Governança Financeira, Sistema Bancário e Instabilidade Financeira no Brasil: Pesquisa de Felipe Rezende

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Tive o prazer de assistir a palestra no Congresso da ANGE e depois conhecer, pessoalmente, o Felipe Rezende, jovem professor do Hobart and William Smith Colleges – USA. Finalmente, vi um pós-keynesiano talentoso fazendo pesquisa empírica sobre a economia brasileira sem a preocupação de ficar louvando Keynes!

Antes de 2007, a economia brasileira experimentou um crescimento econômico significativo e um melhoria das condições econômicas de sua população. A crise financeira mundial, as respostas com política e regulamentação acionada para lidar com o colapso dos sistemas financeiros de uma série de países desenvolvidos, a propagação do risco sistêmico no sistema financeiro global e o impacto no desempenho da economia real, tudo isso foi decisivo para a reversão das expectativas otimistas predominantes até a explosão da bolha e fim do boom de exportação de commodities em setembro de 2011.

A este respeito, a resiliência e a estabilidade dos sistemas econômico e financeiro brasileiros receberam especial atenção por eles terem atravessado de forma relativamente suave, de imediato, a crise financeira global 2007-2008. Observando estes eventos, os tomadores de decisões políticas e os economistas apontavam antes para a robustez da economia do Brasil e sua resiliência à crise financeira global.

Centrando-se sobre as condições que existiam no sistema financeiro dos EUA, antes da crise “subprime”, os analistas ignoraram completamente a importância dos efeitos desestabilizadores de estabilidade em estruturas financeiras e a crescente fragilidade financeira da economia brasileira. Em particular, após uma década de crescimento e de melhoria das condições econômicas significativas, as consequências da crise financeira de 2007-2008 levaram a uma mudança fundamental no ambiente econômico brasileiro.

O artigo de Felipe Rezende – Financial Fragility, Instability and the Brazilian Crisis- WP MINDS – 2016-01  tenta fornecer uma visão alternativa da crise brasileira demonstrando a relevância do trabalho de Hyman P. Minsky para entender a crise atual da economia brasileira. Destaca os limites para o financiamento externo das empresas não-financeiras e a inadequação das políticas de ajuste fiscal para estabilizar a economia. Em particular, este artigo usa a abordagem de um Keynes-Minsky-Godley para analisar a pior crise econômica do Brasil desde os anos 1930.

Este projeto de FELIPE REZENDE, apoiado pela Fundação Ford, está realizando pesquisas fundamentadas no referencial teórico de Hyman Minsky. Centra-se sobre os efeitos desestabilizadores da estabilidade em estruturas financeiras e a necessidade de redesenhar a estrutura regulatória para atender continuamente os seus objetivos de estabilidade financeira e fornecer financiamento para o desenvolvimento.

O esforço de investigação está investigando as mudanças estruturais no sistema financeiro brasileiro e seu quadro regulamentar, com destaque para as mudanças recentes no sistema financeiro brasileiro, a fim de identificar as antigas e novas fontes de estabilidade e instabilidade. Visa sugerir políticas para a reforma da arquitetura financeira do Brasil, para aumentar a estabilidade sistêmica, bem como a capacidade de fornecer financiamento para o desenvolvimento por parte das instituições financeiras privadas e do sistema financeiro público. Este tem papel-chave na prestação de serviço de financiamento em longo prazo para o desenvolvimento e de financiamento para a inovação.

Leia mais:

Felipe Rezende – Developing-long-term-funding-in-Brazil – MINDS-2015

Felipe Rezende – Minsky: Financial-governance-banking-and-financial-instability-in-Brazil-Apresentacao-no-Rio-sept-2013

WHY DOES BRAZIL’S BANKING SECTOR NEED PUBLIC BANK? WHAT SHOULD BNDES DO?

By Felipe Rezende

LONG TERM CORPORATE FINANCING IN BRAZIL: IS BRAZIL BECOMING “NORMAL”?

By Ernani Teixeira Torres Filho e Luiz Macahyba

FOREIGN EXCHANGE DERIVATIVES, BANKING COMPETITION AND FINANCIAL FRAGILITY IN BRAZIL

By Daniela Magalhães Prates e Maryse Farhi

MINSKY’S IRRECONCILABLE MASTERS GOVERNING FINANCIAL REGULATION AND FINANCIAL STRUCTURE

By Jan Kregel

BLOG POSTS — Blog The Multiplier Effect

Is there a solution to Brazil’s crises?, The Multiplier Effect, April 5, 2016

Endogenous financial fragility in Brazil: Does Brazil’s National Development Bank reduce external fragility?, The Multiplier Effect, September 22, 2015

Reactions to S&P Downgrade: S&P analyst confirms there is no solvency issue, The Multiplier Effect, September 17, 2015

Credit Rating Agencies and Brazil: Why The S&P’s Rating About Brazil Sovereign Debt Is Nonsense, New Economic Perspectives, September 12, 2015

S&P threatens to downgrade Brazil to junk, The Multiplier Effect, July 30, 2015

Did Ms. Rousseff’s epiphany come too late?, The Multiplier Effect, October 15, 2014

Keynes’s Relevance and Krugman’s Economics, Economic Perspectives From Kansas City, August 18, 2009

Another Embarrassing Blunder by Chairman Bernanke, Economic Perspectives From Kansas City, July 22, 2009

Another Great Depression?, Economic Perspectives From Kansas City,  July 20, 2009

A note on Automatic Stabilizers, Economic Perspectives From Kansas City, July 16, 2009

The Congressional Budget Office’s Long-Term Budget Outlook (with Stephanie Kelton), Economic Perspectives From Kansas City, June 26, 2009

The Financial Instability Hypothesis, Economic Perspectives From Kansas City, June 25, 2009

OP-EDS

Minsky Meets Brazil, Part II, New Economic Perspectives, August 22, 2016

O papel do BNDES, Folha de SP, August 17, 2016

Cortar juros não basta para melhorar situação das empresas, Folha de SP, August 17, 2016

Minsky Meets Brazil, Part I, New Economic Perspectives, August 10, 2016

Por que o Brasil sofre uma das piores crises de sua história?, Valor Econômico, August 4, 2016

Não é jabuticaba, Op-ed article, Valor Econômico, May 2, 2016

A sintonia fina entre o Tesouro e Banco Central, Op-ed article, Valor Econômico, April 13, 2016

A instabilidade sistêmica do Brasil, Op-ed article, Valor Econômico, March 29, 2016

Existe alternativa às operações compromissadas do BC, Op-ed article, Valor Econômico, March 7, 2016

Há algo novo na relação entre o Tesouro e o Banco Central?, Op-ed article, Valor Econômico, February 2, 2016

A dívida pública é sustentável?, Op-ed article, Valor Econômico, December 15, 2015

Qual deve ser o limite para a dívida da União?, Op-ed article, Valor Econômico, December 3, 2015

Velhos argumentos sobre o crédito de longo prazo, Op-ed article, Valor Econômico, October 21, 2015

BNDES, fragilidade financeira e vulnerabilidade externa, Op-ed article, Valor Econômico, September 15, 2015

Havia como prever a gravidade da crise econômica?, Jornal GGN, August 27, 2015

OP-EDS

“A presente crise econômica brasileira é diferente das demais,” interviewed by Instituto Humanitas Unisinos – IHU on-line, June 21, 2016.

O Xadrez dos cabeças de planilha,” Interviewed by Luis Nassif from GGN, June 14, 2016.

“Estudo vê BNDES mais eficiente que pares globais e privados brasileiros,” Interviewed by Flavia Lima, Valor Econômico, January 14, 2015.

JOURNAL ARTICLES

“Demand For Financial Assets And Monetary Policy: a restatement of the liquidity preference theory and the speculative demand for money,” Journal of Post Keynesian Economics, Volume 38, Issue 1, pages 64-92.

“Unconventional Monetary Policy in Advanced Economies, Liquidity Trap, and Asset Prices: a critical essay in monetary theory,” Forthcoming Journal of Post Keynesian Economics.

“Why does Brazil’s banking sector need public banks? What should BNDES do?” PSL Quarterly Review, v. 68, n. 274, oct. 2015.

“Restoring Abundance through the High Efficiency”, with William Waller. Journal of Economic Issues, vol. 47(2), pages 367-374.

“The Structure and the Evolution of the U.S. Financial System during the 1945-1986 Period: A Minskian Approach Explaining the Emergence of Shadow Banking”, International Journal of Political Economy. Summer 2011.

“The Nature of Government Finance in Brazil,” International Journal of Political Economy, 38(1), pages 81-104.

The current Brazilian crisis fits with Minsky’s theory of instability (see here, here, and here). This last part of the series will focus on the Brazilian response to the crisis: Minsky meets Brazil Part IV

Obs.: veja e analise as figuras abaixo na ordem inversa, ou seja, de baixo para cima.

Figure 8. Employment fluctuations during the business cycle (current system vs JG)mmbiv_fig8

 Figure 7. Total infrastructure stock (% of GDP)mmbiv_fig7  Figure 6. Public Investment (% of GDP)mmbiv_fig6Figure 5. Domestic federal public debt (DFPD) refinancing; issuances and redemptions in 2015 mmbiv_fig5-1024x335  Figure 4. Sectoral financial balances and traditional policy goalsmmbiv_fig4Figure 3. Unit Labor cost (ULC-US$ – June/1994=100) and the unemployment rate
mmbiv_fig3  Figure 2. A Minsky Crisis and “Washington Consensus” Crisis (1995-2013 average)mmbiv_fig2  Figure 1. Real Growth (deflated by IPCA) of Revenues and Expenses of the Central Government, Year to Date Growthmmbiv_fig1Figure 16. Government Regulated prices and CPI (IPCA) inflation
minsky-meets-brazil-iii_fig16-1024x336  Figure 15. Contribution to government regulated pricesminsky-meets-brazil-iii_fig15  Figure 14. Government-regulated and market pricesminsky-meets-brazil-iii_fig14  Figure 13. Brazil GDP, China GDP and commodity pricesminsky-meets-brazil-iii_fig13  Figure 12.  Government balance % of GDP (accumulated in 12 months)minsky-meets-brazil-iii_fig12  Figure 11. Average Selic rate (% p.y) and average cost of domestic public debt (DFPD) and federal public debt (FPD)minsky-meets-brazil-iii_fig11  Figure 10. Tax Reliefs and Exemptions (% of GDP)minsky-meets-brazil-iii_fig10Figure 9. Petrobras CAPEX – USD billion
minsky-meets-brazil-iii_fig9  Figure 8. Capacity utilization – manufacturing industry (FGV) – %minsky-meets-brazil-iii_fig8  Figure 7. Industrial production index – s.a. (2002=100)minsky-meets-brazil-iii_fig7  Figure 6. Business cycle: fixed investment and GDP growth (four-quarter moving average of year-over-year change)minsky-meets-brazil-iii_fig6  Figure 5. Confidence Index (FGV) – seasonally adjustedminsky-meets-brazil-iii_fig5  Figure 4. Earnings before income taxes (EBIT) over financial expensesminsky-meets-brazil-iii_figr4Figure 3. Return on Equity and CDI (% p.y) minsky-meets-brazil-iii_fig3  Figure 2. Return in invested capital and weighted average cost of capitalminsky-meets-brazil-iii_fig2Figure 1. Publicly traded and closed companies profits and profitability
minsky-meets-brazil-iii_fig1-1024x362  Figure 14. Non financial companies and households investment financing % of totalfig15Figure 13. Ibovespa in USD and BRL/USD exchange rate
fig14Figure 12. Non-financial companies gross dividends and interest payments as a share of undistributed corporate profits
fig13-1024x295  Figure 11. Non-financial companies gross dividends and interest payments as a share of gross operating surplusfig12  Figure 10. Debentures nominal yield by rating and Swap Pré-DI- (2-YR) (% p.y)fig11-1024x358  Figure 9. Corporate indebtedness as share of gross operating surplus and debt service ratiofig9-1024x389  Figure 8. Private sector debt as % of GDPfig8Figure 7. Non-financial private sector debt as % of GDP
fig7  Figure 6. Corporate sector balance as % of GDPfig6 Figure 5. Household indebtedness and debt service ratios

fig5-1024x356  Figure 4. Financial Balances by institutional sector as a percentage of GDPfig4  Figure 3. Sectoral Financial Balances – % of GDP (1995-2013)fig3  Figure 2. Net profits and profitabilityfig2  Figure 1. Financial Balances % of GDPfig1  Figure 6. Net Public and Private Sector debt as a percentage of GDPrezende_minsky-meets-brazil_fig6  Table 1. Global imbalancesrezende_minsky-meets-brazil_table1  Figure 5. Brazil GDP, China GDP and commodity pricesrezende_minsky-meets-brazil_fig5Figure 4. Commodity Price Indices (2005 = 100) and terms of trade
rezende_minsky-meets-brazil_fig4  Figure 3. World Trade and Industrial Productionrezende_minsky-meets-brazil_fig3  Figure 2. Current account and trade balance (% of GDP)rezende_minsky-meets-brazil_fig2  Figure 1. Global current account balances (% of world GDP)rezende_minsky-meets-brazil_fig1

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