Quando o Simples é mais Sofisticado

antifragil

Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), afirma que um sistema complexo, ao contrário do que as pessoas acreditam, não necessita de regulamentos complicados ou de políticas intricadas. Quanto mais simples, melhor.

As complicações levam a cadeias multiplicativas de efeitos inesperados. Em função da opacidade, uma intervenção leva a consequências imprevisíveis, que são acompanhadas por pedidos de desculpas pelo aspecto “imprevisível” das consequências, e, em seguida, para outra intervenção destinada a corrigir os efeitos secundários, conduzindo a uma explosiva série de respostas “imprevisíveis” ramificadas, cada uma pior do que a precedente.

[FNC: denomina-se de dependência de trajetória caótica aquela que se afasta cada vez mais das condições iniciais.]

No entanto, tem sido difícil implementar a simplicidade na vida moderna, pois ela é contra o espírito de determinado tipo de pessoa, que busca a sofisticação, de modo que possa justificar a profissão que tem.

Menos é mais e, geralmente, mais eficaz. Assim, Taleb apresenta um pequeno número de truques, diretrizes e proibições:

  1. como viver em um mundo que não compreendemos, ou melhor,
  2. como não ter medo de trabalhar com coisas sobre as quais, claramente não entendemos e, mais importante do que isso,
  3. de que maneira devemos trabalhar com essas coisas.

Ou, melhor ainda, como nos atrevermos a encarar de frente nossa ignorância e não termos vergonha de ser humanos — agressiva e orgulhosamente humanos. Mas isso pode exigir algumas mudanças estruturais.

O que Taleb propõe é um roteiro para modificar nossos sistemas criados pelo homem para deixar que o simples — e o natural — sigam seu curso.

Mas não é tão fácil alcançar a simplicidade. Steve Jobs descobriu que “é preciso trabalhar duro para deixar seu pensamento limpo e torná-lo simples”. Os árabes têm uma expressão para a prosa incisiva: nenhuma habilidade para compreendê-la, domínio para escrevê-la.

Heurísticas são regras básicas simplificadas que tornam as coisas simples e fáceis de se implementar. Mas sua principal vantagem é que o usuário sabe que elas não são perfeitas, apenas convenientes, e ele se sente, portanto, menos enganado por seus poderes. Elas se tornam perigosas quando nos esquecemos disso.

[FNC: vieses heurísticos são “regras de bolso”, aprendidas na “escola-da-vida”, para tomar decisões estressantes – como as financeiras – de maneira rotineira, embora muitas vezes equivocadas…]

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