].

“A contração dos investimentos também tem impacto sobre a expansão do PIB no longo prazo, ao diminuir o crescimento potencial da economia. Países capazes de manter uma alta taxa de investimento por período prolongado também experimentaram maior e mais sustentada expansão do PIB”, observa Nilson.

Apesar da calamidade dos anos Dilmaa catástrofe poderia ter sido evitada se a presidente afastada não tivesse mexido no que já estava razoavelmente arrumado — [FNC: para o editor-executivo, variações de conjunturas econômicas não existem; faça sol, faça chuva, o fracassado tripé macroeconômico do Governo FHC II tem de ser mantido eternamente!], o Brasil vem investindo pouco há décadas.

De 1970 a 1979, período que compreende parte do “milagre econômico” e os efeitos do primeiro choque do petróleo, a taxa de investimento saltou de 18,8% para 24,4% do PIB em 1975, recuando em 1979 para 23% do PIB.

De 1980 a 1989, anos do segundo choque do petróleo, crise da dívida e aceleração da inflação, vai a 26,9% em 1989, a maior taxa entre 1970 e 2015.

De 1990 a 2015, da hiperinflação ao Plano Real, passando pelo reordenamento mínimo das contas públicas, os investimentos caem, no último ano da série, para 18,2% do PIB.

Quando se observa a participação do setor público no investimento total, o que se constata é que ela é relativamente baixa, quando comparada à de outros países.

[FNC: lógico, as instituições econômicas brasileiras são, nos termos de Acemoglu e Robinson, extrativistas e exclusivas, isto é, extraem renda da maioria para deleite de uma minoria, então, sobra pouco (depois de obter a meta de superávit primário para pagar os juros) para O Governo investir — e O Mercado não investe por conta própria! Sobra então para as empresas estatais, especialmente a Petrobras, puxar o investimento.]

E vem caindo. Recuou de 3,7% do PIB em 1970 para 3% em 2013. No período em que o governo Lula, sob a influência de Dilma [?!], lançou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para aumentar os investimentos públicos, a participação não se alterou: foi de 3,1% do PIB ao ano.

[FNC: ele contabiliza só o investimento público no OGU e não o das empresas estatais.]

Num estudo realizado pelo Fundo Monetário Internacional considerando 114 países, o Brasil perde em todas as categorias no quesito investimento.

[FNC: por que, hein? Não tem nada a ver com a maior taxa de juro real do mundo?!]

Tomando-se o período 2006-2015, o estoque de investimento anual médio do Brasil foi de 19,5% do PIB, abaixo da média geral (23,4% do PIB), dos emergentes (25,2% do PIB), das economias avançadas (21,6% do PIB) e da América Latina (21,9%). Em 2015, o estoque no Brasil caiu para 18,2% do PIB e em 2016, estima Nilson Teixeira, recuará para 16,4% do PIB. Um vexame!

[FNC: vexame é a defesa do eterno juro extraordinário para enriquecimento da casta brasileira dos comerciantes-de-dinheiro!]

Nilson e sua equipe calcularam a correlação média entre taxa de investimento e crescimento do PIB das economias avaliadas pelo FMI, no período mencionado, e concluíram que, para uma expansão de 4% do PIB está associado um investimento de 28% do PIB, número que supera em dez pontos percentuais o nível alcançado pelo Brasil no ano passado.

É no mínimo curioso que, entre 2008 e 2015, o Tesouro tenha transferido ao BNDES, por meio de empréstimos subsidiados, o equivalente a 10% do PIB e, no mesmo período, a taxa de investimento da economia tenha caído de 19% para 18,2% do PIB. Onde foi parar aquele dinheiro?

[FNC: talvez valha a pena ele estimar qual seria a taxa de desemprego no Brasil entre 2009-2014 caso não houvesse a atuação anticíclica dos bancos públicos…]

“O crescimento potencial do país diminuiu significativamente nos últimos anos. A elevação da incerteza reduziu os investimentos [FNC: só?! Não houve a recomposição patrimonial face à perda de capital com marcação-a-mercado e à desalavancagem financeira do carry-trade?] e diversas medidas (por exemplo, conteúdo nacional, direcionamento de crédito) diminuíram a eficiência da economia. Enquanto estimavam crescimento potencial superior a 4% no fim da década passada, os modelos tradicionais de função de produção sugerem, agora, um crescimento mais próximo a 1,0%”, adverte Nilson Teixeira.”

Assim falou o prócer de O Mercado

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