Rede de Relacionamentos: Panaceia

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O segredo da felicidade não é a ignorância, tampouco a redução das expectativas. Riqueza e fama, obsessões dos mais jovens, também não garantem nada. A chave para uma vida longa e feliz, revelam pesquisadores de Harvard, nos Estados Unidos, é a força dos relacionamentos com o parceiro, principalmente, mas também com a família e os amigos.

Atual diretor do estudo que descobriu a “fórmula mágica”, o psiquiatra Robert Waldinger se tornou uma celebridade disputada em todo o mundo. Na internet, uma palestra que ele proferiu sobre o tema já teve mais de 10 milhões de visualizações.

Em entrevista concedida à Folha (FSP, 06/09/16), o psiquiatra afirma que os resultados foram além do esperado. “Não me surpreende saber que relações fortes não só tornam as pessoas mais felizes, mas também as tornam mais saudáveis”, diz.

Com base em dados coletados durante quase oito décadas, os pesquisadores observaram que a manutenção de relacionamentos significativos é o principal fator de influência para o bem-estar e a saúde, capaz de reduzir o risco de doenças crônicas e mentais e a perda de memória.

E relacionamento forte não é sinônimo de “mar de rosas” – as relações podem, sim, ter seus altos e baixos. “O importante é que as pessoas sintam que podem contar com o outro nos momentos difíceis”, diz Waldinger.

No campo profissional, vale a mesma regra. Aqueles que procuram novas amizades depois da aposentadoria são mais felizes e saudáveis do que os que largam o trabalho e, com ele, os laços sociais.

A pesquisa, que gerou centenas de artigos científicos e alguns livros, começou com 268 alunos de Harvard, em Boston, em 1938. “O objetivo inicial era acompanhar jovens homens saudáveis para saber quais fatores eram mais importantes em seu desenvolvimento”, afirma Waldinger.

Na mesma época, um professor da universidade começou um estudo com homens dos bairros mais pobres da cidade. Mais tarde, 466 desses jovens –que vieram de lares problemáticos, mas não caíram na delinquência– passaram a ser avaliados junto com os universitários.

Os participantes preenchem a cada dois anos um questionário com perguntas sobre saúde física e mental, trabalho, relações amorosas, amizades e filhos.

Com o tempo, foram incluídas questões sobre o impacto físico e emocional do envelhecimento. As perguntas também foram mudando ao longo dos anos, para incorporar novas descobertas da ciência. “Aprendemos que a solidão afeta não só o bem-estar emocional mas também a saúde física, algo que desconhecíamos em 1938 ou na década de 1950″, explica.

Em um intervalo maior, a cada cinco anos, são coletados exames médicos dos participantes, que hoje incluem até amostras de DNA. Por fim, a cada dez anos é realizada uma entrevista presencial.

O estudo também apontou os grandes vilões de uma vida saudável e feliz. Nesse ponto, no entanto, não há muitas surpresas.

Para envelhecer bem fisicamente, a atitude única mais importante é não fumar. Já o álcool deve ser consumido com moderação, porque o abuso da substância é a primeira causa de divórcio e está relacionado à depressão.

O uso crescente das mídias eletrônicas também é visto com preocupação. Assim como nas décadas de 1950 e 60, quando a difusão da TV afastou milhões de pessoas de atividades comunitárias e as jogou no sofá, o tempo diante das telas de celulares e tablets vem reduzindo o contato interpessoal e ajudando a formar uma visão distorcida – e ameaçadora – do mundo.

“Na TV, grande parte da programação é sobre crimes e desastres naturais, o que dá a impressão de que o mundo todo está constantemente engolfado em chamas e todo mundo matando todo mundo. Isso faz com que as pessoas se sintam amedrontadas e estressadas”, alerta.

Desde 2003, quando assumiu a pesquisa, Waldinger abriu o leque para incluir algumas mulheres e filhos dos participantes originais –as “crianças” estão hoje na casa dos 60 anos.

“A impressão que temos é que as mulheres dão mais atenção às relações. São elas que fazem os homens se comprometerem com a pesquisa. Esperamos saber mais ao estudar a próxima geração”, diz.

Agora, o estudo segue com os 20 participantes originais do estudo de Harvard que continuam vivos, com idade média de 96 anos, e 80 homens uma década mais jovens do outro grupo.

E por que justamente esses chegaram até aqui? “Não sabemos com certeza o que permitiu que esses homens em especial estejam vivos. Muitos fatores contribuem, inclusive uma dose de sorte. Vemos que pessoas que cuidam de si, não fumam, não abusam de álcool, fazem exercícios regularmente e sofrem menos estresse, além de ter relações felizes, vivem mais tempo, em média“, conclui o psiquiatra.

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