Envelhecimento, Solidão e Dificuldades Financeiras com a Reforma da Previdência

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Phillippe Watanabe (FSP, 25/10/2016) afirma que é mais fácil você achar uma mulher mais velha sozinha do que um homem na mesma situação. É o que afirma o relatório “Older Americans 2016“, desenvolvido por agências federais dos EUA.

Estar solteiro em idade mais avançada pode ter impactos econômicos e na saúde, mas não necessariamente representa solidão. A pesquisa, que traz dados sobre a situação de idosos, nos EUA, em itens como habitação, emprego e lazer, revelou uma diferença grande na situação matrimonial entre os sexos.

Em todas as faixas etárias, os homens idosos apresentam chance maior do que as mulheres de estarem casados.

  • Cerca de 75% dos homens americanos entre os 65 e os 74 anos são casados, ante 58% das mulheres na mesma faixa etária, segundo a pesquisa.
  • E a proporção de homens casados não cai na faixa etária dos 75 aos 84 anos. Já entre as mulheres ela chega 42%.
  • Mesmo entre os homens com mais de 85 anos a taxa é alta – quase 60% estão casados. A essa altura da vida, apenas 17% das mulheres ainda estão casadas.

Os dados brasileiros também demonstram maiores chances de homens idosos se casarem. Cerca de uma a cada mil mulheres [um milésimo?!] acima dos 60 anos estava legalmente casada em 2014, de acordo com dados do IBGE. A taxa para os homens era quase quatro vezes superior. Nas idades anteriores também há diferença entre os sexos. Dos 55 aos 59, três mulheres a cada mil estão casadas [?!]. O valor é próximo de cinco a cada mil para homens [?!].

As estatísticas de expectativa de vida explicam apenas em parte essa disparidade, diz Deborah Carr, diretora interina do Instituto de Saúde da Universidade Rutgers, que pesquisa casamento e viuvez.

Mulheres tendem a viver mais e a se casar com homens mais velhos do que elas, e por isso a probabilidade de que fiquem viúvas é maior. O outro fator ainda é que “a probabilidade de que um homem volte a se casar é muito maior do que entre as mulheres”.

No Brasil, em 2014, foram 38.723 casamentos de homens acima dos 60 anos e 14.969 para mulheres da mesma idade, menos da metade do valor da realidade masculina, segundo o IBGE. Conforme a idade aumenta, diferenças como essas podem ter repercussões significativas na vida.

Entre as pessoas com mais de 75 anos, diz o estudo americano, 23% dos homens vivem sós. Para as mulheres, a proporção é duas vezes maior. Se você está imaginando uma situação triste de abandono, talvez seja melhor pensar de novo. A realidade de mulheres mais velhas separadas muitas vezes é melhor do que durante a vida de casada.

Não é raro encontrar depoimento feminino de que a infeliz “aguentou o casamento” por nove anos. Ela se casou em 1969, aos 18 anos, com um homem de 33. Depois, passou por outros “casamentos”, como ela chama seus relacionamentos mais sérios, mas está sozinha há algum tempo. “Sozinha em termos, porque eu ainda namoro.”

Outro exemplo disso é aquela mulher, que em um dos seus “casamentos”, chegou a morar com um homem, situação que mudou assim que ele começou a tentar determinar horários para ela.

Situação similar ocorreu com outra. Depois de 30 anos como dona de casa, ela começou um curso de estética. Foi o suficiente para o então marido começar a tentar controlar sua vida. “Ele queria me manter dentro de casa.”

Hoje, ela se sustenta sozinha e se sente bem assim. “Eu tenho que me preocupar em colocar arroz na mesa, mas, mesmo com as dificuldades, eu estou bem.”

E muitas mulheres mais velhas e não casadas enfrentam dificuldades econômicas. “As mulheres sofrem baques maiores com a viuvez e o divórcio, em termos econômicos”, diz Deborah Umberson, do Centro de Pesquisa da População na Universidade do Texas em Austin.

Por outro lado, estudos apontam maneiras pelas quais as mulheres florescem depois da viuvez e do luto. No estudo de Carr sobre moradores idosos de Detroit, por exemplo, as mulheres que eram mais emocionalmente dependentes de seus maridos quando eles estavam vivos demonstravam os níveis mais elevados de autossuficiência na viuvez.

“Elas tiveram de aprender novas competências”. “Em um ano, você já vê avanços em indicadores como o crescimento pessoal”. A mulher aposta nos amigos e nos filhos para evitar a solidão, tanto no presente quanto no futuro próximo.

As mulheres têm mais relacionamentos estreitos e de confiança. Isso é excelente para a saúde, física e mental”. “As mulheres também tendem a manter mais contato com os filhos.” “Pelo que me conheço, eu prefiro curtir meus netos do que ter um velho babando em cima de mim“, dizem.

protesto

Porém, mal sabem o que lhes aguardam com a Reforma da Previdência Social proposta pelo governo golpista que muitas desavisadas serviram como massa de manobra.

Edna Simão (Valor, 25/10/16) informa que estudo feito pelas consultorias de orçamento da Câmara dos Deputados e do Senado estima que o governo poderia ter reduzido em R$ 3,3 bilhões os gastos com pensão por morte, caso as mudanças que se pretende realizar com reforma da Previdência Social já estivessem em vigor. Ao longo de dez anos, o impacto poderia chegar a R$ 171,7 bilhões, segundo o levantamento.

A economia viria, segundo cálculos dos técnicos, de:

  1. o fim da pensão integral para os trabalhadores da iniciativa privada;
  2. regras mais rígidas de cálculo do valor do benefício, que também atingiria os servidores públicos federais; e
  3. desvinculação da pensão por morte do salário mínimo.

Essas mudanças deverão estar contempladas na proposta de reforma da Previdência que o governo golpista pretende encaminhar ao Congresso.

A intenção do governo golpista é dividir o valor do benefício em uma cota familiar de 50% e o restante, seria distribuído entre os dependentes na proporção de 10% para cada um até o limite de 100%. Pela proposta, a cota do dependente que não tiver mais direito a pensão não será redistribuída. Com isso, a viúva terá um benefício de até 60% do valor integral, ou seja, não chegará mais a 100%, como acontece hoje nas pensões pagas pelo INSS.

O novo critério também passaria a ser utilizado para o cálculo das pensões dos servidores públicos. Pelas regras atuais — que serão alteradas em pleno andamento do “jogo”, isto é, do ciclo final de vida —, a pensão dessa categoria é limitada ao valor do teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), acrescido de 70% da parcela excedente a esse limite.

A ideia não é nova. O governo eleito legitimamente, com a edição da Medida Provisória 664/2014, tentou aprovar essa fórmula de cálculo da pensão por morte, tanto para o trabalhador da iniciativa privada quanto para os servidores públicos, mas não obteve sucesso no Congresso que já lhe queria golpear.

Segundo o estudo dos consultores da Câmara e do Senado, intitulado “Alternativas Para o Ajuste Fiscal – Medidas Estruturantes na Área da Previdência”, a mudança nas regras de concessão de pensão poderia gerar no RGPS, caso estivesse em vigor, uma economia de R$ 2,4 bilhões em 2016 e de R$ 110,8 bilhões ao longo de dez anos.

O aperto nas regras do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que trata dos servidores públicos, poderia provocar um impacto de R$ 600 milhões neste ano e de R$ 31,9 bilhões ao longo de dez anos. Já a possibilidade de desvincular a pensão por morte do reajuste do salário mínimo, seguindo a mesma regra de correção do auxílio-acidente, poderia proporcionar uma economia de R$ 300 milhões neste ano e de R$ 29 bilhões em dez anos.

A avaliação idiota — pois não têm dimensão o mal que fazem à vida dos outros e de si próprio — dos técnicos da Câmara e do Senado, conforme o estudo, é “a de que o modelo atual decorre de uma situação completamente diferente da mulher na família e no mercado de trabalho, no passado, quando muitas eram dependentes dos maridos, o que torna necessário rediscutir as regras a partir das transformações ocorridas na sociedade”.

Eles, simplesmente, não enxergam a transição entre gerações da baby-boom para a X, Y e Z! E muito menos as diferenças sociais das mulheres no mercado de trabalho!

Sem nenhum altruísmo, dizem: “as regras de pensão por morte no Brasil são as mais benevolentes do mundo. Isso faz com que tenhamos gastos cada vez maiores com esse tipo de benefícios. As comparações da nossa legislação previdenciária com a maioria dos países mostram que o Brasil possui regras injustificadamente frágeis para a concessão e manutenção de pensões, bem como inadequadas em relação a vários pontos de vista, como financeiro e de incentivos”, avalia o estudo.

O levantamento feito pelas consultorias da Câmara e do Senado aponta ainda que, em função das regras “inadequadas”, o Brasil tem despesas com pensões muito elevadas na comparação internacional. E uma concentração de renda e riqueza muito mais elevadas na comparação internacional!

Em 2012, por exemplo, os gastos com pensões atingiram R$ 68,3 bilhões no RGPS e de R$ 52,2 bilhões no regime dos servidores públicos, totalizando R$ 120,5 bilhões ou o equivalente a 2,74% do Produto Interno Bruto (PIB). “Mais que o dobro da maioria dos países, inclusive nações desenvolvidas e com padrão etário muito mais envelhecido”, afirma o levantamento. Os idiotas não observam as diferentes condições sociais que se reduzem a um número médio…
E que os cortes de benefícios sociais ocorre em nome do governo golpista pagar juros elevados para sua base social de apoio e parte de um desrespeito à Constituição brasileira em relação ao cálculo do déficit da Previdência. Ele está inadequadamente dimensionado.

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