Formação Tardia da Sub-Casta dos Sábios-Universitários no Brasil

Evolução das Estatísticas do Ensino Superior no Brasil 1962-1998Gráfico 1962-1998

O atraso cultural de nosso País está revelado na história brasileira da formação tardia da sub-casta dos sábios-universitários. Ela se diferencia da casta dos sábios-pregadores ou sacerdotes de outrora. Está bem ilustrada no gráfico acima. Antes da “modernização conservadora” da ditadura, ocorrida após o Golpe Militar de 1964, só se formaram 19.049 profissionais universitários em 1963. Eram 4,3 alunos matriculados por docente.

Depois da retomada da democracia, no final dessa série temporal, em 1998, essa relação já tinha se multiplicado para 12,9. E a sub-casta recebia 274.384 profissionais universitários no ano. No total acumulado nesses 35 anos já tinham se formado 5.954.028 universitários no País que possuía população total de 169,5 milhões de habitantes. Essa minoria (elite intelectual?) era apenas 4%.

Vejamos outros aspectos quantitativos dessa história.

10 maiores cursos em vagas - 1998

Em vagas oferecidas, “para construir a Nação”, Engenharia tinha apenas 6,7%. E Medicina, “para cuidar da saúde do Povo”, nem aparecia entre os 10 maiores cursos, pois sempre foi caro formar médicos com todo o equipamento hospitalar necessário. Observe que a formação de minha corporação profissional, em Ciências Econômicas, recebia a oitava maior oferta com 2,9% das vagas totais.

Inscrições por Área de Conhecimento 1998

Impressionante é que a economia de mercado, em plena Era Neoliberal (em 1998), impunha um padrão de oferta abundante de sua força de trabalho: 40,9% dos profissionais universitários em Ciências Sociais Aplicadas. Este é um ramo da ciência, distinto das Humanidades, que estuda os aspectos sociais do mundo humano, ou seja, a vida social de indivíduos e grupos humanos.

Pela Tabela das Áreas de Conhecimento (CAPES) inclui Arquitetura e Urbanismo, Planejamento Urbano e Regional, Ciência da Informação (Biblioteconomia e Arquivologia), Comunicação, Administração, Contabilidade, Desenho Industrial, Demografia, Economia, Economia Industrial, Direito, Museologia e Serviço Social.

Participação dos 10 maiores cursos em 1998

Em percentuais de inscrições, Ciência Econômica não entrava no ranking dos 10+, ou seja, em 1998 já era baixa a demanda relativa por esse curso, face a outros, p.ex., despontavam 17% dos inscritos em vestibular para Direito. Se somassem os seis mais demandados, eles já representavam 50% dos inscritos.

Ingressos por Área 1998

Em 1998, 44% dos ingressos nas Universidades e Faculdades ocorriam em Ciências Sociais Aplicadas. Razão de custo baixo e/ou necessidade de oferta abundante para baratear a força de trabalho empregada em empresas?

Número de Concluintes em Áreas de Negócios

Observe que a sub da sub-casta dos sábios-tecnocratas, isto é, os economistas já tinham, em 1994, 2002 e 2010, um número reduzido face aos demais das áreas afins: Administração e Contabilidade. O número de concluintes no Curso de Economia caiu ainda mais em 2014, último ano para o qual foi publicado uma Sinopse Estatística do Ensino Superior: 5.650.

Áreas de Negócios 2014

Chama a atenção também, na Tabela acima, que nesses cursos em Universidades públicas é a Economia possui a menor relação Concluintes / Matrículas, ou seja, apenas 10% dos matriculados em 2014 concluíram seu curso. A evasão e/ou a reprovação em IES privadas é menor, pois concluem 14% dos matriculados.

Será o nível de exigência de estudo em curso de Economia em Universidade pública superior? Ela tem mais alunos matriculados em horário integral (diurno) do que em noturno. E relação matriculados / docente bem inferior, ou seja, as aulas são dadas para turmas menores. Seus docentes também possuem nível de titulação superior, sendo exigido o doutorado e RDIDP – Regime de Dedicação Integral à Docência e Pesquisa.

Concluintes por Categorias Administrativas - 2014

Considerando todos os estudantes universitários, em 2014, cerca de 3/4 se formaram em IES privadas e 24% em Universidades Públicas. No caso da grande área composta por Ciências Sociais, Negócios e Direito, acentua-se essa desigualdade: 13% em Públicas e 87% em Privadas. E em Administração, foram respectivamente 9% e 91%!

O que também é muito interessante na Tabela acima é que essas participações relativas são inversas no caso de três cursos, o que os aproxima em termos de formação em Ensino Superior: Economia (59% em Pública e 41% em Privada), Ciência Política (73% contra 27%) e Ciências Sociais (93% contra 7%). Em outros termos, Economia é vista corretamente pelos estudantes como uma Ciência Social e Política! Não dá muito emprego, mas forma muitos sábios-intelectuais! E alguns se tornam sábios-tecnocratas…

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