Wagner Moura: “O meu país está a viver o pior momento desde a ditadura”

Wagner Moura

Fonte: expresso.sapo.pt

Os novos episódios de “Narcos” chegaram esta sexta-feira ao Netflix. Mas, mais do que interpretar vilões, o ator brasileiro gosta de refletir sobre o que está por trás de cada período da história. Por isso, vai realizar um filme sobre a resistência à ditadura no Brasil.

“Vou realizar um filme no Brasil, algo que já estava a produzir antes de entrar em “Narcos”. É a história de Carlos Marighella, um guerrilheiro da resistência à ditadura brasileira nos anos 60 e 70 que chegou a ser considerado o inimigo número um do regime. É a minha primeira longa metragem e agora é essa a minha prioridade. O guião tem sido a maior dificuldade porque não quero começar a gravar com inseguranças”.

Como vê a atual situação brasileira?
Não está nada fácil. O meu país está a viver o pior momento desde a ditadura e não nos podemos esquecer que o Brasil é uma democracia muito jovem. Só nos livrámos da ditadura militar em 1985. É tudo muito recente e a democracia é frágil. Desde esse tempo, houve grandes melhorias e não posso deixar de reconhecer o esforço dos governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff. O maior problema dos países latino-americanos, especialmente do Brasil, são as diferenças sociais e estes dois políticos tiraram milhões de pessoas da miséria.

Continua a apoiá-los?
Não, eu não os apoio neste momento. Não acho que Dilma seja uma boa Presidente e nem sequer votei nela, mas o que aconteceu no Brasil nos últimos meses é algo muito próximo de um golpe. A diferença está na forma, pois tudo aconteceu sem a força, sem os militares e sem a violência de outros tempos. Destituíram uma Presidente sem qualquer motivo. Reforço que não era uma boa Presidente, mas este é um golpe demasiado grande para uma democracia tão frágil.

Como é que o Brasil está a reagir?
Através da resistência. A primeira medida do governo de Michel Temer foi acabar com Ministério da Cultura e sabe porquê? Porque os artistas são a maior força de resistência ao golpe. A resposta não se fez esperar e decidiu-se que era preciso ocupar as instalações do Ministério nas maiores cidades brasileiras. O governo voltou atrás com a decisão, mas agora só saímos quando Michel Temer sair do poder.

Link:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2016-09-04-Wagner-Moura-O-meu-pais-esta-a-viver-o-pior-momento-desde-a-ditadura

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