Fim das Ilusões do Golpe

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Editorial do Valor (01/11/16) já está reconhecendo, nas entrelinhas, o equívoco seu e dos demais membros do PIG (Partido da Imprensa Golpista), assim como os membros das castas dos comerciantes-industriais (como a FIESP golpista), em apoiar o golpe parlamentarista contra o governo democrático. A depressão do biênio — a maior de todos os tempos na economia brasileira — se aprofundou no último semestre e o ambiente de negócios não melhorou, apesar das (falsas) promessas do governo temeroso.

Completado um semestre de governo temeroso, Brasil escorregou mais no ranking de ambiente de negócios elaborado pelo Banco Mundial, o “Doing Business“. É uma notícia decepcionante, mas não chega a surpreender dado o acúmulo de problemas que o país vem enfrentando após dois anos de depressão e virtual paralisação dos investimentos em infraestrutura. Foi uma queda de nada menos que sete posições, da 116a para 123a, entre 190 países analisados.

Dos 11 indicadores examinados para a construção do índice, o Brasil teve queda em sete deles, ficou estável em um e melhorou em apenas três. Não é consolo o fato de o Banco Mundial ter dito que o clima para fazer negócios no Brasil até melhorou recentemente, mas outros países avançaram e o deixaram para trás. Dos 190 países incluídos no ranking, 137 fizeram reformas para estimular os negócios, ou 72% do total.

Os maiores recuos do Brasil foram em obtenção de eletricidade, resolução de casos de insolvência e crédito. O Brasil caiu nada menos do que oito posições no ranking de disponibilidade de energia elétrica, “ainda como reflexo dos problemas originados pela crise hídrica”.

O editorial, com a parcialidade característica do PIG, diz que a “crise hídrica” (seca em tucanês) foi “agravada pelas distorções criadas pela medida tomada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2012, que pretendia reduzir os custos para o consumidor, mas desorganizou profundamente o sistema elétrico e acabou resultando em um tarifaço de cerca de 50% no ano passado”. Ora, isto é uma idiotia do redator do editorial, pois lhe falta a consciência do mal que faz a si próprio e aos outros!  

A ação arbitrária, típica do credo neoliberal, adotado por Joaquim Levy sob aplausos do PIG — “liberou geral” os preços –, provocou o choque tarifário e inflacionário que justificou a manutenção dos juros disparatados durante quinze meses para o enriquecimento maior da casta dos financistas!

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Em outras áreas da infraestrutura a situação não está melhor. Apenas para dar mais um exemplo, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) calcula que o Brasil perde anualmente R$ 70 bilhões por conta de estradas ruins, com desperdício de carga e avarias nos próprios veículos.

Em relação à resolução de solvências, a queda foi de sete posições. O Brasil tinha avançado depois da nova Lei de Recuperação Judicial, editada em 2005, que inovou em comparação com as antigas regras da concordata e melhorou o ambiente institucional para empresas em dificuldades.

Mas a efetiva recuperação dessas empresas tem sido rara. Estudo da Serasa Experian mostra que apenas 6,2% das 3,5 mil empresas de todos os tamanhos e segmentos que tiveram a recuperação judicial deferida entre junho de 2005 e dezembro de 2014, conseguiram retomar suas atividades — ou 218 companhias. Outras 728 empresas, 20,8% do total, foram à falência; e a grande maioria, 73,1%, ainda está às voltas com processos em andamento nos tribunais.

O número de pedidos de recuperação judicial não para de crescer. De janeiro a setembro nada menos do que 1.479 empresas pediram recuperação judicial no país, 62% a mais do que em igual período de 2015.

Parte desse quadro pode ser atribuído às dificuldades dessas empresas de obter crédito, que anda escasso até mesmo para as companhias em boas condições. Em setembro, o saldo total das operações de crédito ficou em R$ 3,110 trilhões, com redução nominal de 1,7% em 12 meses. Além disso, os bancos têm elevado os juros, apesar do recuo da taxa básica de juros e dos custos menores de captação, com o objetivo de recompor as margens diante do aumento da inadimplência e também devido à baixa concorrência.

O Brasil também perdeu terreno em proteção aos investidores minoritários, que recuou dois postos no ranking, certamente por influência da série de notícias negativas de companhias de capital aberto envolvidas nos escândalos da Operação Lava-Jato.

Para abrir um negócio, gastam-se 79,5 dias no Brasil em comparação com um dia no líder do ranking, a Nova Zelândia, ou 5,6 dias nos EUA.

[FNC: e nenhum governo e/ou parlamentar ousa afrontar os interesses dos Titulares de Cartório, a subcasta  ocupacional mais rica do país…]

Do lado positivo, o Brasil apresentou avanços na execução de contratos, no registro de propriedade e no comércio internacional, com o portal único de comércio exterior. O “Doing Business” não leva em consideração, mas, nessa linha, é preciso atentar que o registro de uma marca pode levar de dois a três anos; e o de uma patente chega a 10 anos. Até hoje não tiveram patente concedida modelos antigos de celular que nem estão mais em uso.

Igualmente vexatório é o avanço de economias menores e de países com os quais o país compete no mercado internacional. O Brasil aparece pior colocado do que seus principais parceiros comerciais na América Latina, como o México (47o), Colômbia (53o), Peru (54o), Chile (57o), Uruguai (90o), Paraguai (106o) e Argentina (116o). Entre os Brics, só fica à frente da Índia, que está na 130a posição. A Rússia fica na 40a, seguida de África do Sul (74a) e China (78a).

Juliana Machado e Thais Carrança (Valor, 21/10/16) informam que a esperada retomada da economia brasileira ainda não deve ser vista nos balanços das companhias de capital aberto no terceiro trimestre de 2016, depois de um semestre de governo temeroso e depressivo, indicando que a recuperação da atividade deve ser mais lenta que o esperado.

Especialistas ouvidos pelo Valor estimam que o trimestre seja de transição em direção à recuperação de indicadores operacionais, mas com um desempenho ainda anêmico, compensado por efeitos financeiros. [FNC: ah, isso sim, a casta dos financistas sabe se defender se apoderando do BCB e do MINFAZ!]

Nesse processo de transição [até quando?], com a taxa básica de juros do país sendo reduzida (-0,25 pp) nesta terceira semana de outubro pela primeira vez em quatro anos, analistas divergem sobre o ritmo de melhora das atividades. Não há perspectiva de sair do círculo vicioso de revisões para baixo. O viés propagandístico é dizer que haverá revisão para cima nas estimativas das empresas, principalmente para 2017.

Para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), as instituições financeiras têm uma leitura mais convergente, com expectativas de crescimento variando entre 3,8% e 11%. O desempenho é explicado em parte por uma maior eficiência operacional adotada pelas companhias para fazer frente às dificuldades macroeconômicas.

Apesar da receita em queda, o resultado operacional pode ser maior porque as empresas vêm fazendo a lição de casa em busca da eficiência. É o caso da Vale. Por mais dúvidas que você tenha com China, a mineradora está fazendo esse esforço.

Em relação ao lucro líquido, quatro casas consultadas apontam para um crescimento no trimestre, embora haja grandes diferenças quanto ao tamanho dessa expansão, enquanto apenas o Santander ainda vê uma redução, em base anual, de 1,5%.

Nessa linha do balanço, afirmam analistas, efeitos como o alívio do câmbio sobre a dívida podem ajudar a um fechamento de balanço no azul. Além disso, com a base de comparação muito fraca (o terceiro trimestre do ano passado já foi bastante atingido pela crise), é possível ver um aumento exponencial em alguns casos – a projeção de lucro do Itaú BBA, por exemplo, aponta para uma alta de 333% em base anual, distorcida especialmente pela reversão de prejuízo no ano passado para um lucro em casos como o da Petrobras.

Analistas e investidores, porém, não devem estar tão concentrados diretamente nas métricas das empresas, mas justamente nos indicativos de quando a retomada começará a acontecer. “A recuperação não virá nas linhas de receita e lucro agora. O Mercado não está esperando por isso.

Apesar de um trimestre ainda distante da recuperação, algumas análises procuram destacar que ela está no horizonte, em especial depois que as empresas reduziram custos e funcionários para enfrentar a atividade econômica fraca. A redução dos juros pelo Banco Central deve contribuir para essa dinâmica depressiva, quando, consequentemente ao desemprego, caem as vendas?

Representantes de diferentes setores seguem otimistas, porém cautelosos com a recuperação lenta”, afirma os manipuladores da opinião pública.

A agência de classificação de risco Moody’s faz coro ao grupo de analistas que procura falsamente reforçar as perspectivas favoráveis, mas apenas para o ano que vem. Em recente relatório, a agência classifica a desvalorização do dólar sobre o real como um dos aspectos que traduzem uma melhora da confiança na economia.

Além disso, o trimestre deve contar com reflexos positivos para empresas brasileiras do aumento de 6% nos preços do minério de ferro e de 32% para o aço, segundo o J.P. Morgan. A melhora nos preços das commodities metálicas e a percepção de estabilização no ambiente político [sem reação dos golpeados?] definem o cenário para uma recuperação acentuada do sentimento no Brasil, alegam os golpistas, mas o desemprego, as altas taxas de juros e os fracos negócios vão represar substancialmente os ganhos ao menos até 2017.

A queda do dólar frente ao real ao fim do terceiro trimestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado, foi de 18,3%, para R$ 3,2462 – mostrando que a menor pressão sobre o endividamento deve continuar nos resultados de julho a setembro. A apreciação da moeda no Brasil ante o dólar foi elevada e pode se traduzir em ganhos para empresas com dívida líquida em dólar. [FNC: sim, mas já está prejudicando as exportações.]

Por outro lado, com um dólar médio no trimestre de R$ 3,2460, 8,2% menor do que no mesmo período de 2015, as exportadoras, que antes ajudaram a impulsionar a receita conjunta das empresas, agora não devem se sobressair. Por exemplo, resultados no setor de papel e celulose devem possivelmente continuar a se deteriorar no trimestre devido à apreciação do real e em meio à queda nos preços da celulose.

Expostas ao ambiente interno que ainda temem não se dar rumo à recuperação, companhias de varejo devem também ajudar a compor um cenário de receitas prejudicadas.

Embora tenha ocorrido o alívio sobre o endividamento em dólar das companhias, que especularam (e perderam) o carry-trade, as empresas seguem com uma queima de caixa relevante. A geração de caixa seguirá fraca e, mesmo assim, será consumida diante do elevado nível de juros, gerando desafios na rolagem das dívidas internas.

Dessa maneira, o corte da Selic (taxa básica de juros) para 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no dia 19 de outubro de 2016, quinze meses após a alta dele para 14,25%, fica em linha com as perspectivas mais favoráveis para o ambiente de negócios.

Efeitos positivos só serão sentidos, porém, no futuro, se houver outras políticas econômicas coordenadas que incentivem a retomada da demanda efetiva, tanto o consumo das famílias, quanto os investimentos privados. Isto porque não se espera aumento de gastos governamentais até o fim desta década. O governo golpista seguirá cada vez mais cambaleante até 2018, haverá outra freada para arrumação em 2019, e finalmente a lucidez voltará, caso os eleitores tenham optado pela volta do social-desenvolvimentismo.

O governo golpista é muito mais orientado para uma dinâmica de mercado depressivo do que o governo democrático anterior, que não proibiu constitucionalmente o keynesianismo!

Isso tem gerado alguma ilusória recuperação especulativa no valor dos ativos cotados na diminuta bolsa de valores brasileira, mas os balanços do terceiro trimestre e do fim do ano ainda demonstrarão um contínuo aumento do endividamento porque as expectativas positivas ainda não chegaram nos resultados das companhias.

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