Profissão: Economista

Área de Negócios 2003 X 2014

Coordenadores de Ensino têm se queixado da queda da demanda de vestibulandos pelo Curso de Economia. Muitos cursos ficam em torno da média, por exemplo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL): 3 candidatos / vaga (C/V). Em 2015, PUC-SP ficou com C/V de 2,3 e a PUC-RJ, 4,9 (541 por 110). Esta aumentou para 5,3 em 2016. No caso da UFRJ, em 2010, teve 1.292 candidatos para 160 vagas, ou seja, C/V de 8,1. Em 2011, diminuiu a oferta de vagas para 120 e com 1.389 candidatos aumentou sua relação para 11,6. Ela fica na Praia Vermelha.

Na Praia de Botafogo, a FGV/EPGE – Escola Brasileira de Economia e Finanças, apenas no período diurno, conceito 5 (Máximo) no ENADE, obteve relação C/V de 15,1 no vestibular de 2015. A FGV/EESP – Escola de Economia de São Paulo, cobrando mensalidade de R$ 3.506,00, exigindo período integral, também obteve relação C/V de 15 no primeiro vestibular do mesmo ano 2015.

Por sua vez, o INSPER, cujo valor da mensalidade para Administração e Economia durante o ano de 2016 é R$ 3.920,00, enquanto o de Engenharia é R$ 3.136,00, oferece 150 vagas em Administração (concorrência de 6,62 candidatos/vaga) e 75 em Economia (concorrência de 4,81 candidatos/vaga). Seu aluno pode obter dupla titulação em Administração e Economia, cumprindo horário integral (manhã e tarde) com apenas um ano a mais de estudo. Com apenas mais um ano de pagamento dessa mensalidade, ele pode se graduar em ambos os cursos. Como isso é possível? O INSPER afirma que sua grade curricular é fortemente integrada.

A FUVEST 2016, encarregada do vestibular da USP, anunciou para Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuária em São Paulo 590 vagas para 5745 candidatos, ou seja, a relação C/V de 9.7. Para Economia Empresarial e Controladoria em Ribeirão Preto, respectivamente, 63; 373; e 5,9. Para Economia em Piracicaba: 40; 299; e 7,5. Para Economia em Ribeirão Preto: 40; 465; e 11,6.

O IE-UNICAMP tem uma trajetória histórica distinta em termos de sua demanda comparada com a desses cursos. No vestibular de 1996, ofereceu 70 vagas e teve 1.190 inscritos: C/V de 17. Em 2003, já com a ampliação de mais 35 vagas em Curso Noturno, teve neste a C/V de 21,2 e aumentou no Integral para 21,5. Em 2015, aumentou neste Integral para 24,4 e em 2016 para 25,6. No Noturno, nesses últimos anos, C/V de 21,7 e 26,1. Em outras palavras, sua graduação (“heterodoxa”, sic) se destaca por ter demanda “fora-da-curva”, isto é, com inclinação positiva e crescente!

No Mestrado, o IE-UNICAMP também se destaca com C/V de 17,4, oferecendo 15 vagas, embora esteja pouco abaixo da FGV-EPGE (20 vagas e C/V de 18,4), PUC-Rio (17 vagas e C/V de 19), CEDEPLAR-UFMG (15 vagas e C/V de 19), IPE-USP (25 vagas e C/V de 19,7) e FGV-EESP (20 vagas e C/V de 19,9). Mas sua C/V é superior à do IE-UFRJ (25 vagas e C/V de 10,9) e do INSPER (75 e 1,7).

Um argumento encontrado entre os próprios alunos graduados no IE-UNICAMP é que eles já aprenderam a aprender o que se ensina na sua pós-graduação e necessitam se inserir no mercado de trabalho das capitais metropolitanas. Enquanto isso, os moradores destas já estão inseridos nas principais redes de relacionamento profissional por estarem próximos das sedes dos grandes empregadores de economistas e da mídia.

Então, tendo em vista esses dados, no caso onde se registra o problema de escassez de demanda por cursos de Ciências Econômicas, ele se relaciona, no jargão profissional, com elasticidade da demanda, que é a medida da variação na demanda de uma mercadoria ou serviço. No caso, com a mercantilização do ensino, este virou uma mercadoria!

Considerada a quantidade de certa mercadoria comprada por unidade de tempo, os economistas sabem que ela depende de alguns fatores: do preço da mercadoria, da renda do consumidor, do preço de outras mercadorias, do gosto do consumidor, entre outros. Para obter o coeficiente de elasticidade-renda da demanda, divide-se a variação percentual da quantidade demandada pela variação percentual na renda do consumidor. Caso o coeficiente seja negativo, o bem é classificado como inferior e apresentará queda na demanda quando houver aumento na renda do consumidor.

Os números de C/V indicam que os demandantes consideram o curso do IE-UNICAMP um bem superior. Concentram demanda nele também por causa da elasticidade-preço, considerando a variação relativa do preço do ensino em faculdades particulares. Possui uma ótima relação custo/benefício. Afinal, os agentes econômicos são considerados racionais pelos economistas… Por que os futuros economistas não seriam?

Parece-me que o perfil ideal do profissional formado no Curso de Graduação em Ciências Econômicas é o capaz de transitar em diferentes níveis de abstração, desde o conhecimento analítico dos fenômenos econômicos puros até a tomada de decisões práticas. Para tanto, necessita obter:

  1. um conhecimento plural de todas as correntes de pensamento econômico, ortodoxas e heterodoxas,
  2. um conhecimento multidisciplinar que o propicie a reincorporação de todas as demais áreas de Ciências Afins antes abstraídas, e
  3. um conhecimento aplicado que o capacite a datar e localizar o objeto de suas análises e sugestões, ou seja, conhecimento histórico e geográfico para tratar das dimensões tempo e espaço.

Nesse sentido, busca tanto uma formação teórico-prática em que domine o método abstrato-dedutivo, quanto uma formação teórico-quantitativa em que pratique o método histórico-indutivo. Com capacidade de utilizar o instrumental matemático-estatístico e analisar situações históricas concretas, saberá contextualizar seus diagnósticos para propor a solução racional de problemas que envolvem conflitos de interesses individuais, sociais e nacionais.

Se algum jovem interessado em adquirir tal conhecimento de Economia Política contemporânea me indagasse que curso seguir, eu não teria dúvidas em indicar o do IE-UNICAMP. Aliás, o fascínio por este amplo objeto profissional de estudos e pesquisa que não me deixa aposentar

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