Metas contra o Consumismo

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Os ecologistas, como Erik Assadourian, Pesquisador Sênior do Worldwatch Institute e Diretor de Projeto do Estado do Mundo 2010, acham que o papel do consumo e a aceitação de diferentes tipos de consumo podem ser alterados culturalmente. Mais uma vez, embora a noção exata disso possa variar nos diferentes sistemas culturais, três metas simples deveriam ser válidas universalmente. Para os social-desenvolvimentistas, a impressão é que eles tratam questões complexas com simples palavras.

Em primeiro lugar, o consumo que desestabiliza de modo acentuado o bem-estar precisa ser fortemente desestimulado. Os exemplos nessa categoria são muitos: consumo excessivo de alimentos industrializados e junk foods, tabagismo, produtos descartáveis, casas gigantescas que levam à ocupação desordenada de áreas suburbanas e dependência do automóvel, bem como a males sociais como obesidade, isolamento social, longos trajetos para e do trabalho e maior uso de recursos.

Através de estratégias como regulamentação governamental das escolhas disponíveis aos consumidores, pressão social, educação e marketing social, é possível transformar certos comportamentos e escolhas de consumo em tabu. Ao mesmo tempo, é importante criar fácil acesso a alternativas mais saudáveis – como a oferta de frutas e legumes a preços compatíveis, como um substituto a alimentos não saudáveis.

Em segundo lugar, será importante substituir o consumo privado de produtos pelo consumo público, consumo de serviços ou até mesmo pelo consumo mínimo ou nenhum consumo quando possível. Aumentando-se o auxílio a parques, bibliotecas e sistemas de transporte público, assim como a hortas comunitárias, boa parte das escolhas de consumo não sustentáveis de hoje poderiam ser substituídas por alternativas sustentáveis – empréstimo de livros, viagens de ônibus no lugar de automóvel, cultivo de alimentos em hortas compartilhadas e lazer em parques.

O mais claro exemplo disso é o transporte. A reorganização da infraestrutura criando bairros onde se possa caminhar e oferecendo transporte público poderia trazer uma redução de impacto no transporte viário – que polui localmente, contribui com cerca de 17% do total das emissões de gás de efeito estufa e causa 1,3 milhão de óbitos por ano em decorrência de acidentes com automóvel. A supremacia dos automóveis é uma norma cultural, e não um fato natural, cultivada há décadas por interesses do setor automobilístico.

Mas isso pode, uma vez mais, ser redirecionado, retirando-se os carros das cidades, como Masdar em Abu Dhabi, Curitiba no Brasil, Perth na Austrália, e Hasselt na Bélgica já começaram a demonstrar. Por exemplo, a câmara municipal de Hasselt, que enfrentava rápido aumento no uso de automóvel e déficit orçamentário, decidiu, em meados dos anos 90, fortalecer o sistema de transporte público e oferecê- lo gratuitamente a todos os residentes em vez de construir outro anel viário dispendioso. Nos 10 anos seguintes, o transporte por ônibus decuplicou, ao mesmo tempo em que o trânsito refluiu e a receita da cidade aumentou em consequência de um centro revitalizado.

Em terceiro lugar, os bens que de fato continuem a ser necessários devem ser projetados para durar mais e ser “cradle to cradle” – isto é, os produtos não devem produzir resíduos, devem usar recursos renováveis e ser totalmente recicláveis no final de sua vida útil.

Como explica Charles Moore, que seguiu o trajeto de resíduos plásticos no oceano: “Apenas nós, seres humanos, produzimos resíduos que a natureza não consegue digerir”, uma prática que terá que cessar.

O cultivo à obsolescência psicológica e física precisará ser desestimulado de modo que, por exemplo, um computador continue a ser funcional, possa ser atualizado e continue na moda por dez anos, e não um. Em vez de receber elogios de amigos pelo fato de ter o último lançamento de um telefone ou máquina fotográfica, ter um “velho amigo fiel” que tenha durado vários anos é o que será comemorado.

Ter o discernimento sobre quais valores, normas e comportamentos devem ser entendidos como naturais será determinante para a reorientação de culturas que visem a sustentabilidade.

Claro está que essa transformação cultural não será fácil. Mudar sistemas culturais é um longo processo medido em décadas, não em anos. Mesmo o consumismo, com avanços tecnológicos sofisticados e muitos recursos a ele dedicados, levou séculos para se tornar dominante. A mudança para uma cultura de sustentabilidade dependerá de redes potentes de pioneiros culturais que iniciem, defendam e façam avançar esse novo e urgentemente necessário paradigma. (Veja Quadro 2).

Como demonstrado pela disseminação do consumismo, as mais expressivas instituições culturais podem ser utilizadas por agentes específicos e podem desempenhar um papel central no redirecionamento de normas culturais – seja o governo, a mídia ou a educação.

FNC: E a Política? Esta é a ação coletiva dirigida para a defesa de determinados interesses face aos demais interesses.

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