Golpe dentro do Golpe: Esvaziamento do BNDES e o Pato Amarelo da FIESP

padra%cc%83o-de-financiamento-dos-investimentos-2-t-2016O TCU deu aval para os parlamentares golpistas derrubarem um governo eleito, democraticamente, com base na falsa alegação de “pedalada fiscal”: empréstimos dos bancos públicos ao seu controlador. Consumado o golpe, agora, o próprio TCU dá aval à espécie de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) de R$ 100 bi do BNDES ao Tesouro Nacional!

Ora, isto agora não é “pedalada fiscal”?! É “despedalada”?! Não, a verdade “nua (pelada) e crua” é que os membros do TCU são da mesma laia dos parlamentares golpistas

O ponto central da avaliação sobre a legalidade da operação foi o enquadramento no Artigo 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que veda a antecipação de recursos de empresas públicas para a União. O diagnóstico foi de que, no caso específico das operações entre o BNDES e o Tesouro, isso não ficou configurado! O que?!

O TCU abriu uma auditoria específica para fiscalizar os quase R$ 500 bilhões captados pelo Tesouro com captação de funding em longo prazo, via lançamento de títulos de dívida pública com risco soberano, para gerar fontes de financiamento para o banco de fomento, durante os anos de atuação anticíclica no governo petista. O PT socorreu os associados da FIESP e foi golpeado! Casta ingrata…

A proposta de amortização antecipada de recursos injetados no BNDES foi uma das primeiras medidas anunciadas pelo golpista Michel Temer, em maio de 2016, ao golpear o governo legítimo e assumir interinamente o Palácio do Planalto. O argumento era que “o dinheiro estava ocioso” e o repasse poderia ajudar na redução da dívida pública federal.

Engraçado foi que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (a Fiesp Golpista) apresentou ao governo golpista uma agenda de propostas, entre as quais a não devolução dos recursos, que deveriam ser redirecionados pelo BNDES para financiar investimentos na forma de capital de giro, emissão de debêntures ou refinanciamento de dívidas, por exemplo. A presidente do banco de fomento, Maria Silvia Bastos, zombou das propostas ao dizer que a devolução é “essencial para diminuir a dívida pública e retomar a confiança na economia”.

O “pato amarelo” da FIESP golpista ficou boiando a ver navios! É risível verificar como as empresas industriais brasileiras sobreviverão sem empréstimos do BNDES…  🙂

O fato é que, com o governo golpista neoliberal, a participação de BNDES no investimento retrocede uma década, conforme informações de Camilla Veras Mota e Catherine Vieira (Valor, 20/10/16).

ritmo-menor-do-bndesJuliana Schincariol, Alessandra Saraiva e Ana Conceição (Valor, 21/10/16) confirmam que os desembolsos do BNDES devem ficar abaixo de R$ 100 bilhões no acumulado do ano, o que, se confirmado, levará as concessões de crédito do banco ao menor nível desde 2008. E, apesar de estar se preparando para uma recuperação da demanda no próximo ano, os níveis de crédito não devem alcançar os resultados de 2013 e 2014, quando chegaram perto de R$ 200 bilhões. A FIESP golpista era feliz e não sabia: snif, snif…

Serão que os industriais da FIESP golpista ficarão “amarelos” como o seu patinho?

22: “dois patinhos (Skaf e Fiesp) na lagoa”… 🙂

2 thoughts on “Golpe dentro do Golpe: Esvaziamento do BNDES e o Pato Amarelo da FIESP

  1. Boa tarde.
    As desonerações fiscais e empréstimos do BNDES a grandes empresas foram, afinal, uma boa ideia? A questão foi a de perceber qual a dosagem separa o veneno da cura? Li há algum tempo um economista neoliberal que dizia algo curioso: os empréstimos para empresas endividadas não geravam novos investimentos, mas elas compravam ainda títulos da dívida pública. O governo emprestava dinheiro barato e se endividava com títulos caros. Bem patriota um empresário que faz algo assim… Será que é a isso que chamam de meritocracia?
    Para arrematar, só uma pergunta. Alguma coisa pode dar certo com essa taxa de juros?
    Parabéns pelo blog.
    Luiz B. Dantas.

    1. Prezado Luiz Dantas,
      começando pelo fim: nada pode dar certo com essa disparidade dos juros no Brasil que leva à tendência de apreciação da moeda nacional, tirando competitividade dos produtos nacionais, provoca desemprego e, em consequência, corta renda do trabalho, enquanto beneficia a renda do capital financeiro.

      A fácil sabedoria ex-post, i.é, a história vista a partir do ponto-de-chegada, demonstra que as desonerações fiscais podem ter evitado um desemprego maior, porém não levou a maiores investimentos.

      Falta ainda um estudo mais aprofundado, e não opiniões levianas e ideológicas, sobre a “política dos vencedores”. Por exemplo, o complexo de carnes tem exportação expressiva; será que não tem a ver com a transformação do JBS (Friboi) na maior multinacional do ramo?
      att.

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