Concentração da Riqueza Financeira em Dezembro de 2015

Distribuição por Produto Bancário dez 2015 DV - DP - Total dos Produtos Bancários dez 2015

DV - DP - LCA dez 2015CDB e LCI dez 2015Total de Créditos do FGC dez 2015

Censo Semestral de Dezembro de 2015 – Créditos Garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

1.1 – Depósitos a Prazo.

Verifica-se que o montante de depósitos a prazo era, em dezembro de 2015, de R$ 548,0 bilhões, distribuídos por 13.936.420 titulares. A maior concentração de clientes estava situada na faixa até R$ 5 mil, que apresentava 10.472.271 titulares. Em contrapartida, a faixa que compreendia os valores acima de R$ 1 milhão concentrava a maior parte do saldo, R$ 343,1 bilhões, distribuídos por 49.486 titulares, que representavam 0,36% dos clientes do produto.

1.2 – Depósitos à Vista.

O total de depósitos à vista era de R$ 163,3 bilhões, distribuídos por 92.979.168 clientes. As faixas de valor até R$ 1 mil, que apresentavam saldo total de R$ 6,4 bilhões, concentravam a maior parcela dos depositantes, 86,01%. Menos de dez mil depositantes (9.779) possuíam, no final de 2015, mais de um milhão de reais em conta corrente com a média per capita de R$ 5.430.340,22. Face ao total dos depósitos à vista, esses milionários detinham quase um 1/3 ou, precisamente, 32,5%.

1.3 – Depósitos de Poupança.

Existiam, no final de 2015, 143,5 milhões de “cadernetas de poupança” (ativas e inativas). Os depósitos de poupança totalizavam R$ 651,3 bilhões e representavam 35,34% dos créditos existentes em produtos garantidos pelo FGC.

A maior parte dos clientes situava-se na faixa até R$ 100,00, que concentrava 56,67% dos depositantes com média per capita de R$ 14,00. Logo, se fossem consideradas “contas correntes com pagamento de juros”, praticamente, estavam inativas quase sem saldo médio.

Em contrapartida de tal pobreza, havia a riqueza de quase doze mil pessoas (11.890) que tinham depositado na poupança mais de um milhão de reais com a média per capita de R$ 3.122.411,02. Com R$ 37 bilhões, colaboravam com apenas 5,7% do saldo total.

Mas, entre esses extremos, estava a “classe média”, cujo segmento de varejo, composto por pouco mais de 62 milhões de clientes (43,3% do total), ainda permanecia com depósitos de poupança em média per capita de R$ 9.855,84.

É interessante destacar o papel fundamental desses pequenos depósitos de poupança de 51% do total de depositantes em todos os produtos bancários: constituíam a maior captação dos bancos! Em outros termos, a maior parte (94,1%) do funding do financiamento habitacional (e parte do rural) era propiciado pelas cadernetas de poupança dos mais pobres!

1.4 – Letras Hipotecárias.

Os créditos existentes em Letras Hipotecárias totalizavam cerca de R$ 1,0 bilhão. A faixa de valor acima de R$ 1 milhão concentrava 89,10% do saldo verificado no produto.

1.5 – Letras de Câmbio.

O montante de créditos em Letras de Câmbio era cerca de R$ 5,2 bilhões, apresentando maior incidência de clientes na faixa de valor até R$ 5 mil, que reunia 23,59% dos investidores.

1.6 – Letras Imobiliárias.

As Letras Imobiliárias não apresentavam saldo.

1.7 – Letras de Crédito Imobiliário.

As Letras de Crédito Imobiliário totalizavam saldo de aproximadamente R$ 204,9 bilhões. A faixa de valor acima de R$ 1 milhão (28.431 clientes) correspondia a 54,82% do saldo observado no produto.

1.8 – Letras de Crédito do Agronegócio.

O total de Letras de Crédito do Agronegócio é aproximadamente R$ 191,5 bilhões, distribuídos por 505.746 clientes. A faixa de valor acima de R$ 1 milhão, que concentrava 59,77% do saldo verificado no produto, apresentava apenas 4,51% do total dos investidores. Eram 22.803 clientes.

1.9 – Depósitos não movimentáveis por Cheque.

O total de Depósitos não movimentáveis por Cheque era cerca de R$ 4,0 bilhões. A maior parte dos clientes situava-se na faixa até R$ 100,00, que concentrava 89,67% dos depositantes.

2.0 – Operações Compromissadas.

O total de Operações Compromissadas, no final de 2015, era de aproximadamente R$ 73,4 bilhões. A faixa de valor acima de R$ 1 milhão, que concentrava 91,00% do saldo verificado no produto, apresenta apenas 1,18% do total dos investidores (2.944), provavelmente, Pessoas Jurídicas.

  1. TOTAL DE CRÉDITOS

Os dados pertinentes ao total de créditos em produtos bancários (desconsiderados os Fundos de Investimentos segregados sob a rubrica de Administração de Recursos de Terceiros) e ao nº de clientes, consolidados por faixas de valores, totalizavam cerca de R$ 1,8 trilhão, distribuídos por 221.295.662 titulares com média per capita de R$ 8.327,50. O valor é o somatório dos créditos existentes em Depósitos a Prazo, Letras de Câmbio, Letras Imobiliárias, Letras Hipotecárias, Letras de Crédito Imobiliário, Depósitos à Vista, Depósitos de Poupança, Letras de Crédito do Agronegócio, Depósitos não movimentáveis por Cheque e Operações Compromissadas.

Em contrapartida a essa “pobreza média”, as 126.659 contas milionárias concentravam 40,8% do valor total, cerca de R$ 752 bilhões, com a média per capita de R$ 5.940.087,13. Portanto, sem considerar seus fundos, quase seis milhões de reais em riqueza financeira por conta dos super-ricos!

  1. TOTAL DE CRÉDITOS GARANTIDOS

O montante de créditos garantidos, tendo em vista que R$ 250 mil é o valor máximo da garantia sobre o total de créditos de cada titular contra a mesma instituição ou contra todas as instituições do mesmo conglomerado financeiro, é de aproximadamente 1,0 trilhão de reais. O valor representa 54,93% do total de créditos existentes no sistema.

  1. CONCLUSÃO

Na estratificação social da riqueza financeira brasileira, considerando apenas os produtos de captação bancária, isto é, segregando a administração dos recursos de terceiros, a visão agregada possibilita observar que 0,1% das contas (126.659) retinham quase 41% do valor total, acumulando R$ 752 bilhões. Os detentores dessas contas eram super-ricos.

Já os “párias” tinham 194,6 milhões de contas (88%), inclusive considerando as inativas, cujos valores representam 4,6% do total. A “classe média baixa” possuía 9 milhões de contas (4%) com 3,5% do valor total. A “média-média”, respectivamente, 11 milhões (5%) e 22%. A “classe média alta”, respectivamente, 2,1 milhões (1%) e 26%. Dá para ver que embaralha a análise sociológica agrupar toda a classe média, já que ela conjuntamente acumularia 51,7% da riqueza total, mais do que o subtotal dos milionários.

Podemos considerar “contas de pobres” as 92% até R$ 10 mil que detinham apenas 8% do valor total; “contas de remediados” as 5% entre 10 mil e 100 mil reais com 22% do valor; e “contas da classe média” o 1% entre 100 mil e um milhão de reais com 26% do valor. Então, 0,1% das contas eram de “milionários” que detinham 41% desse capital financeiro. Este é o retrato mais fiel da desigualdade social brasileira!

Portfólio por faixas de riqueza dez 2015

Por fim, através das tabelas apresentadas com as contas bancárias, dá para perceber as diferenças de portfólios entre ricos e pobres. O volume de negócios é decisivo para acessar as melhores aplicações financeiras. Em outras palavras, devido à exigência mínima de investimento em cada produto financeiro, o processo de acumulação de capital financeiro segrega e agrava a concentração de riqueza.

Senão vejamos:

As contas mais pobres até R$ 5 mil têm maiores percentuais em depósitos à vista (16,7% do total) e depósitos de poupança (8,5%) e, praticamente, seus detentores não têm acesso a depósitos a prazo (1,7%), LCA (0%) e LCI (0,1%). Pouca diferença faz em relação a ter entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

Já as contas de classe média baixa entre R$ 10 mil e R$ 100 mil têm maior participação no total em depósitos à vista (34,6%), depósitos de poupança (57,3%), mas ainda pouco acessam depósitos a prazo (12,6%), LCI (10,5%) e LCA (5,7%), cujos limites mínimos ficam nessa faixa.

Por sua vez, as contas de classe média alta entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão já vão alterando sua carteira de ativos, pois possui 16,2% dos depósitos à vista, 5,7% dos depósitos de poupança, 23,1% dos depósitos a prazo, 34,5% das LCA e 34,6% das LCI.

Enfim, as contas milionárias têm 32,5% dos depósitos à vista, apenas 5,7% em depósitos de poupança, 62,6% de depósitos a prazo, 59,8% das LCA e 54,8% das LCI.

Entendeu aquela expressão esnobe brasileira: “coisa de pobre”? Em seleção de carteira de ativos financeiros, refere-se a deixar dinheiro recebendo juros mensais de 0,5% em depósitos de poupança. No ano corrente, até julho de 2016, teve perda real de -0,14%. Enquanto isso, CDB (depósitos a prazo) teve ganho real de 2,09% nesses sete meses e quem conseguiu 100% do CDI na LCA ou na LCI obteve 2,94% acima da taxa de inflação.

Rendimentos no ano até julho de 2016 Compromissada X Poupança

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