Paraíso Tropical: “O Melhor do Mundo” é Renda Fixa no Brasil

Renda Fixa de Países EmergentesRentabilidade Anual com Cupom Cambial

“Aqui, nessa terra, em se plantando, tudo dá”

(Pero Vaz de Caminha)

Em Terrae Brasilis, acumula-se uma grana, seja por meios lícitos (herdando ou trabalhando), seja por meios ilícitos (corrompendo ou roubando), aplica-se em risco soberano, deita-se na rede (ou na cadeia), fica “de chinelinho no come-e-dorme”, e aguarda-se os juros compostos fazerem o trabalho duro, dia-e-noite, para sua capitalização e enriquecimento sem fazer mais força.

Por exemplo, se o “infeliz” possui um milhão de reais aplicado em 100% do CDI, receberá mensalmente de renda pós-fixada desse capital financeiro um valor que o coloca já na classe B (renda familiar de R$ 11.600,00). Dá mais um tempo que, com toda a tranquilidade permitida por uma alienação política do que aqui se passa, ao longo dos anos esse montante subirá desenfreadamente!

A cada milhãozinho a mais, subirá na hierarquia da riqueza financeira, até atingir a média per capita de R$ 6.721.055,00 dos 110.000 clientes de Private Banking. Aí, merecerá cerca de R$ 74.000 a cada novo mês. Ai, que preguiça… O que fazer com tanto dinheiro — gastar R$ 888.000,00 no ano em consumo de luxo?!

Ora, quem quer renda variável, associando-se com as grandes corporações estrangeiras e submetendo-se às oscilações especulativas da bolsa de NY? Risco em mercado financeiro é o desconhecimento do rendimento esperado. Aqui, não! Desconhece-se o que é risco! Capitalismo sem risco não é o melhor do mundo?

José de Castro e Eduardo Campos (Valor, 26/07/16) informam que, “após um 2015 de expressivas perdas contábeis, a renda fixa brasileira honra neste ano o título do Brasil de país com maior taxa de juros entre as principais economias”. A busca global por retornos, com juros perto ou abaixo de zero no mundo desenvolvido, e um cenário de um governo golpista e impopular para o Brasil são as principais justificativas para as recomendações positivas para a dívida local soberana brasileira.

O investidor estrangeiro que, hipoteticamente, entrou no Brasil no fim do ano passado, comprou Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) com vencimento em 2025 e decidiu se desfazer desse papel no mercado secundário no dia 22 de julho de 2016, ao sair do país fechou essa posição com lucro, em dólar, de 52,44% no primeiro semestre de 2016!

Esse cálculo é feito com base em números do J.P. Morgan e considera o ganho com a valorização cambial no período. Em 2015, um investimento nesse mesmo papel gerou prejuízo contábil de 45,16%.

Com isso, o Brasil de longe lidera os retornos nesse tipo de aplicação por esse parâmetro. Em uma lista com 16 mercados emergentes, o papel equivalente da Rússia vem em segundo lugar, com resultado de 20,80% – menos da metade do brasileiro!

Da lista, apenas Turquia, envolta em crise política, México – cuja moeda registra a maior queda entre as principais divisas emergentes neste ano – e República Tcheca registram perdas em investimentos em renda fixa local.

De forma geral, os emergentes voltaram a chamar atenção dos investidores. Dados da EPFR Global, que acompanha 65 mil fundos com US$ 24,5 trilhões em ativos, mostraram que, na terceira semana de julho, fundos emergentes tiveram o segundo maior ingresso líquido já registrado.

No Brasil, o desempenho tem sido acelerado pela combinação entre queda dos prêmios de risco e forte valorização cambial. A taxa do contrato DI (Depósito Interfinanceiro) com prazo em janeiro de 2025 caiu de 16,58% no encerramento do ano de 2015 para 12,18% no final de julho de 2016. O real se valorizou no mesmo período, em termos nominais, 21% em relação ao dólar americano.

Para os próximos meses, os especuladores acreditam que ainda há potencial na renda fixa, com possibilidade de retornos adicionais por causa principalmente da expectativa de cortes mais profundos dos juros. Isto no caso da parte prefixada, seja em LTNs, seja em NTN-Bs.

O Morgan Stanley, por exemplo, considera a renda fixa local brasileira como “top pick” entre os mercados emergentes. A instituição americana espera que o Banco Central (BC) corte a taxa básica Selic em um acumulado de 4,25 pontos percentuais “em meio ao baixo crescimento econômico e arrefecimento das expectativas de inflação” e diz que essa projeção não está “totalmente precificada” por O Mercado. O Mercado pauta o Banco Central do Brasil!

“Conforme a crise política começa a se dissipar, uma combinação entre câmbio mais forte e mais clareza sobre escolhas políticas deve levar a uma menor inflação e abrir espaço para cortes [da Selic] ainda mais profundos”, dizem estrategistas do banco.

Os especuladores internacionais dizem que isso depende sobretudo de evolução positiva do ajuste fiscal, isto é, a solvência do Estado brasileiro, ou seja, a capacidade de pagamento dos juros pelo Tesouro Nacional. “A aprovação da PEC do teto de gastos é elemento fundamental. Sem isso, não tem corte de juros. O BC não vai esperar a implementação efetiva, mas aguarda um sinal claro de que essa medida será aprovada pelo Congresso.”

J.P. Morgan e Goldman Sachs estimam cortes em linha com o projetado na curva de juros, o que sugere que a fatia maior de ganhos para os papéis locais pode ter ficado para trás. O câmbio — outra variável crucial para os retornos dos investimentos em papéis locais — gera menos preocupações e de forma geral os especuladores não veem depreciação forte do real à frente. O país dos golpes de Estado, “republiqueta de bananas”, não é o melhor do mundo?!

Comparação de Rendimentos RF X RV

Marcelo d’Agosto é economista especializado em administração de investimentos com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro. Publicou artigo (Valor, 27/07/16) informando que “uma competição acirrada vem sendo travada pelo posto de investimento mais rentável do ano no mercado brasileiro.

Tanto as ações negociadas em bolsa quanto os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional indexados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com vencimento no longo prazo acumulam ganhos expressivos até julho de 2016. Por enquanto, a vantagem é da bolsa, mas a situação pode mudar.

O gráfico acima compara o rendimento acumulado do Ibovespa e do indicador IMAB5+.

  • O Ibovespa reflete o comportamento das ações mais negociadas na BM&FBovespa.
  • Já o IMAB5+ mede o desempenho de uma carteira composta por Notas do Tesouro Nacional da série B (NTNB) com data de vencimento maior que cinco anos.

No Tesouro Direto, o sistema de negociação de títulos públicos via internet administrado pelo Tesouro Nacional, os papéis são chamados de Tesouro IPCA+.

Depois de acumular queda de mais de 6% em janeiro, o Ibovespa mostrou recuperação expressiva. Nos meses seguintes, com exceção de maio, o indicador teve ganhos sempre superiores a 5%. Até o dia 20 de julho o rendimento acumulado marca 30,51%.

Maio também foi ruim para o IMAB5+, que teve variação negativa. Entretanto, nos demais meses a rentabilidade foi sempre positiva. No total, o ganho acumulado no ano está em 24,07%.

Para efeitos de comparação, a variação do Certificado de Depósitos Interfinanceiros (CDI), o principal parâmetro de referência para a rentabilidade das operações de renda fixa, ficou em pouco mais de 1% ao mês no mesmo período. O ganho acumulado no ano é de 6,7%. [FNC: isto em LFT sem “perder sono” por causa das oscilações do MtM (Market-to-Market, “marcação-a-mercado”) do NTN-B.]

O gráfico acima mostra ainda que o rendimento do IMAB5+ tem oscilado menos do que a rentabilidade do Ibovespa.

Para o futuro, dois fatores apontam para o aumento dos lucros das companhias brasileiras e a consequente valorização adicional das ações negociadas no Ibovespa.

Sob a perspectiva externa, a recuperação recente do preço das commodities sinaliza maior dinamismo da economia mundial. Esse fato é positivo para as empresas operando no Brasil devido à possibilidade de aumento das transações internacionais.

Pelo lado interno, existe a percepção de que a crise brasileira caminhe para uma solução. Isso eventualmente melhoraria o ambiente de negócios no país.

O ganho das NTN-Bs, por sua vez, decorre da expectativa de redução da atual diferença entre as taxas de juros e inflação. O raciocínio é que a severa recessão dos últimos dois anos combinada com o esforço para reequilibrar as contas públicas levará, forçadamente, a um ajuste na economia brasileira.

Atualmente, o ambiente mundial é de juros baixos e inflação controlada. Com um mínimo de organização interna seria possível criar as condições para uma redução significativa da diferença entre a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, e a variação do IPCA, que foi de 8,84% nos últimos 12 meses.

Em termos de fundamentos para a avaliação do preço dos ativos, as ações das companhias, de uma forma geral, são cotadas com base em um multiplicador sobre o lucro ou as receitas. Quanto menor a taxa de juros, maior o multiplicador. E quanto maior o lucro ou a receita, maior o preço da ação.

Consequentemente, um cenário de aumento dos lucros e redução dos juros é positivo para o investimento em ações.

a cotação dos títulos de renda fixa de longo prazo reflete o desconto a valor presente do fluxo futuro dos pagamentos previstos.

Para exemplificar, considere a NTNB com vencimento em 2050 e pagamento semestral de juros de 6% ao ano sobre o valor nominal, conforme estabelecido pelo Tesouro Nacional.

  • Quando o título é cotado a 6% ao ano, o valor de mercado é igual ao valor nominal.
  • Mas se o rendimento de mercado cai para 5,9% ao ano, o valor de mercado do papel aumenta em 1,4%.
  • Significa que para cada 0,1 ponto percentual de queda do rendimento do título, o valor de mercado aumenta 1,4 ponto percentual.

Essa alavancagem torna a aposta nos títulos de longo prazo altamente volátil, porque pequenas mudanças no rendimento multiplicam o valor de mercado do papel.

Em contrapartida, essa característica aproxima o comportamento dos títulos de renda fixa de longo prazo à trajetória do rendimento das ações. E justifica a comparação direta das duas modalidades de investimento.

Objetivamente, a aposta na NTNB leva vantagem em um cenário mais simples, de queda dos juros reais (acima da inflação). Para que a bolsa continue subindo, é preciso ainda que as perspectivas de lucros das empresas aumentem.”

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