Casta Universitária: 14% dos Adultos entre 25 e 64 anos

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Dados do relatório anual “Education at a Glance” (Um olhar sobre a educação) — Brazil-Education-at-a-glance-2016-OECD-Indicators –, que reúne estatísticas de 35 países do grupo, além de Rússia e Brasil, são usados pelos parceiros no programa de Indicadores dos Sistemas Educacionais Nacionais (ou INES), responsável pela construção de indicadores educacionais comparáveis internacionalmente. O relatório contempla também Argentina, China, Colômbia, Costa Rica, Índia, Indonésia, Lituânia, Arábia Saudita e África do Sul.

O acesso ao ensino superior no Brasil é baixo até mesmo em relação a outros países da América Latina. Só 14% entre 25 e 64 anos haviam concluído o ensino superior no Brasil em 2015, média consideravelmente menor que a de 35% dos países da OCDE). Mais baixo também que a média de países latinos que têm o dado disponível, de acordo com a OCDE: Chile (21%), Colômbia (22%), Costa Rica (23%), e México (16%).

A população total no Brasil está atingindo 206,5 milhões. Desconsiderando as crianças, são 22% jovens de 10 a 14 anos, 70% adultos de 15 a 64 anos e 8% de idosos com mais de 65 anos.

Um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa em parceria com o Ibope inteligência revelou que 27% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais, ou seja, não conseguem interpretar textos básicos ou realizar operações matemáticas simples. Para realizar o levantamento, o instituto fez um teste com duas mil pessoas, avaliando situações de leitura, escrita e uso da matemática no cotidiano.

Na avaliação da OCDE, o baixo alcance da educação superior no Brasil explica, pelo menos parcialmente, por que o retorno da educação sobre a renda é um dos mais altos do mundo entre os países que divulgam o dado. Um trabalhador com bacharelado no Brasil, por exemplo, ganha mais que o dobro de um que tenha concluído apenas o ensino médio. Quem completa mestrado ou doutorado, por exemplo, ganha mais de quatro vezes mais que aqueles que concluíram até o ensino médio.

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A geração mais jovem (25-34 anos de idade) mostra alguns sinais de progresso, tendo atingido 16% em Educação Superior, em comparação com 11% entre os de geração mais velha de 55 a 64 anos de idade.

Pelo menos parcialmente devido aos baixos níveis de universidade, o Brasil tem um dos maiores retornos sobre educação superior em todos os países com dados disponíveis. Um trabalhador com um grau de bacharel ganha mais do que o dobro um trabalhador cuja maior nível de realização é o ensino secundário. O prêmio é ainda maior para aqueles com mestrado ou doutorado (ou equivalente) completados: eles ganham mais de quatro vezes mais do que aqueles com educação secundária.

Como na maioria dos países, as pessoas altamente educadas no Brasil têm taxas de emprego mais elevadas: 72% das pessoas sem ensino superior e apenas com secundário são empregados, enquanto 88% das pessoas com um diploma de ensino superior estão ocupadas no mercado de trabalho.

Há relativamente baixa participação dos estudantes do ensino superior na pós-graduação em campos de estudo da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Apenas 14% dos estudantes de licenciatura e 28% dos estudantes de pós-graduação fazem mestrado das áreas de Ciências ou Engenharia, para fabricação e construção. Por outro lado, na OCDE, 22% dos estudantes de licenciatura e 21% dos estudantes de pós-graduação fazem mestrado nesses campos.

muito poucos estudantes internacionais na Educação Superior brasileira, respondendo por apenas 0,2% de todos os estudantes inscritos em programas de bacharelado. No nível de mestrado, os estudantes internacionais representam cerca de 1% de todos os formandos (média da OCDE, 12%), e a maioria deles em pós-graduação das áreas de Ciências ou Engenharia, para construção e fabricação.

Ligia Guimarães (Valor, 16/09/16) informa que o Brasil investe 3,5 vezes mais por aluno do ensino superior do que no ensino médio ou do fundamental, aponta levantamento divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O dado, de 2013, aponta que o gasto público por aluno do ensino superior no Brasil naquele ano foi de US$ 13.540, pouco menos que a média dos países da OCDE, que é de US$ 15.772.

Nos anos finais do ensino fundamental e médio, etapas apontadas como os grandes gargalos da educação no país, o gasto por aluno é pouco mais de um terço da média da OCDE: média de US$ 3.822 no Brasil, ante US$ 9.811 entre os países do grupo. Da primeira à quinta série do ensino fundamental, o gasto médio por aluno no Brasil é de US$ 3.826, enquanto a média da OCDE é de US$ 8.477.

De 2005 para 2013, o gasto público em educação no Brasil desde os primeiros anos do ensino fundamental (primeira a quinta séries) até o fim do ensino superior subiu de 4,1% para 5,5% do PIB. O percentual é mais alto que a média da OCDE, de 4,7%, e que o de outros países da América Latina, como Chile (4%), e México (4,5%).

Os dados da OCDE confirmam que os professores brasileiros da educação básica são muito mal remunerados. O piso salarial profissional nacional dos professores da educação básica no Brasil é US$ 12.337 por ano, menos da metade da média de US$ 31.000 observada nos países da OCDE. A média salarial brasileira é mais baixa também que a de outros países da América Latina, como Chile, México e Colômbia. Em países mais ricos, como Suíça, Alemanha e Luxemburgo, os salários iniciais dos professores são superiores a US$ 45 mil por ano. E, diferentemente da maior parte dos países da OCDE, o salário dos profissionais da educação no Brasil é o mesmo no ensino fundamental ou médio.

Diferentemente da maioria dos países da OCDE, o investimento público do Brasil nos níveis iniciais da educação é fortemente concentrado nos Estados e municípios, em razão do que é estabelecido pela Constituição. O relatório da OCDE destaca que países que gastam o mesmo valor podem ter desempenhos escolares bem diferentes. “Não há relação simples entre o gasto em educação e o desempenho dos alunos”, ressalta o relatório.

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