Agentes Provocadores: FSP e a SSpSp

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Captura de Tela 2016-09-05 às 16.28.58Eu era assinante da Folha de S.Paulo e a lia impressa como parte de minha rotina diária desde quando morava no Rio de Janeiro entre 1978 e 1985. Depois de ter sido golpista em 1964, ela foi progressista na Campanha das Diretas Já. Depois de 35 anos, troquei minha assinatura por uma digital — e estou pensando também em interromper esta para não me chatear tanto com sua leitura.

Infelizmente, o sucessor de “seu Frias” adotou outra linha ditatorial. Colocou muito mais gente escrevendo panfletos direitistas e, em uma falsa tentativa de se mostrar equilibrada (“em cima do muro”), permite a uns poucos “esquerdistas” a difícil missão de contrabalançar sua notória queda para a direita.

Assim, seu secretário de Redação, ex-editor de Opinião, Vinícius da Mota, não tem vergonha de assinar, em sua página de Editorial, um panfleto típico do discurso de ódio dos idiotas que assinam todos os comentários das suas notícias. Seu título é “Dilma insufla o ódio nas ruas e vai morar em Ipanema”! Vitimiza os agressores da PM paulista “sob as críticas furiosas da elite de vermelho” (veja-a acima)!

Detalhe: a tropa de choque foi deixada de prontidão durante todo o domingo, insuflando seu ódio contra os manifestantes. Não houve nenhum (falso) motivo para ela furar o olho de algum “inocente-útil”. Ao final do evento pacífico, quando os manifestantes já estavam se dispersando, recebeu o comando de investir covardemente contra eles. Ela agiu como um autêntico “agente provocador” para criar uma imagem negativa a ser estampada em destaque pela mídia golpista e assustar novas adesões ao movimento “Fora Temer”.

O responsável por essa violência policial, a ser acionado criminalmente na Justiça e politicamente nas urnas, é o atual governador do Estado. Isto apesar da suspeita que a PM esteja ainda sob ordens do ex-Secretário de Segurança Pública de São Paulo (SSpSp) e atual ministro da Justiça do governo golpista.

Um tal de Pondé, também hoje, em ato falho (tipo “Freud explica“), assina um panfleto “crítico aos críticos”. Demonstrando toda sua intolerância ideológica com “gente de esquerda”, não tem nenhum pudor ao afirmar “uma coisa me chama a atenção nos tais jovens críticos: sua intolerância”. Ora, ora, espelho, espelho meu

Para contrabalançar tanto direitismo explícito, há uma crônica de Gregório Duvivier (FSP, 05/09/2016) dizendo o que deveria ser dito a respeito do Editorial que a Folha de S.Paulo publicou depois que algum “black-bloc” pichou seus portões. Ela pediu “pau-nos-manifestantes” por ter sido tachada de golpista!

Leia a crônica abaixo.

Dona Folha, tá difícil te defender.

Em seu editorial na sexta (2/9/16), a senhora diz que se o governo não souber “reprimir os fanáticos da violência”, o Brasil corre o risco de se transformar numa ditadura assim como aconteceu na “Alemanha dos anos 30”. À polícia do Estado de S. Paulo, que já não é famosa pela gentileza, a senhora recomenda que “reprima” mais duramente os “grupelhos extremistas” –porque senão os baderneiros vão tomar o poder e transformar o Brasil na Alemanha nazista.

Concordo que existem muitas razões pra ter medo. Mas não pelas mesmas razões. O vampiro que nos governa acaba de recriar o Gabinete de Segurança Institucional. O ministro da Justiça pede menos pesquisa e mais armamento. Uma jovem perde um olho atacada pela polícia. Uma presidenta democraticamente eleita é derrubada porque teria cometido um crime, mas não perde os direitos políticos porque afinal ela não cometeu crime nenhum. O Senado que a derrubou por causa de créditos suplementares muda a lei em relação aos créditos no dia seguinte à sua queda.

Concordo quando a senhora diz que uma ditadura se avizinha, mas discordo que são os “black bloc” que vão tomar o poder. Dona Folha, a senhora já conheceu um “black bloc”? “Black blocs” em geral têm 12 anos, espinhas e mochila cheia de roupa preta e remédios pra acne.

Não sei se por ignorância ou cinismo, a senhora ignorou o fato de a Alemanha nazista não ter sido criada pelos “fanáticos da violência”. Como bem lembrou Bruno Torturra, a Alemanha nazista se consolida quando Hitler culpa os tais baderneiros pelo incêndio do Reichstag e cria um Estado de exceção com o objetivo de “reprimir baderneiros” – igualzinho a senhora tá pedindo.

Quando o Reichstag pegou fogo, os jornais pediram medidas de emergência contra os “baderneiros” em editoriais muito parecidos com o seu. Hitler não teria ganhado terreno sem uma profusão de jornais pedindo “mais repressão aos grupelhos” – jornais estes que, vale lembrar, depois foram proibidos de circular.

O golpe de 64 não foi obra do “extremismo”, mas daqueles que alegavam querer combatê-lo. Quem instaura a ditadura não são os baderneiros, são os apavorados. Só há golpe quando há medo. Quando a senhora contribui com o medo, a senhora contribui com o golpe.

Um jornal é do tamanho dos inimigos dele. Quando a senhora pede maior repressão a adolescentes desarmados, se alinha com o mais forte e faz vista grossa pra truculência. Jornalismo, pra mim, era o contrário.”

Leia maishttp://jornalggn.com.br/noticia/el-pais-mostra-aos-jornais-brasileiros-como-fazer-jornalismo

Entre os grupos de mídia, os estrangeiros – El Pais, BBC, Reuters – estão dando aulas de jornalismo aos nacionais, indo atrás dos fatos, impedindo a disseminação da “verdade oficial” e indignando-se com o arbítrio.

Quem está com saudades do jornalismo, confira a reportagem de El Pais: “Milhares vão às ruas contra Temer em SP e PM reprime ato com justificativa controversa”( http://migre.me/uUmFE)”.

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