Troca de Causa e Efeito: Dominância Financeira por Dominância Fiscal

nfsp-2014-2016Primeiro, a causa principal (7,8% do PIB) da elevação do déficit nominal (NFSP: 10,1% do PIB) foi a brutal elevação da taxa de juros com a volta da Velha Matriz Neoliberal (VMN) em 2015 — elevação do pagamento de juros de 5,5% do PIB em 2014 para 8,5% do PIB em 2015 — e não tanto “benefícios sociais” (déficit primário de 2,3% do PIB) como os farsantes sugerem, contrariando os dados oficiais do BCB (veja tabela acima). Em nome de manter o governo brasileiro solvível, isto é, podendo pagar os juros abusivos que deve aos rentistas, os golpistas impõem enorme sacrifício social.

pib-1962-2016pib-per-capita-desocupac%cc%a7a%cc%83o-e-ipca-com-vmnVeja que o turning point [ponto de inflexão] nas curvas dos principais indicadores macroeconômicos (renda, desemprego e inflação) ocorre, em 2015, com o processo de estelionato eleitoral (VMN), locaute empresarial e golpe parlamentarista.

divida-em-altaAgora, trocando efeito (elevação da dívida) por causa (alta dos juros), os “chapa-brancas” buscam vender a ideia de que o que governo golpista e usurpador está aprovando no Congresso Nacional, de maneira oportunista, é inelutável.

Dizem: “é inegável que o país enfrenta uma grave crise fiscal. O salto na dívida bruta (de quase 20 pontos percentuais desde dez/13) e a volta dos déficits primários em 2014 (que andavam desaparecidos desde 1997) são apenas dois exemplos de que a situação anda complicada. As perspectivas para os próximos anos, sobretudo levando em conta a transição demográfica, adicionam mais preocupação ao quadro, tornando-o uma verdadeira tragédia”.

composicao-da-despesa-bruta-de-pessoal-nos-estados-2012-2016

Finalmente, um colunista (Marcos Nobre, professor de Filosofia Política da Unicamp e pesquisador do Cebrap – Valor, 17/10/16) escreveu (+/-) o que eu penso a respeito da tal PEC 241:

“Salvo engano, a única a explicitar corajosamente o pressuposto político maior da PEC foi Zeina Latif. Ao comentar o prazo de 20 anos do Novo Regime Fiscal, disse a economista, em reportagem de Tainara Machado no Valor: ‘Essa questão temporal é importante para acalmar agentes econômicos.[?!] Se, em 2018, ganhar um governo populista, de esquerda ou de direita, teremos um regime fiscal institucionalmente mais sólido’.

[FNC: veja como os sábios-pregadores tendem a ver a democracia eleitoral como risco de um “governo populista, de esquerda ou de direita”! Ora, populista é todo aquele presidente que vai priorizar demandas populares e não raciocínios supostamente “científicos” de donos-da-verdade, ou seja, a razão prática e não a razão pura. Os “intelectuais-coxinhas” preferem o oportunismo golpista de um governo sem votos para implementar suas ideias que beneficiam as castas dominantes — comerciantes-industriais-financistas, guerreiros-policiais-juízes, sábios-tecnocratas — em prejuízo da castas dos trabalhadores e párias…]

A PEC 241:

  1. pressupõe que o Congresso seja incapaz, a cada ano, de produzir um orçamento responsável, realista e efetivo, em acordo com as condições e as informações disponíveis;
  2. pressupõe que o sistema político seja incapaz de coordenar e dirigir o país em condições democráticas sem a existência de uma trava prévia à sua atuação.

E essa desconfiança em relação à democracia e ao sistema político não vale apenas para o governo atual, mas principalmente, para todos os cinco futuros governos que vierem a ser eleitos no período previsto de vigência da PEC.

A trava constitucional significa que qualquer governo futuro dependerá de alcançar três quintos dos votos na Câmara e no Senado para estabelecer entendimento diferente, uma dificuldade ainda maior do que vencer uma eleição presidencial. A trava orçamentária e a trava política são dois lados de uma mesma moeda.”

[FNC: escrevi em 22/07/2016 — “Me engana que eu gosto: teto para manutenção real dos gastos públicos”:

Para o governo golpista, no entanto, esse não é um caminho, mas o “único” caminho para se conseguir uma redução estrutural da taxa de juros e o país voltar a crescer! A política monetária teria, hipoteticamente, campo para corte dos juros, que começaria no segundo semestre. Ora, essa falsa hipótese baseia-se na premissa equivocada que a taxa de juro real está elevadíssima para controlar a demanda agregada, quando a capacidade produtiva ociosa atinge nível recorde!

Esse plano de Meirelles não dará certo pela simples razão que é equivocado, conceitualmente, e será enterrado, pragmaticamente, pois “não se amarra cachorro com linguiça”. Será o ser humano tão irracional para gerar uma prisão e/ou uma amarra para si?!

Como não faltará de apoio político de BBBB (Bancadas da Bíblia, do Boi, da Bola e da Bala), barganhando com o governo golpista uma cobertura oficiosa para seus malfeitos, essas e outras medidas que virão para tratar da deterioração fiscal serão aprovadas. Mas não se iluda com a postura “me engana que eu gosto”.]

reforma-previdenciariaVeja mais2016-09-15 – Apresentação de Mansueto Almeida da SAE-MINFAZ no BNDES

4 thoughts on “Troca de Causa e Efeito: Dominância Financeira por Dominância Fiscal

  1. Impressionante como não há mea culpa. Alegar que a responsabilidade das altas taxas de juros é por causa da Velha Matriz Neoliberal é demais…..Esses argumentos só enfraquecem a posição da esquerda.

  2. “A PEC 241:

    pressupõe que o Congresso seja incapaz, a cada ano, de produzir um orçamento responsável, realista e efetivo, em acordo com as condições e as informações disponíveis;

    pressupõe que o sistema político seja incapaz de coordenar e dirigir o país em condições democráticas sem a existência de uma trava prévia à sua atuação.

    E essa desconfiança em relação à democracia e ao sistema político não vale apenas para o governo atual, mas principalmente, para todos os cinco futuros governos que vierem a ser eleitos no período previsto de vigência da PEC.”

    Obrigado professor por me fornecer mais um argumento favorável à PEC 241!!!

    Sejamos honestos, quem acredita e/ou confia em nosso atual sistema político composto pelas “Bancadas BBBB”.

    Quanto menor a margem de liberdade dos políticos e burocratas, mais a população pode respirar.

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