“Não se deve repetir os erros do passado quando há tantos novos erros a cometer”

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Nassim Nicholas Taleb, no livro “Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o Caos” (RJ: Best Business, 2015), aborda os erros e como os lapsos de algumas pessoas beneficiam as outras.

Podemos simplificar as relações entre fragilidade, erros e antifragilidade como se apresentam a seguir.

  • Quando você está frágil, depende que as coisas sigam o exato curso planejado, com um mínimo de desvio possível — pois os desvios são mais prejudiciais do que úteis. É por isso que o frágil precisa ser muito preditivo em sua abordagem, e, inversamente, os sistemas preditivos causam fragilidade.
  • Quando você quer desvios, e não se preocupa com a possível dispersão de resultados que o futuro pode trazer, já que a maioria será útil, você é antifrágil.

Além disso, o elemento aleatório da tentativa e erro não é totalmente aleatório se for conduzido de forma racional, utilizando os erros como fonte de informação.

Se cada tentativa lhe fornecer informações sobre o que não funciona, você começa a focar em uma solução — portanto, cada tentativa se torna mais valiosa, mais como uma despesa do que como um erro. E é claro que você fará descobertas ao longo do caminho.

Este capítulo do livro de Taleb é sobre camadas, unidades, hierarquias, estrutura fractal e a diferença entre os interesses de uma unidade e de suas subunidades. Por isso, geralmente, são os erros dos outros que beneficiam a todos nós — e, infelizmente, não a eles.

No contexto correto, os agentes estressores são informação. Para o antifrágil, o dano provocado pelos erros deveria ser menor do que os benefícios. Estamos falando de alguns, não de todos os erros, é claro; aqueles que não destroem um sistema ajudam a prevenir calamidades maiores.

O engenheiro e historiador de engenharia Henry Petroski defende um ponto de vista de que, se o acidente com o Titanic não tivesse ocorrido, tão fatal quanto foi, teríamos continuado a construir transatlânticos cada vez maiores, e o próximo desastre teria sido ainda mais trágico. Desse modo, as pessoas foram sacrificadas em nome do bem maior, pois, indiscutivelmente, elas salvaram mais vidas do que as que foram perdidas. A história do Titanic ilustra a diferença entre:

  • os benefícios para o sistema e
  • os danos para algumas de suas partes individuais.

Cada acidente aéreo nos deixa mais próximos da segurança, melhora o sistema e faz com que o próximo voo seja mais seguro — aqueles que perecem contribuem para a segurança global dos outros. Os sistemas aprendem se são antifrágeis e configurados para explorar os pequenos erros; o mesmo, porém, não pode ser dito sobre as quebras econômicas, uma vez que o sistema econômico, como construído atualmente, não é antifrágil.

Por quê? Há centenas de milhares de voos todos os anos, e um acidente com um avião não envolve os outros, por isso os erros permanecem isolados e são altamente epistêmicos — ao passo que os sistemas econômicos globalizados operam como um único elemento: os erros se propagam e se combinam.

Mais uma vez, é fundamental lembrar que estamos falando de erros parciais, não genéricos, pequenos, e não dos graves e terminais. Isso distingue os sistemas bons e maus. Bons sistemas, tais como companhias aéreas, estão configurados para ter pequenos erros, independentes uns dos outros — ou, na verdade, negativamente correlacionados entre si, uma vez que os erros diminuem as chances de erros futuros. Essa é uma maneira de perceber como um ambiente pode ser antifrágil (aviação) e outro, frágil (a vida econômica moderna com a interconectividade ao estilo “a Terra é plana”).

Se cada queda de avião reduz a probabilidade de outra, cada quebra bancária aumenta a probabilidade de ocorrer outra. Precisamos eliminar o segundo tipo de erro — o que produz contágio — em nossa construção de um sistema socioeconômico ideal.

Examinemos, mais uma vez, a Mãe Natureza. O natural foi construído de erro não sistêmico em erro não sistêmico: meus erros ao levantar pedras, quando estou bem-estruturado, se traduzem em pequenas lesões que me guiarão na próxima vez, quando tento evitar a dor — afinal, esse é o propósito da dor.

Algumas empresas apreciam seus próprios erros. As companhias de resseguro, que se concentram em riscos catastróficos (e são usadas por companhias de seguros para “reassegurar” tais riscos não diversificáveis), conseguem se sair bem depois de uma calamidade ou de um evento sombrio, que faz com que batam seu recorde.

Se elas ainda estiverem em atividade e forem “prudentes” (poucas conseguem se planejar para tal contingência), compensam aumentando desproporcionalmente os prêmios — os clientes reagem exageradamente e pagam pelo seguro. Elas afirmam não ter ideia sobre o valor justo, ou seja, sobre os preços adequados, em matéria de resseguro, mas sabem, com certeza, que ele se torna muito caro em tempos de estresse, o que é suficiente para que elas juntem dinheiro a longo prazo. Tudo o que precisam é manter seus erros no menor nível possível, de modo que possam sobreviver a eles. :)

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