Redes e Sociologia Econômica

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O livro com o título deste post, organizado por Ana Cristina Braga Martes (São Paulo: EdUFSCar; 2009), em sua parte referente às contribuições teóricas, apresenta um capítulo sobre Análise de Redes Sociais: Avanços Recentes e Controvérsias Atuais. A autoria é de Mark S. Mizruchi, professor da Universidade de Michigan – Estados Unidos.

As redes sociais influenciam o comportamento de indivíduos e grupos. Alguns encontram a origem da análise de redes no trabalho do psiquiatra J. L. Moreno (1934), que desenvolveu uma abordagem conhecida como sociometria, em que as relações interpessoais eram representadas graficamente.

A sociologia estrutural é uma abordagem segundo a qual estruturas sociais, restrições e oportunidades são vistas como afetando mais o comportamento humano do que as normas culturais ou outras condições subjetivas. Preocupa-se com as propriedades formais da vida social.

Certas relações sociais entre pessoas, organizações ou países seguiram padrões que assumiram características semelhantes em uma ampla gama de contextos. Em qualquer situação que envolva três agentes, por exemplo, um agente será bem-sucedido na medida em que possa explorar um conflito entre os outros dois.

As formas e os padrões de relações sociais tornaram-se mais importantes, para sociólogos estruturalistas, do que seu conteúdo. Eles se preocupam mais com a proporção de agentes isolados do que com a subjetividade de cada qual. Para eles, os fatores objetivos são determinantes mais significativos do comportamento do que os subjetivos.

A análise de redes é um tipo de sociologia estrutural que se baseia em uma noção clara dos efeitos das relações sociais sobre o comportamento individual e grupal. É espécie de causação descendente em vez de ascendente, isto é, do agente para a estrutura social.

O princípio básico da análise de redes é que a estrutura das relações sociais determina o conteúdo dessas relações. Rejeita-se a noção de que as pessoas são combinações de atributos ou de que as instituições são entidades estáticas com limites claramente definidos.

As redes concretas de relações sociais ao mesmo tempo incorporam e transcendem organizações e instituições convencionais. O governo, por exemplo, não é uma instituição fixa e unitária, mas uma série de subunidades, muitas vezes conflituosas entre si, cujos membros desenvolvem coalizões e disputas não apenas dentro das agências e entre elas, mas também com diversos agentes externos. Essas relações sociais endógenas e exógenas influenciam a implementação de política governamental.

A estrutura, por exemplo, díade ou tríade, das relações sociais afeta seu conteúdo.

  • Em uma tríade fechada, cada agente interage com os dois outros.
  • Em uma tríade hierárquica, o agente central ocupa uma posição de corretagem entre os dois outros, que são obrigados a lidar com o corretor para efetuar comunicação um com o outro.
  • Essas duas estruturas, segundo a Teoria das Redes, criam formas de interação muito diferentes entre os membros do grupo.

A análise de redes é, em tese, aplicável a virtualmente qualquer assunto empírico, por exemplo:

  1. os efeitos de centralidade do agente sobre o comportamento;
  2. a identificação de subgrupos da rede; e
  3. a natureza das relações entre organizações.

Há relação entre a centralidade de um agente e sua influência sobre o grupo. As diferenças de influência entre o agente mais central e o menos central aumentam com a crescente hierarquia das estruturas.

Na estrutura hierárquica, conhecida como “roda”, o agente central controla o fluxo de informações entre qualquer par de outros agentes.

Na estrutura não hierárquica, em que estão presentes todos os laços ou conexões possíveis, qualquer membro do grupo pode se comunicar diretamente com qualquer outro.

É possível estabelecer uma medida da centralização da rede com base na diferença entre a centralidade da unidade mais central e a das demais unidades. Em algumas situações, a elevada centralidade pode representar um empecilho. Por exemplo, os agentes centrais são aqueles com maior probabilidade de serem considerados culpados de crimes, presumivelmente, porque suas posições centrais nas redes de comunicação os deixam mais vulneráveis à detecção.

O poder relativo dos agentes com elevada centralidade global depende da medida em que os agentes centrais se revelam capazes de formar coalizões. Daí um princípio básico da Teoria das Redes: de que a posição de um agente em uma estrutura social tem impacto significativo sobre seu comportamento e bem-estar.

Outra área importante da análise de redes é a identificação de subgrupos da rede.

Os modelos relacionais se baseiam primordialmente nas técnicas gráfico-teóricas. Seu foco se dá na identificação de “cliques”: regiões densamente conectadas das redes em que a totalidade ou a maioria dos agentes está diretamente ligada entre si, como na estrutura não hierárquica.

Os modelos posicionais se baseiam predominantemente em técnicas de matriz algébrica. Seu foco é na identificação de agentes estruturalmente equivalentes, pares de agentes ligados aos mesmos terceiros.

Por exemplo, blockmodels são representações binárias de matrizes relacionais entre agentes de uma rede, permutadas de tal maneira que agentes estruturalmente equivalentes se agrupem em submatrizes quadradas ou “blocos”. Os blocos são identificados alternativamente, dependendo da densidade dos laços entre os agentes que os compõem.

Os padrões de blocos identificam diferentes tipos de estruturas sociais, por exemplo, as escolhas de amizades com laços (ou não) recíprocos. Em uma estrutura hierárquica os laços vão dos agentes de menor status aos de maior status, mas não ao contrário. Os agentes de status elevado escolhem outros agentes de status elevado, mas não escolhem agentes de baixo status. Estes escolhem agentes tanto de baixo quanto de alto status.

Os blockmodels não são as únicas técnicas que empregam a equivalência estrutural como base para o agrupamento. Outras são a análise fatorial, as escalas multidimensionais e as técnicas de agrupamento por equivalência estrutural não discreta.

Os membros de “cliques” ou agrupamentos específicos devem apresentar atitudes e comportamentos semelhantes. Mas como os “cliques” gráfico-teóricos se baseiam em laços diretos entre os agentes, ao passo que os blocos e outros agrupamentos posicionais se baseiam em equivalência estrutural, os dois modelos levam a previsões diferentes quanto às fontes da influência e da similaridade interpessoal.

As relações nos “cliques” se baseiam em laços coesos entre agentes. Nos modelos de coesão, que são os mais largamente utilizados pelos analistas de redes, aqueles que interagem diretamente tenderão a influenciar uns aos outros.

Agentes estruturalmente equivalentes, por um lado, têm a probabilidade de apresentar comportamentos semelhantes porque estão sujeitos a fontes comuns de influência direta. Por outro lado, eles, por ocuparem as mesmas posições nas estruturas sociais, competem pelos favores dos ocupantes de outras posições. Por causa dessa competição, os agentes tendem a imitar os atos de seus pares estruturalmente equivalentes.

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