Gigantismo do Estado no Brasil: Diagnóstico Simplório do Wall Street Journal

Refinaria da Petrobras

JOHN LYONS e  DAVID LUHNOW (WSJ, 25 de Abril de 2016) escreveram a reportagem abaixo, no início do processo de mais um golpe na democracia brasileira, desta vez seguindo um rito pseudo legalista, mas que, em última análise, é um revestimento ilusório para a velha prática de destituir quem não segue a cartilha de O Mercado, i.é, tudo de bom para os empresários e o resto, ora, que se lixe!

A matéria ilustra bem o olhar estrangeiro sobre o País. Menosprezo é falta de estima, apreço ou consideração. Constitui um desdém, desconsideração, desvalorização da qualidade, da importância. Fica clara a depreciação, a desqualificação, o menoscabo, o sentimento de repulsa, enfim, o desprezo.

“Quando a construção de Brasília começou, em 1956, tudo relacionado à nova capital apontava para a ambição do Brasil de ser uma potência global em ascensão. Construída em apenas 41 meses, Brasília foi desenhada por Lúcio Costa no formato de um avião, um reflexo aparente da impaciência do país em crescer.

Mas a nova capital reluzente era um monumento ao passado do Brasil. [?!] Apesar de seu apelo modernista, Brasília era mais uma expressão da longa e problemática fixação do país com o conceito de um Estado gigante e paternalista, responsável pelos negócios de toda a sociedade, das suas maiores empresas aos seus cidadãos mais pobres.

[FNC: enfim, “coisa-de-pobre” é gostar de pobre!]

O Brasil experimentou quase todo tipo imaginável de governo ao longo dos últimos 200 anos. Uma gama variada de líderes esteve à frente do país, de imperadores e ditadores a democratas e ex-marxistas. [FNC: poucos foram democratas autênticos.] Independentemente da política de cada um, porém, quase todos eles compartilharam o compromisso do Estado-Leviatã como o motor do progresso.

[FNC: novamente, a repetição do lugar-comum: os gringos chutam a escada que já subiram para os demais não subirem… Eles fingem desconhecer (ou esqueceram) a história dos EUA no século XIX, quando o Estado foi conquistador, interventor e regulador.]

“O problema é que, desde sempre, os líderes políticos do Brasil somente veem um caminho a seguir, o aumento do tamanho do Estado”, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que liderou o país entre 1995 e 2002 e tentou reduzir o tamanho do governo. “Mas você precisa de outro trampolim para o progresso que não exclua o Estado, mas que aceite os mercados. Isso não é compreendido no Brasil.”

[FNC: melhor lição do próprio FHC: esqueçam tudo que eu escrevi, menos que o País tem uma vocação para ser dependente da “gente boa estrangeira”.]

Atualmente, o Leviatã está doente, com o governo envolvido em um escândalo de corrupção na Petróleo Brasileiro SA, a Petrobras. Investigadores dizem que políticos, executivos do setor petrolífero e empresários conspiraram ao longo de dez anos para sugar bilhões da petrolífera estatal, enviando dinheiro para contas na Suíça e para o caixa dois dos principais partidos políticos.

[FNC: sob o ponto-de-vista moral é substantivo, mas esses “bilhões” não são a causa da crise da Petrobras, tal como a das demais empresas petrolíferas, face à queda da cotação do petróleo por O Mercado.]

No Congresso, onde atualmente seis em cada dez legisladores enfrentam algum tipo de investigação criminal, os deputados votaram a favor do impeachment [FNC: golpe] da presidente Dilma Rousseff, que muitos acusam de fomentar a corrupção e de ter arruinado a economia do Brasil. Entre os que votaram contra Rousseff está o deputado federal Tiririca (PR-SP), cujo slogan da campanha que o elegeu foi “pior do que está não fica”.

Mas pode piorar. O Brasil está afundado em sua pior recessão desde a década de 30 e pode ainda não ter chegado ao fundo do poço. A dívida do país triplicou para US$ 1 trilhão em nove anos e alguns estados estão quase falindo. A insolvência do governo é uma possibilidade. Se o impeachment [FNC: golpe] for de fato aprovado, o vice-presidente Michel Temer [FNC: golpista] terá que contar com legisladores envolvidos no escândalo da Petrobras para tomar decisões impopulares como cortes de gastos para evitar que a crise do Brasil se transforme em uma completa calamidade.

[FNC: quem vai pagar o pato? Naturalmente, não será a golpista FIESP…]

Muitos que acompanham a situação do Brasil têm se concentrado na corrupção, mas esse pode não ser o ponto principal. O maior problema do país se deve ao fracasso do Estado-Leviatã, que tem perenemente buscado as visões utópicas incorporadas em Brasília, mas que, em vez disso, tem gerado ciclos recorrentes de forte crescimento e dramática contração.

[FNC: nesse debate ideológico tacanho — em que falta clareza de ideias, sendo estúpido –, os neoliberais simplesmente imputam todo o mal ao Estado Leviatã. O fantasma de Hobbes ainda os assombra: leram Leviatã (1651), mas não Do cidadão (1651). Na obra Leviatã, Hobbes explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de um governo e de uma sociedade fortes. No estado natural, embora alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais de forma a estar isento do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo e, uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos. No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra e, por isso, formam sociedades através de um contrato social. Neste, há Estado para tirar o atraso histórico e há Mercado para orientar as decisões dos cidadãos.]

Uma sensação de “déjà vu” paira sobre Brasília hoje em dia. A crise atual se segue a um dos maiores booms vivenciados pelo país. Há apenas alguns anos, o Brasil parecia estar subindo para o clube global dos países desenvolvidos. A economia avançou 7,6% em 2010, coroando uma década em que milhões de pobres passaram a integrar a classe média. Novas embaixadas foram abertas e os diplomatas fizeram lobby para que o Brasil conseguisse o direito a um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O país foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas deste ano.

Mas o Brasil já viveu isso antes. Após um crescimento anual de 10% nos anos 70, época do chamado “milagre econômico brasileiro”, o país se deparou com os anos 80, a “Década Perdida”. A inflação chegou aos quatro dígitos. No dia em que recebiam o salário, os trabalhadores corriam para fazer compras, porque sabiam que no dia seguinte o dinheiro valeria menos.

[FNC: que estupidez comparar a ditadura pós 1964 com a democracia pós 2003!]

“Realmente, isso levanta a questão: isso tudo é cíclico, a nossa economia e o nossa política são como uma galinha tentando levantar voo, subindo alguns metros e depois caindo de novo” [FNC: clichê], diz Marcos Troyjo, ex-diplomata brasileiro que hoje é professor da Universidade Columbia, em Nova York. “Parece que voltamos [a uma época no passado] quando a inflação era uma ameaça real, com a dívida crescendo exponencialmente, quando a presidente tem que agir ou o cenário vai se deteriorar ainda mais.”

O Brasil inspira otimismo porque tem muitos aspectos positivos semelhantes aos dos Estados Unidos, uma superpotência mundial. Entre suas qualidades, o país tem dimensão continental com terras férteis, abundância de recursos naturais e um sentimento profundamente enraizado de destino nacional. Os 200 milhões de habitantes reúnem várias etnias. São características semelhantes às dos EUA, mas apesar disso, o Brasil continua sendo um país subdesenvolvido.

[FNC: existem inúmeras hipóteses a respeito disso, desde dizer que o Brasil nunca teve as instituições democráticas inclusivas que os EUA tem, até dizer que o Brasil sempre teve instituições extrativistas e exclusivas para o deleite de uma pequena elite dinástica. Deleite tem uma etimologia interessante: sensação ou sentimento aprazível; satisfação, deleitamento, deleitação. Essa curtição, delícia, gozo, regalo, regozijo, não lembra a época de aleitamento ou amamentação?]

“O Brasil ainda tem que encontrar um meio de combinar um enorme potencial econômico com a liderança política para apoiar as reformas necessárias”, diz Mohamed El-Erian, principal assessor econômico da Allianz. “Assim sendo, a economia acaba se comportando como um cavalo puro-sangue que pode correr realmente rápido em um terreno suave, mas que tropeça e cai quando ele se torna irregular.”

[FNC: quais são as “reformas necessárias”? Não são o clichê neoliberal de “cortar direitos” ou não são o eufemismo para uma palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão o tucanês para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável, mais grosseira ou mesmo tabuística?]

Uma explicação para os altos e baixos do Brasil é sua dependência das commodities. A história do país pode ser contada por meio dos ciclos das commodities, desde o açúcar do século XVI até o café e a borracha no século XIX. No início dos anos 2000, o minério de ferro, o petróleo e a soja colocaram o Brasil em rota de ascensão à medida que a demanda chinesa por esses produtos crescia.

[FNC: será que o Celso Furtado da “Formação Econômica do Brasil” dá conta do período industrial posterior à sua publicação? Creio que uma explicação do passado não implica em dependência de trajetória para o futuro. Não acredito em determinismo histórico.]

Embora as exportações das commodities representem uma pequena parcela da economia brasileira, que é bastante fechada, elas guiam o crescimento. Nenhum outro país na América Latina tem uma correlação tão estreita entre o crescimento da economia e os preços das commodities, de acordo com uma pesquisa do Morgan Stanley.

[FNC: vivemos o reino de que “correlação é causalidade“! Adeus, ciência…]

Os líderes brasileiros gastaram boa parte do século XX tentando diversificar a economia para além dos recursos naturais, mas a abordagem deles quase sempre dependeu de bancos e empresas estatais — e sempre deu errado.

[FNC: ora, o BRIC não é apenas RIC por que?]

O governo de Juscelino Kubitschek, que presidiu o Brasil entre 1956 e 1961, tinha como lema “50 anos em 5”, ou 50 anos de progresso em cinco anos de governo. Ele criou a estatal Novacap para construir Brasília e colocou um partido rival no seu comando com o objetivo de garantir estabilidade política. Até hoje o custo de construção da capital é tema de discussões e o Banco Central imprimiu tanta moeda que a inflação disparou.

[FNC: bullshit…]

Como militante esquerdista nos anos 60, Dilma Rousseff foi torturada pela ditatura militar, que por sua vez também buscou estimular o crescimento criando fábricas estatais e projetos faraônicos como barragens gigantescas. Como ministra de Minas e Energia e depois presidente, Rousseff ajudou a colocar em prática o mesmo tipo de estratégia industrial.

[FNC: mistura de alhos com bugalhos. Ou, no popular, o que a calça tem a ver com o **?!]

Por que o Leviatã do Brasil persiste? Uma razão é a forte corrente de nacionalismo que permeia a vida do brasileiro. Outra é que ele cumpriu, mesmo que apenas o mínimo necessário, grandes promessas feitas para conquistar a lealdade de segmentos-chave da população.

[FNC: uma terceira hipótese é que, se não houvesse ideologia conformista para haver coesão social como a religião ou o nacionalismo, este “barril-de-pólvora” social já teria explodido com tanta desigualdade e injustiça.]

O Brasil se modernizou significativamente desde a Segunda Guerra Mundial, quando metade da população era analfabeta e boa parte dela passava fome. O governo também criou sistemas de educação e saúde que, embora de baixa qualidade, chegaram até áreas remotas como a selva amazônica.

Pesquisas da Embrapa, que é uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Agricultura, ajudou a expandir a produção de soja e de gado para regiões de solo árido do Centro Oeste, tornando o país uma potência do agronegócio. Também graças à inciativas do governo o Brasil se tornou líder no mercado de etanol. E a Petrobras se tornou conhecida como pioneira na extração de petróleo em águas profundas antes do escândalo de corrupção.

Quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, em 2002, ele colocou o Leviatã em ação para ascender socialmente os pobres. Uma expansão massiva do programa Bolsa Família fornecia alimentos às famílias enquanto as incentivava a enviar as crianças para a escola. O peso das crianças recém-nascidas no Nordeste subiu. Outros programas expandiram redes de transmissão de energia para regiões sem luz, além de levar água para onde havia pouca. Financiamento imobiliário subsidiado pelo governo transformou hordas da classe trabalhadora em donos de casa própria.

“Grandes áreas do nosso país são pobres e não têm segurança ou educação. O Estado precisa chegar a essas pessoas. A história do Brasil mostra que o livre mercado simplesmente não vai fazer isso”, diz Luiz Torelly, que é diretor de articulação e fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e defende o tamanho do Estado brasileiro.

[FNC: viva o Torelly! Ele era o chefe-de-gabinete na minha época de VP da Caixa.]

Ao mesmo tempo, poucas vozes na vida pública do Brasil expressam oposição às ideias de pessoas como Torelly. Nenhum dos grandes partidos defende a limitação do tamanho do governo. E os políticos que o fazem são frequentemente acusados pelos nacionalistas de ter se vendido ao capitalismo americano.

[FNC: ora, os que moram ao sul do Equador têm de importar a ideologia de que o problema do País é o mesmo — Estado Leviatã — de que a Inglaterra não se livrou totalmente (Monarquia), mas sim pactuou (de Absolutista para Constitucionalista), e os EUA, via Guerra de Independência e República, e a França, via República, se livraram, mas não jogaram fora — o Estado — para tirar o atraso em relação à Inglaterra? É risível a Teoria (ideológica) Geral independentemente do contexto histórico e espacial.]

Ao contrário dos outros países do chamado Novo Mundo, o Brasil nunca teve uma revolução que tenha colocado o país em conflito com um Estado intrusivo. Quando se mudou para o Rio, a Monarquia portuguesa trouxe um navio inteiro carregado com arquivos e documentos. Mais tarde, sucessivos governos acrescentaram novas camadas de regulação a um Estado que se originou como uma corte real. Em 1979, o governo militar tentou reduzir a burocracia ao criar um novo ministério: o da desburocratização.

O resultado, hoje, é uma burocracia que consome 41% do PIB do país — cerca do dobro da proporção dos EUA. O retorno de todo esse dinheiro é questionável: estradas, pontes e portos mal construídos e sistemas de educação e saúde públicas de segunda classe. Como dizem alguns, o Brasil tem impostos da Escandinávia e uma infraestrutura da África. Em 2013, manifestações enormes — e às vezes violentas — eclodiram no país todo, para protestar contra os bilhões de dólares sendo gastos em estádios para a Copa do Mundo, enquanto pessoas morriam esperando por socorro nos hospitais.

[FNC: o diagnóstico quanto à burocracia está correto, embora mal medido, inclusive sem a fonte da informação. O principal os neoliberais “esquecem” de medir: do déficit nominal, a (muito) maior parte (3/4) é para pagar os juros com renda para o capital.]

O governo brasileiro emprega milhões de trabalhadores, e direitos garantidos pela Constituição tornam quase impossível demitir a maioria deles. A burocracia pesada inibe a criação de empregos e o Brasil ocupa a 174ᵒ no ranking do Banco Mundial dos países onde é mais fácil fazer negócio, atrás de Uganda e Djibuti.

[FNC: Ok, diagnóstico correto, mas por que não o WSJ receita a terapia se é tão fácil? Basta ver a posição do rankings de renda (1o.) e de riqueza (2o.) dos Titulares de Cartório. Por que ninguém os enfrenta? Desconfiança da corrupção, caixa-dois, dinheiro-frio, fraude e outras cositas más que um carimbo de cartório resolve?!]

Durante a “Década Perdida” de hiperinflação dos anos 80, o Leviatã se descontrolou. Os bancos estatais que concediam empréstimos de má qualidade para empresas públicas registraram prejuízos vultosos, forçando o governo a imprimir dinheiro para ampará-los. Isso, por sua vez, provocou a hiperinflação. A moeda mudava de valor, e mesmo de nome, com tanta frequência que as notas velhas começaram a ser carimbadas para mostrar o seu novo valor.

[FNC: novamente, bullshit. Os gringos não entenderam a “crise do subprime“, no Brasil, 1/4 de século antes da equivalente nos States… Quebrou o BNH e a Caixa carregará o FCVS até 2027!]

Talvez o legado mais pernicioso do Estado do Leviatã seja a corrupção endêmica que se alastra pelo país. Autoridades com amplo poder cediam à tentação de cobrar propina para emitir alvarás e aprovar contratos. E os empresários cediam à tentação de pagar as propinas.

[FNC: e O Mercado é o inocente, ingênuo, embora corruptor?]

O Estado brasileiro do Leviatã cresceu tanto que fez surgir uma teoria popular de que a corrupção poderia ser uma coisa boa porque “lubrificava as engrenagens” de uma burocracia emperrada. A ideia foi delineada num artigo de Nathaniel Leff, economista especializado no Brasil, publicado em 1964.

[FNC: aqui e acolá, em todo o Sul do Equador, inclusive na África, repete-se práticas condenáveis no passado ao Norte do Equador, ou a Máfia italiana ou norte-americana tinha “as melhores práticas”?!]

Essa visão foi desafiada nos anos 90 por economistas como Paulo Mauro [FNC: quem?!], que acreditam que a corrupção reprime diretamente o desenvolvimento, pois as autoridades fazem investimentos com base não no que é melhor para o país, mas no tamanho das propinas que recebem.

[FNC: que afirmação simplória reducionista… Pior, para mentes binárias, 2 neurônio, Tico-e-Teco, vestidas de camisas amarelas, convence tal idiotice que não sabe o mal que faz a si e aos outros.]

A situação piora durante os booms de commodities, quando a corrupção se expande numa maré de dinheiro fácil. “A corrupção se torna um sistema e, quanto maior o sistema, mais difícil fica rompê-lo”, diz Mauro.

[FNC: daí, Tico-e-Teco: morte ao Estado (Leviatã) e viveremos o melhor dos mundos sem corrupção, sem Educação, Saúde e Segurança públicas, sem aposentadoria… e sem pobres e sem serviçais, todos mortos e incapazes de servir aos “donos-do-poder” nas Casas Grandes?!]

O principal exemplo dessa tendência é o escândalo da Petrobras. Depois que o Brasil descobriu os gigantescos campos de petróleo da área do pré-sal, o governo procurou transformar a Petrobras num motor do desenvolvimento. Na esperança de estimular o setor de estaleiros, foram criadas, por exemplo, as regras de conteúdo nacional, que exigem que uma dada proporção dos equipamentos usados pela Petrobras, inclusive plataformas, seja fabricada no país.

Os investigadores da Operação Lava-Jato agora dizem que executivos do setor petroleiro, homens de negócios e políticos conspiraram para inflar contratos com a Petrobras, repassando o dinheiro para o PT e os aliados do partido governista, inclusive o PMDB de Temer, que deve assumir a presidência se o impeachment de Dilma for confirmado no Senado. A presidente e Temer não foram acusados de envolvimento no esquema.

[FNC: como o “saudável” modelo de financiamento de campanha eleitoral norte-americano ou europeu não foi aqui implantado?!]

O escândalo da Petrobras também é um estudo de caso das oportunidades que o Estado brasileiro do Leviatã jogou fora. Investimentos enormes em refinarias e outros projetos que estão no centro do escândalo foram, em grande parte, desperdiçados — exatamente como Mauro previu. Em 2006, a Petrobras comprou uma refinaria envelhecida em Pasadena, Texas, por US$ 1,2 bilhão, 30 vezes o valor pela qual ela tinha sido vendida no ano anterior. Os US$ 18,5 bilhões que já custam a nova refinaria Abreu e Lima, no Nordeste, equivalem a oito vezes o orçamento e a obra ainda não terminou. Ambos os projetos estão sendo investigados e nenhum deles deve gerar lucros, dizem analistas.

O escândalo da Petrobras supostamente mostra, ainda, como os políticos usaram a corrupção para manter-se no controle. O Brasil tem 35 partidos registrados, dos quais 27 são representados na Câmara dos Deputados. Muitas dessas legendas não têm nenhuma ideologia, existindo somente para lutar pelos fundos do orçamento que a Constituição destina aos partidos políticos. A lealdade deles está à venda, dizem cientistas políticos, o que significa, na maioria dos casos, a troca de votos por cargos no governo. De fato, cerca de 20 mil cargos de alto escalão da burocracia brasileira são nomeados politicamente, incluindo posições na Petrobras, onde, segundo os investigadores, executivos desviaram dinheiro ilicitamente para si próprios e para partidos.

O PT ascendeu ao poder prometendo acabar com a corrupção, mas acabou sendo atraído para ela, dizem membros de longa data do partido. Em 2005, o partido e o então presidente Lula, seu fundador, foram abalados pelo escândalo de compra de votos do Mensalão, que acabou levando à renúncia e à condenação, entre outros, de José Dirceu, na época chefe de gabinete do governo Lula. Mas a economia estava indo de vento em popa e Lula foi reeleito.

As 84 prisões resultantes até agora do escândalo da Petrobras mostram que, pelo menos, o Estado do Leviatã construiu um sistema judiciário forte e independente o suficiente para punir membros da elite.

[FNC: quero crer… Todos os membros da elite? Estou prá ver… Até agora, só vejo os “denunciantes premiados” desfrutando a boa via em suas casas em condomínios fechados de luxo e a pobre nomenclatura do PT no xilindró. E uma armação política sendo construída para salvar todos os outros corruptos dos demais partidos.]

A Constituição de 1988 tem parte do crédito, já que instituiu cargos vitalícios para juízes e promotores e pôs o orçamento do Judiciário fora da alçada dos políticos.

Nos últimos anos, o Ministério Público também ganhou a capacidade de usar delações premiadas em troca da redução das penas dos delatores. E os suspeitos não podem mais, como no passado, protelar sua prisão com repetidos recursos em tribunais de instância inferior.

[FNC: nos últimos anos, a Presidenta golpeada promulgou tais leis, inclusive a Lei de Acesso às Informações. Talvez por isso mesmo, não ser conivente com a corrupção, foi golpeada pelos parlamentares corruptos. Sob os aplausos da galera verde-e-amarela!]

A cultura do cumprimento das leis está se disseminando rapidamente, diz Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda. “As empresas estão convencidas de que precisam mudar sua maneira de agir.”

[FNC: apresentação do personagem para os jovens: Rubens Ricupero renunciou ao cargo de Ministro da Fazenda, em 6 de setembro de 1994, assim que se soube do vazamento, via satélite, de uma conversa sua com o jornalista da Rede Globo Carlos Monforte revelando alguns detalhes sobre o Plano Real, quando se preparava para entrar ao vivo no Jornal da Globo. O episódio ficou conhecido como Escândalo da Parabólica. O sinal do link via satélite que transmitiria a entrevista já estava aberto (Canal 23) e os lares cujas antenas parabólicas estavam sintonizadas no canal privativo de satélite da Rede Globo captaram a conversa informal do ministro com o jornalista Carlos Monforte (que também é cunhado de Ricupero – a irmã do jornalista é mulher do ex-ministro). Sua fala foi “Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde“. Ora, ora, um paladino do (falso) moralismo brasileiro…]

O que não está claro é se as investigações da Petrobras representam um divisor de águas para o Brasil ou somente uma iniciativa isolada liderada por uns poucos dispostos a exercer seu poder.

[FNC: quem aceita apostas? Depois do golpe, o próximo passo é tirar a concorrência popular de 2018 e ficar tudo por isso mesmo!]

“Um grande motivo para a independência do Judiciário não é uma nobre separação entre os poderes, mas um feliz subproduto das reivindicações de juízes e promotores que queriam ter segurança no emprego”, diz Ivar Hartmann, professor de direito da Fundação Getúlio Vargas.

Enxugar o Leviatã não vai ser fácil. Cerca de 85% do orçamento federal são destinados a gastos garantidos por leis, desde aumentos de aposentadorias até projetos de habitação. Mudanças exigiriam emendas constitucionais.

“O problema é que a única maneira de consertar a política é por meio dos políticos”, diz Ricupero. “Será que eles vão mesmo votar contra seus próprios interesses?

[FNC: quem aceita apostas?]

Agricultura sustenta Brasil

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s