Jornada Não Linear para a Ideia da Antifragilidade

mais-que-resiliente

Um dia, de repente, Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), diz percebeu que a fragilidade — ainda sem uma definição técnica — podia ser expressa como aquilo que não aprecia a volatilidade. E aquilo que não aprecia a volatilidade não aprecia a aleatoriedade, a incerteza, a desordem, os erros, os agentes estressores etc.

Pense em qualquer coisa frágil, digamos, os objetos em sua sala de estar, como uma estrutura de vidro, o aparelho de TV ou, melhor ainda, a porcelana nos armários. Se você os classifica como “frágeis”, então, necessariamente, desejará que sejam deixados sozinhos, em paz, calma, ordenada e previsivelmente.

Um objeto frágil possivelmente não se beneficiaria de um terremoto ou da visita de seu sobrinho hiperativo. Além disso, tudo o que não aprecia a volatilidade não aprecia também os agentes estressores, os danos, o caos, os eventos, a desordem, as consequências “imprevisíveis”, a incerteza e, principalmente, o tempo.

E a antifragilidade deriva — de certa forma — dessa definição explícita de fragilidade.

  1. Ela aprecia a volatilidade et al.
  2. Ela também aprecia o tempo.

E há uma ligação poderosa e positiva com a não linearidade: tudo que é não linear em sua resposta é frágil ou antifrágil diante de determinada fonte de aleatoriedade.

O mais estranho é que essa propriedade óbvia de que tudo que é frágil odeia a volatilidade, e vice-versa, tem estado completamente fora dos discursos científico e filosófico. Completamente. E o estudo da sensibilidade das coisas à volatilidade é a estranha especialidade de negócios em que Taleb passou a maior parte da minha vida adulta, duas décadas — ele sabe que é uma especialidade estranha, mas promete explicar melhor mais tarde. [FNC: ele foi operador de mercado futuro.]

Seu foco nessa profissão tem sido identificar itens que “apreciam a volatilidade” ou que “odeiam a volatilidade”; portanto, tudo o que tinha a fazer era expandir as ideias do domínio financeiro no qual estava focado para o conceito mais amplo de tomada de decisão sob incerteza ao longo de vários campos, da Ciência Política à Medicina e aos planos para o jantar… 🙂

E, nessa profissão estranha de quem trabalha com a volatilidade, havia dois tipos de pessoas:

  1. na primeira categoria, estão acadêmicos, redatores de relatórios e comentaristas que estudam eventos futuros e escrevem livros e artigos; e,
  2. na segunda, os profissionais que, em vez de estudarem os eventos futuros, tentam entender como as coisas reagem à volatilidade (porém, os profissionais “estão, geralmente, muito ocupados trabalhando para poderem escrever seus livros, artigos, documentos, discursos, equações, teorias e serem homenageados pelos Membros Altamente Constipados e Honoráveis das Academias).🙂

A diferença entre as duas categorias é fundamental: como vimos, é muito mais fácil entender se algo é prejudicado pela volatilidade — e, portanto, frágil — do que tentar prever acontecimentos prejudiciais, tais como estes Cisnes Negros de grandes dimensões. Mas apenas os profissionais (ou as pessoas que fazem coisas) tendem a chegar espontaneamente ao ponto.

Um comentário técnico de Taleb: estamos insistindo que a fragilidade e a antifragilidade remetem a um ganho ou um dano potenciais diante da exposição a algo relacionado à volatilidade. O que é esse algo? Simplesmente, fazer parte da família estendida da desordem.

A família (ou grupo) estendida da desordem:

  • a incerteza;
  • a variabilidade;
  • o conhecimento imperfeito, incompleto;
  • o acaso;
  • o caos;
  • a volatilidade;
  • a desordem;
  • a entropia;
  • o tempo;
  • o desconhecido;
  • a aleatoriedade;
  • a turbulência;
  • o agente estressor;
  • o erro;
  • a dispersão de resultados;
  • o desconhecimento.

Porém, a incerteza, a desordem e o desconhecido são completamente equivalentes em seus efeitos: os sistemas antifrágeis (até certo ponto) se beneficiam, enquanto os sistemas frágeis são penalizados por quase todos eles — mesmo que se tenha de encontrá-los em prédios separados nos campi universitários e que alguns filosofastros que nunca correram riscos reais na vida, ou, pior, que nunca tiveram uma vida, assegurassem que “eles, claramente, não são a mesma coisa”.🙂

Por que o item (ix), o tempo? O tempo é funcionalmente semelhante à volatilidade: quanto mais tempo, mais acontecimentos, mais desordem. Considere que, se você pode sofrer danos limitados e se mostrar antifrágil diante de pequenos erros, o tempo trará o tipo de erros ou erros reversos que acabarão sendo benéficos. Isto é, simplesmente, o que sua avó chama de experiência. A fragilidade é perdida com o tempo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s