História sem Causa ou Passado não é causa do Futuro

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“A história é como um museu aonde podemos ir para ver o repositório do passado e saborear o charme dos tempos antigos. Ela é um espelho maravilhoso no qual podemos ver nossas próprias narrativas”.

A história é útil pela emoção de se conhecer o passado e pela narrativa, de modo realista, desde que permaneça uma narrativa inofensiva. Deve-se aprender sobre o passado com extremo cuidado.

A história, certamente, não é um lugar para teorizar nem para derivar conhecimento geral, tampouco deve ajudar no futuro, sem algum cuidado. Podemos obter confirmação negativa da história, o que tem um valor incalculável, “mas obtemos com ela muitas ilusões de conhecimento“.

O que traz Nassim Nicholas Taleb, em “A lógica do Cisne Negro: O impacto do altamente improvável”, novamente, ao tratamento do problema do peru [leia o post Síndrome do Peru de Natal] e como não ser um trouxa em relação ao passado. A abordagem usada pelo empirista em relação ao problema da indução foi saber história sem teorizar a partir dela.

Aprenda a ler história, pegue todo o conhecimento que puder, não esnobe a anedota, mas não crie nenhuma ligação causal, não tente fazer engenharia reversa demais — mas, se fizer, não faça grandes alegações científicas.

Lembre que os céticos empíricos tinham respeito pelo costume: utilizavam-no como um padrão, uma base para a ação, e para nada mais além disso. Eles chamavam essa abordagem limpa do passado de epilogismo. Pode-se ter uma Teoria do Epilogismo com o ditado: “Você pode observar muita coisa apenas olhando”.

Mas a maioria dos historiadores tem outra opinião. Considere a introspecção representativa O que é história?, de Edward Hallett Carr. Você irá encontrá-lo perseguindo explicitamente a causação como um aspecto central de seu trabalho.

Você pode ir mais alto. Herodotus, tido como o pai do assunto, definiu seu propósito na abertura de sua obra: “Para preservar uma memória dos feitos dos gregos e dos bárbaros, e em particular, além de tudo mais, para atribuir uma causa [grifo de Taleb] para lutarem entre si”.

Vê-se o mesmo com todos os teóricos da história, seja Ibn Khaldoun, Marx ou Hegel. Quanto mais tentamos transformar a história em qualquer coisa que não uma enumeração de relatos a ser desfrutada com o mínimo de teorização, mais temos problemas. Não somos afligidos assim pela falácia narrativa?

Podemos ter que esperar por uma geração de historiadores cético-empiristas capazes de compreender a diferença entre:

  1. um processo para a frente e
  2. um processo reverso.

Assim como Popper atacou os historicistas por fazerem alegações sobre o futuro, Taleb apresentou as fraquezas da abordagem histórica no processo de conhecer o próprio passado.

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