Evolucionismo Cultural: Textos de Morgan, Tylor e Frazer

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A coletânea de textos clássicos de Antropologia, “Evolucionismo Cultural: Textos de Morgan, Tylor e Frazer” (Rio de Janeiro; Zahar; 2a. ed., 201?), tiveram seus textos selecionados por Celso Castro, que fez também sua apresentação e revisão. Ensinamos Economia Evolucionária na nossa disciplina de Doutoramento, Economia Interdisciplinar. Por isso, é interessante conhecermos como a Antropologia recebeu (ou não) influência da metodologia do evolucionismo darwinista.

Resumimos em seguida parte da Apresentação de Celso Castro sobre essa relação entre “Evolução Biológica e Evolução Cultural”.

Há diferenças entre os autores do período clássico do Evolucionismo Cultural em relação a aspectos tanto teóricos quanto de interpretação etnográfica – estudo descritivo de grupos sociais, de suas características antropológicas, sociais, etc., ou seja, o registro descritivo da cultura material de um determinado povo.  Também ocorreram mudanças ao longo da produção acadêmica de cada um deles, tomados individualmente. No entanto, pode-se, com relativa facilidade, sintetizar as principais ideias gerais dos autores evolucionistas da Antropologia, que eram em grande medida convergentes.

Antes, porém, é preciso desfazer um equívoco bastante comum: pensar que a ideia de evolução como explicação para a diversidade cultural humana é decorrência direta da ideia de evolução biológica, tendo como marco a publicação, em 1859, do livro do naturalista inglês Charles Darwin (1809–1882), On the Origins of Species by Means of Natural Selection; or, The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life [Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural; ou, a preservação das raças favorecidas na luta pela vida].

Darwin argumentou que as espécies existentes haviam se desenvolvido lentamente a partir de formas de vida anteriores, e apontou como mecanismo principal desse processo a Teoria da “Seleção Natural” através de variações acidentais. Em meados dos anos 1870, talvez a maior parte das pessoas cultas na Europa e na América do Norte já tivesse aceito as ideias de Darwin.

Muitas vezes, no entanto, a compreensão de sua teoria era vaga e superficial. Um dos fatores fundamentais para a aceitação da ideia de evolução era sua associação com a ideia de progresso, cuja imagem mais comum é a de uma “escada” cujos degraus estão dispostos em uma hierarquia linear. Geralmente, o evolucionismo era percebido como a expressão científica desse princípio mais antigo e geral.

É também importante perceber que a chamada “revolução” darwinista ocorreu em paralelo ao enorme alargamento do tempo histórico da espécie humana, para muito além dos cerca de cinco mil anos apontados pela tradição bíblica. Em 1858, foram descobertos artefatos humanos junto com ossos de mamutes e outros animais extintos na caverna de Brixham, próxima à cidade de Torquay, na Inglaterra. Com isso, o mundo “antediluviano” recuou muito no tempo, tornando-se “pré-histórico”.

Na mesma época, descobertas similares foram feitas na França, igualmente comprovando a grande antiguidade do homem sobre a terra. Indiretamente, essas descobertas reforçavam a suposição de que teríamos descendido de formas “inferiores” de vida há muito extintas.

O impacto do livro de Darwin e dessas descobertas paleontológicas foi enorme, estendendo-se para além de seus campos científicos específicos e influenciando a Teologia, a Filosofia, a Política e também a nascente Antropologia. No entanto, para aqueles que, nas décadas de 1860 e 1870, se dedicaram a estudar a história do progresso humano — autores como Johannes Bachofen, Henry Maine, Fustel de Coulanges, John Lubbock, John Ferguson McLennan, Lewis Henry Morgan e Edward Burnett Tylor — a influência da obra do filósofo inglês Herbert Spencer (1820–1903) teve maior impacto do que as teorias darwinistas.

Aliás, Darwin não foi o primeiro a dar uma definição rigorosa de “evolução”. Essa palavra só apareceu na 6ª edição, de 1872, da Origem das Espécies. A razão que levou Darwin a finalmente usar essa palavra, 13 anos após a primeira edição de seu livro, é que ela se havia tornado amplamente conhecida. O grande responsável por sua popularização foi Herbert Spencer, que já havia usado “evolução” em seu livro Social Statics [Estática social], de 1851.

Em seu texto “Progress: Its Law and Cause” [Progresso: sua lei e causa], de 1857, Spencer generalizou o processo evolucionário para todo o cosmo. O avanço do simples para o complexo, através de um processo de sucessivas diferenciações, é igualmente visto nas mais antigas mudanças do Universo que podemos conceber racionalmente e indutivamente estabelecer:

  1. ele é visto na evolução geológica e climática da Terra, e de cada um dos organismos sobre sua superfície;
  2. ele é visto na evolução da Humanidade, quer seja contemplada no indivíduo civilizado, ou nas agregações de raças;
  3. ele é igualmente visto na evolução da Sociedade com respeito a sua organização política, religiosa e econômica; e
  4. é visto na evolução de todos os infindáveis produtos concretos e abstratos da atividade humana.

Enquanto a Teoria Biológica de Darwin não implicava uma direção ou progresso unilineares, as ideias filosóficas de Spencer levavam à disposição de todas as sociedades conhecidas segundo uma única escala evolutiva ascendente, através de vários estágios. Essa se tornaria a ideia fundamental do período clássico do evolucionismo na Antropologia.

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