Divisão entre Economia Positiva e Economia Normativa

Hausman 2a. ed

Segundo Daniel M. Hausman (The Philosophy of Economics: An Anthology. Cambridge University Press 1984, 1994, 2008; Third Edition in print format: 2007), a visão metodológica de John Stuart Mill foi talvez a mais influente durante os séculos XIX e XX. Ela se reflete no argumento de autoridade de John Neville Keynes, apresentado no seu livro The Scope and the Method of Political Economy [Dimensão e Método da Economia Política], publicado em 1891. John Neville Keynes (1852-1949) foi um eminente economista inglês e pai do famoso John Maynard Keynes (1983-1946). Foi crítico da Ciência Moral.

Ele dividiu a Economia entre:

  1. Economia Positiva: o estudo de o que é a economia, e quais são suas aplicações,
  2. Economia Normativa: o estudo sobre o que ela se tornará, ou seja, o futuro da economia, e
  3. Arte da Economia: economia aplicada ou a tomada de decisões práticas.

Na Arte da Economia, as lições aprendidas na Economia Normativa e os seus objetivos são as que determinam o que realmente é a Economia Positiva, pois são as ações dessa classe de Economia que determinam o que realmente ela é.

O que Neville Keynes quis fazer foi sintetizar a razão dedutiva e a razão indutiva como soluções para o Methodenstreit. Este é o nome pelo qual é conhecida uma disputa que teve lugar em meios acadêmicos na área da Macroeconomia, em língua alemã, ocorrendo sobretudo nas décadas de 1880 e 1890, opondo a chamada Escola Austríaca e a Escola Historicista alemã.

Apesar de sua linguagem, o tom e a ênfase, Max Weber adota uma posição semelhante em sua discussão de “tipos ideais” no ensaio Objectivity and Understanding in Economics.

A transição da Economia Clássica para a Economia Neoclássica trouxe substanciais mudanças na doutrina econômica e mudanças na metodologia. Com seu foco na tomada de decisão individual, a teoria neoclássica é mais individualista do que a sua antecessora clássica e constitui uma teoria subjetiva. A valorização deste fato é uma importante contribuição aos escritos metodológicos do início do século XX.

As principais figuras no desenvolvimento nesta fase subjetiva são os economistas austríacos (incluindo especialmente von Mises), Frank Knight and Lionel Robbins. A distinta contribuição metodológica de Knight encontra-se em sua distinção entre:

  1. o risco, em que as alternativas e suas probabilidades são conhecidas, e
  2. o erro e a incerteza radical, onde se desconhece quaisquer probabilidades de acerto.

Knight e os austríacos concordam que, logo que se abandona o ponto de vista subjetivo, e pensa a Economia como se fosse uma Ciência Natural, perde-se de vista as características centrais desse tema.

Lionel Robbins, em seu clássico The Nature and Sgnificance of Economic Science [Um Ensaio sobre a Natureza e o Significado da Ciências Econômicas] (1935), está bem perto do ponto de vista austríaco, mas ele é mais conhecido por sua definição de Economia como “a ciência que estuda comportamento humano como uma relação entre fins e meios escassos que têm usos alternativos”.

De acordo com esta definição, a Economia não está preocupada com qualquer classe particular de fenômenos sociais (como produção, distribuição, troca ou consumo). A Economia, em vez disso, está preocupada com um aspecto particular do comportamento humano: a escolha racional. Por exemplo, decisões de ter filhos ou ser infiel ao cônjuge são, por esta definição, parte da Economia assim como a oferta e a procura por atum!

Robbins, com efeito, estabelece a definição de Economia como a ciência da escolha racional – que é como se vê a teoria neoclássica. Tais redefinições são características de do desenvolvimento científico. A definição de Robbins continua a ser controversa, uma vez que exclui da Economia trabalhos que a maioria das pessoas consideram como típico da Economia, tais como a teoria macroeconômica keynesiana.

Robbins, Knight, e os austríacos salientam o individualismo metodológico e a subjetividade da Economia. Todos eles enfatizam as peculiaridades da ação humana como objeto de investigação científica. Eles também concordam com Mill que as premissas básicas da Economia estão bem estabelecidas e que tais premissas não são impugnadas por falhas empíricas da teoria. De fato, os austríacos vão além e argumentam que as premissas básicas são a priori verdadeiras!

Com a invasão dos pontos de vista dos positivistas lógicos, na década de 1930, veio a primeira mudança importante no ponto de vista da profissão sobre a justificação da teoria econômica. Em 1938, Terence Hutchison publica The Significance and Basic Postulates of Economic Theory [O Significado e Postulados Básicos da Teoria Econômica].

Neste livro, que é um marco, Hutchison argumenta que a Economia, como outras ciências, deve formular generalizações testáveis e submetê-los a sérios testes. As afirmações a partir da Teoria Pura, referentes à atividade econômica, Hutchison argumenta, são vazias “verdades por definição”. Proposições em Economia estão tão cobertas com qualificações tipo ceteris paribus que elas não são testáveis.

Com o peso do positivismo lógico contemporâneo por atrás dele, Hutchison insistiu que já era hora para os economistas começarem a se comportar como cientistas responsáveis. O desenvolvimento da Teoria da Preferência Revelada e a defesa do que ele chama de “operacionalismo” de Paul Samuelson também apoiou a exigência de que a Economia devia ser reformulada com base em teorias testáveis.

As críticas de Hutchison foram imediatamente refutadas por economistas como Knight, mas elas permaneceram perturbadoras. Poderia ser que a Economia científica se ela não fez o cumprimento das normas da ciência empírica?

Alguns, como Knight e os austríacos, foram preparados para dizer que as normas das Ciências Naturais não se aplicam à Economia. Mas a maioria dos escritores sobre metodologia econômica fizeram alguma tentativa para mostrar que a economia satisfaz os critérios mais sofisticados (e também os mais fracos) a que os positivistas lógicos exigem.

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