Robusto não é suficientemente Robusto: Mensuração da Antifragilidade

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), considera que a Mãe Natureza não é apenas “segura”; ela é agressiva na destruição e na substituição, na seleção e no remanejamento.

Quando se trata de eventos aleatórios, “robusto” com certeza não é suficientemente bom. Em longo prazo, tudo aquilo com a menor vulnerabilidade se rompe, dada a crueldade do tempo — mas nosso planeta está aí há talvez 4 bilhões de anos e, com toda a convicção, isso não se deve apenas à robustez: é preciso haver uma robustez perfeita para que uma rachadura não destrua o sistema.

Dada a inatingibilidade da robustez perfeita, precisamos de um mecanismo pelo qual o sistema se regenere continuamente, valendo-se de acontecimentos aleatórios, impactos imprevisíveis, agentes estressores e volatilidade, em vez de sofrer com eles.

Em longo prazo, o antifrágil se beneficia com os erros de prognóstico. Se seguirmos esta ideia até o fim, concluiremos que muitas coisas que se beneficiam com a aleatoriedade deveriam estar dominando o mundo hoje — e o que é afetado por ela deveria desaparecer. Pois bem, esse é exatamente o caso.

Temos a ilusão de que o mundo funciona graças ao planejamento, às pesquisas universitárias e ao financiamento burocrático, mas há provas convincentes — bastante convincentes — de que tudo isso é uma ilusão, ilusão que Taleb chama de ensinar os pássaros a voar.

A tecnologia é o resultado da antifragilidade, explorada por aqueles que assumem riscos sob a forma de ajustes e de tentativa e erro, ficando o planejamento obsessivo confinado aos bastidores. Os engenheiros e os remendãos desenvolvem coisas, enquanto os livros de história são escritos por acadêmicos; vamos ter de refinar as interpretações históricas de crescimento, inovação e muitas coisas desse tipo.

A fragilidade é bastante mensurável; o risco, não. Principalmente, o risco associado a acontecimentos raros.

Taleb disse que podemos estimar e até mesmo mensurar a fragilidade e a antifragilidade, ao mesmo tempo que não podemos calcular os riscos e as probabilidades de impactos e acontecimentos raros, independentemente de quão sofisticados nos tornemos.

O gerenciamento de risco, tal como praticado, é o estudo de um evento que acontecerá no futuro, e apenas alguns economistas e outros lunáticos podem afirmar — contra a experiência — que “medem” a incidência futura desses eventos raros, com aproveitadores a ouvi-los — contra a experiência e o histórico de tais alegações.

Mas a fragilidade e a antifragilidade fazem parte das propriedades concretas de um objeto, uma mesa de café, uma empresa, uma indústria, um país, um sistema político ou econômico. Podemos detectar a fragilidade, vê-la e, em muitos casos, até mensurá-la, ou, pelo menos, medir a fragilidade comparativa com um pequeno erro, enquanto as comparações de risco têm sido (até agora) pouco confiáveis.

Não se pode afirmar com nenhuma segurança que determinado evento remoto ou impacto seja mais provável do que outro (a menos que você goste de enganar a si mesmo), mas é possível afirmar, com muito mais confiança, que um objeto ou uma estrutura é mais frágil do que outro se determinado evento acontecer.

É possível dizer facilmente que sua avó é mais frágil a mudanças bruscas de temperatura do que você, que uma ditadura militar é mais frágil do que a Suíça se acontecer alguma mudança política, que um banco é mais frágil do que outro na hipótese de uma crise, ou que um edifício moderno mal construído é mais frágil do que a Catedral de Chartres caso aconteça um terremoto. E — principalmente — é possível, até mesmo, fazer a previsão de qual deles durará mais tempo.

Em vez de uma discussão sobre os riscos (que é tanto preditiva quanto covarde), Taleb defende a noção de fragilidade, que não é previsível — e que, ao contrário do risco, conta com uma palavra interessante capaz de descrever seu oposto funcional, o corajoso conceito de antifragilidade.

Para mensurar a antifragilidade, existe uma receita que lembra a pedra filosofal, utilizando uma regra compacta e simplificada que torna possível identificá-la dentre vários domínios, desde a saúde até a construção de sociedades.

Viemos, inconscientemente, explorando a antifragilidade na vida prática e, conscientemente, rejeitando-a — em especial na vida intelectual.

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