Opção do Bom e Barato Custa Caro em termos de Conquistas Esportivas

Custo de Conquistas de Títulos

Fernando Torres (Valor, 21/08/16) afirma que a opção do bom e barato pode funcionar para subir para a série A ou para alcançar títulos regionais. Mas os clubes de futebol que almejarem ganhar títulos nacionais ou se classificar para Libertadores devem se preparar para “colocar a mão no bolso” — o que não significa gastar acima das possibilidades.

Essas são algumas das conclusões que se tira do primeiro estudo de eficiência esportivo-financeira dos clubes de futebol brasileiros feito pela equipe do Itaú BBA, nesta sexta edição do levantamento da instituição sobre as finanças das agremiações.

Os clubes que ganharam títulos nacionais ou se classificaram para a Libertadores em 2015 gastaram entre R$ 2 milhões e R$ 2,6 milhões por ponto obtido nos jogos disputados no ano passado. Já aqueles com objetivos mais modestos desembolsaram menos de R$ 1 milhão por ponto.

O pior dos mundos — e o que os clubes precisam evitar, em especial, meu glorioso Cruzeiro — é gastar muito e não alcançar os resultados, ou pior, ser rebaixado.

O teste de eficiência levou em conta dois critérios referentes a 2015:

  1. a divisão do gasto total dos clubes (custos, despesas, investimentos, despesas financeiras) pelo número de pontos conquistados em todos os torneios e 
  2. também uma pontuação por título ou conquista atingida. 

A partir dos dois parâmetros, os clubes foram separados seis categorias:

  1. “eficazes”;
  2. “eficientes”;
  3. “bom trabalho”;
  4. “deixou a desejar”;
  5. “não deu”; e
  6. “perdulários”

Obs.: ver detalhes na tabela acima.

Cesar Grafietti, que coordenou o trabalho no Itaú BBA, admite que o ranking não é perfeito. “Estou pensando em rever a pontuação.”

Ele entende, contudo, que o trabalho pode ser útil, principalmente, para os clubes que gastam muito, mas não têm bons resultados em campo, questionarem o que está errado. “Esses clubes vão ter que buscar uma explicação.”

A solução nem sempre é gastar mais, já que times com o mesmo nível de despesa por ponto – como Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Palmeiras, Corinthians e Atlético-MG – tiveram desempenhos distintos nos gramados.

O Cruzeiro, que foi o que mais gastou proporcionalmente, não teve conquistas em 2015. Não curou a ressaca do bi-campeonato brasileiro (venda dos melhores jogadores para a China e a Arábia Saudita), pois ainda está inebriado…

Já o Vasco, que teve nível de gasto próximo dos demais clubes de elite, acabou sendo rebaixado no Brasileirão, apesar de ter conquistado o Campeonato Carioca.

O problema, diz Grafietti, é que os clubes acham que basta contratar um novo diretor financeiro que está tudo resolvido. “Profissionalização não é isso. Não adianta ter só muita receita e Ebitda, mas sem resultado esportivo. Isso não funciona.”

Na visão dele, é preciso buscar um equilíbrio melhor entre o financeiro e o esportivo. Um caminho, diz ele, é contratar gestores que saibam usar estatística para fazer contratações, em vez de agir por impulso e sair contratando qualquer jogador, diante de maus resultados.

2 thoughts on “Opção do Bom e Barato Custa Caro em termos de Conquistas Esportivas

  1. Fernando, os dados relativos à pontuação e aos custos de cada um dos clubes são retirados exclusivamente do ano de 2015?

    Fiquei curioso para saber se, a partir dos dados dos anos anteriores, há algum comportamento padrão observável.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s