Locaute Golpista ou “Quem Planta Rabanete Colhe Rabanete” (Oficial da PMSP)

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O Diretor do CEMEC, Carlos Antonio Rocca, o Superintendente Técnico, Lauro Modesto dos Santos Junior, e os Analistas Fernando Fumaggali e Marly Paes divulgaram no dia 31.08.2016 a Nota CEMEC 06:  Endividamento das Empresas Brasileiras: Metade das Empresas não Gera Caixa para Cobrir Despesas Financeiras em 2015/2016″nota-cemec-06-endividamento-das-empresas-brasileiras-31-08-2016.

Um sumário das principais variáveis que caracterizam o cenário macroeconômico do período da conspiração golpista (após passeatas de junho de 2013), sob exame do CEMEC, quando houve a retomada da disparidade do juro fixado pelo BCB, é indispensável para entender alguns dos fatores que influenciaram a evolução do endividamento e da capacidade de pagamentos das empresas não financeiras entre 2010 e 2016.

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Os gráficos acima ilustram que o grau de fragilidade financeira dessas empresas se agravou, significativamente, com a volta da Velha Matriz Neoliberal em 2015. Prova que, ao contrário do que dizem os golpistas, o problema foi este e não a chamada “Nova Matriz Macroeconômica” (2011-2014).

Na Tabela acima é apresentada a evolução de algumas variáveis cujo impacto sobre o desempenho das empresas é especialmente relevante. Há forte influência desses indicadores sobre a dívida e a capacidade de pagamento das empresas não financeiras da amostra.

A evolução do PIB real pode ser tomada como um indicador da demanda e por consequência um fator relevante para determinar a evolução das vendas e da receita operacional das empresas. Após a forte recuperação do impacto recessivo da crise de 2008, o crescimento anual do PIB apresenta clara tendência decrescente, até assumir forte queda em 2015 (‐3,85%) que se aprofundou nos 12 meses terminados no primeiro trimestre de 2016 (‐4,69%).

O índice de atividade calculado pelo BACEN estima a continuidade da queda do PIB no segundo trimestre de 2016. O Gráfico 01 abaixo mostra correlação existente entre as taxas de variação da receita operacional líquida das companhias abertas da amostra, exceto Petrobras, e as taxas de variação do PIB, que é 0,76.

pib-e-rol-sa-2010-16Os demais indicadores refletem a evolução dos componentes das despesas financeiras das empresas, referentes ao custo dos recursos captados nas suas principais fontes de dívida financeira. Pode‐se observar:

  1. a evolução da taxa média de juros do crédito bancário de recursos livres,
  2. a taxa média de financiamentos do BNDES,
  3. as taxas médias do CDI, utilizadas como o principal indexador dos instrumentos de dívida corporativa e
  4. a taxa de câmbio do dólar norte americano, principal indexador das operações de dívida em moeda estrangeira.

Verifica‐se que os indicadores de custo dos empréstimos em moeda nacional dados pela taxa de juros das operações de crédito livre, taxas médias dos financiamentos do BNDES e pelo CDI têm acentuado crescimento a partir de 2013, quando ficou impossível sustentar a forte redução da taxa SELIC adotada no segundo semestre de 2011.

A taxa de câmbio apresenta crescimento continuado entre 2010 e 2015, destacando‐se, entretanto, um salto de 47% em 2015, com forte impacto sobre a parcela da dívida das empresas em moeda estrangeira. A queda acumulada de 17,7% ocorrida nos dois primeiros trimestres de 2016 tem grande influencia sobre o valor em reais da dívida externa e despesas financeiras das empresas nesse período.

Reproduzo abaixo o Sumário Executivo:

a. OBJETIVO: analisar a evolução do endividamento e da capacidade de pagamento de uma amostra de empresas não financeiras brasileiras no período de 2010 a 2016, com base na evolução de alguns indicadores de dívida e geração de caixa dessas empresas;

b. AMOSTRA E BASE DE DADOS: demonstrações financeiras anuais de 256 empresas de capital aberto e 349 empresas fechadas, cuja dívida bruta em dezembro de 2015 representa 56,2% do sado total de todas as operações de dívida na forma de crédito bancário, instrumentos de dívida corporativa do mercado de capitais e dívida externa.

É importante lembrar que a amostra utilizada tem predominância de empresas grandes, com maior acesso ao crédito bancário e ao mercado de capitais, apresentando em geral níveis de endividamento maiores que as empresas de menor porte, que constituem a grande maioria das empresas brasileiras;

c. INDICADORES DE SITUAÇÃO FINANCEIRA: foram construídos vários indicadores para medir o endividamento e a capacidade potencial das empresas cobrirem o serviço de divida, composto de despesas financeiras e amortização das dividas de curto prazo (12 meses);

  • o indicador mais utilizado no trabalho usa dados de balanço e estabelece uma relação entre um indicador contábil de geração de caixa, dado pelo EBITDA, e as despesas financeiras;
  • considera‐se que as empresas enfrentam situação financeira difícil quando esse indicador é inferior à unidade;
  • é indispensável lembrar que EBITDA [EBITDA = Earnings Before Interest, Depreciation and Amortization] e despesas financeiras são apurados no conceito de competência, ou seja, não correspondem necessariamente a fluxos de caixa ocorridos no período a que se referem.

Foram construídos indicadores agregados da amostra total incluindo a Petrobrás e da amostra que exclui a Petrobras (exPetro).

d. CONCLUSÕES

“Os dados agregados de todas as empresas da amostra (ex‐Petro) indicam endividamento crescente entre 2010 e 2015 acompanhado de redução da relação entre geração de caixa (EBITDA) e despesas financeiras, com forte queda em 2015. Nesse ano, a geração de caixa passou a representar apenas 58% das despesas financeiras.

Uma proporção crescente das empresas da amostra teve redução da relação entre geração de caixa (EBITDA) e despesas financeiras a partir de 2011, com forte agravamento em 2015. Os efeitos combinados da recessão, desvalorização cambial e menor geração de caixa das vendas, fizeram com que quase metade (49%) das empresas apresentasse geração de caixa (EBITDA) inferior ao valor das despesas financeiras, porcentagem essa que era de 22,6% em 2010.

Dados do primeiro semestre de 2016 das companhias de capital aberto mostram ainda um aumento da proporção de empresas com geração de caixa inferior às despesas financeiras, de 50,2% em 2015 para 54,9% nos 12 meses terminados em junho de 2016, não se identificando ainda sinais de reversão desse quadro. 

O valor do saldo da dívida em moeda nacional das empresas com EBITDA inferior às despesas financeiras em 2015, da ordem de R$ 500 bilhões, representa 22% da soma do saldo de crédito bancário e títulos de dívida corporativa no mercado de capitais, porcentual esse que é quatro vezes maior que o observado em 2010, quando era de apenas 5,7%.

Dados do Banco Central mostram acentuado crescimento do volume de créditos renegociados, com a concessão de prazos maiores e carência. Trata‐se de procedimento adotado pelo sistema bancário para equacionar as dividas das empresas, reduzir o impacto de curto prazo sobre sua operação e aumentar a probabilidade de recebimento dos créditos quando a economia se recuperar. 

Ficou evidenciado que a situação financeira das empresas é o resultado da elevação do seu endividamento no período de 2010 a 2016, combinado com a queda das vendas e da redução da margem de geração de caixa (EBITDA/ROL), processo que atingiu seu ápice em 2015, com o agravamento da recessão e o forte impacto da desvalorização cambial e da elevação da taxa de juros sobre o valor da divida e das despesas financeiras a ela associadas. Com isso, metade das empresas da amostra não tem conseguido gerar caixa nem para cobrir as despesas financeiras. 

Não é fácil visualizar uma superação desses problemas sem a ocorrência de alguma retomada do crescimento das vendas, que permitiria também recuperar a margem de geração de caixa acompanhada da redução da taxa de juros. Fica evidente portanto, a forte dependência da recuperação financeira de um grande numero de empresas do sucesso da política de ajuste macroeconômico, em que expectativas consistentes de ajuste fiscal e estabilização da relação divida/PIB sustentarão a queda da taxa de juros com impacto positivo sobre o crescimento econômico”.

FNC: não é curiosa a insistência em um diagnóstico equivocadoo problema estaria nas Finanças Públicas e não nas Finanças Corporativas, devido ao grau de imprudência no endividamento — e, em consequência, em uma terapia estúpida — o ajuste fiscal com corte de direitos sociais e trabalhistas — que agravará o quadro depressivo?

Os analistas ortodoxos “relaxam e gozam” com a ação discricionária da instituição extrativista da renda do trabalho em favor da renda do capital: o Banco Central do Brasil. Com esse apoio, a diretoria vinda de O Mercado insiste em manter a disparidade da taxa de juros interna face à externa, que resulta na tendência à apreciação da moeda nacional (e perda da competitividade dos produtos nacionais) e na queda das vendas para consumo!

Para analista “chapa-branca” do PIG, a partir do estudo, “o que fica evidente é a dependência, para a recuperação dessas empresas, do sucesso da política econômica, em particular da política fiscal, para que se crie um ambiente em que a taxa de juros possa cair e a retomada do crescimento econômico seja sustentável”!

Invertem causa-e-efeito! Veja abaixo o que, de fato, provoca o déficit nominal do Setor Público: dos 10,1% do PIB,  mais de 3/4 (7,8% do PIB) é composto por juros e menos de 1/4 (2,3% do PIB) é déficit primário. O gasto com juros saíram de 4,8% do PIB em 2013 para 7,8% do PIB em abril de 2016, tendo alcançado 8,5% do PIB em 2015, e os neoliberais responsabilizam os gastos sociais pelo problema!

Juros e NFSP 2013-15Juros Nominais Apropriados jun 2016

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