O Ato de Escrever

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O ato de escrever é a arte de sentar-se em uma cadeira e enfrentar o desafio de deparar-se com uma página ou um arquivo em branco. O que escrevi, escrevi…

Gostaria de não saber escrever. Mas quem me dera saber bem escrever!

Escrever sem o esforço da criatividade corresponde a ser lido sem prazer.

Escrever divinamente significa sofrer como o diabo…

O escritor pode se arriscar, pois aqui quase ninguém lê…

Escrevo pelos outros ou por necessidade pessoal? Simplesmente, tenho vontade de escrever e, então, escrevo.

Escrever para si só? Só se for narcisista ao extremo! Escrever é a esperança de, porventura, atrair um(a) leitor(a), encantá-lo(a), ser amado(a)…

Escrever por vaidade não tem nenhuma criatividade, pois já se sabe a priori tudo que dirá sobre si.

Escrever é cortar. Reduzir. Sintetizar. Dizer as mínimas palavras necessárias de serem ditas.

Escrever não é nada mais do que aproveitar o tempo sobrante para ter tempo de refletir que este tempo está acabando – e você quer deixar uma lembrança dele.

Escrever é expressar-se com a falta da cautela que você tem quando fala para alguém, embora as palavras ditas voam e as escritas permaneçam…

Escrever como se fala – e não falar demais tal como se escreve: este é o desafio.

Escrever é, simplesmente, uma maneira de falar sem ser interrompido como ocorre de modo contumaz.

Escrever não é uma missão social ou pessoal, é simplesmente um ato pelo puro prazer de escrever… e ser lido com prazer por alguém.

Escrever é traduzir o que existe dentro de nós.

Escrever é demonstrar seu caráter pessoal — e não só exibir seu talento literário.

Escrever para imitar o autor invejado é não se dar a entender.

Escrever exige ver, ouvir e vocalizar os outros e, depois, surpreende-los em como você se expressa bem por eles.

Escrever é resgatar a memória assim como é ler.

Para escrever é necessário ler muito mais do que o que se consegue escrever.

Escrever é instruir, divertindo-se. Se alguém ainda te pagar pelo que você faria de graça, ótimo!

Viver do ofício de escrever é vender seu intelecto, trocando a inspiração pela encomenda com prazo predeterminado. Transformar expressão em ex-pressão.

Escrever para viver é desvirtuar o talento natural na profissão de escritor.

A obrigação de sempre escrever é a tarefa de um escravo das letras.

O grande livro do escritor é o primeiro, o último ou o próximo?

O escritor não se resigna à solidão e a usa para buscar a companhia do leitor.

Negligência e omissão são normais na escrita, mas não devem ser no escritor.

Um escritor chega a seu fim quando percebe que está apenas reescrevendo o que já escreveu.

O escritor quer escrever uma ficção, mas acaba escrevendo o seu drama.

Quando se escreve um drama ficcional e os leitores se enxergam neles, então, você é um verdadeiro escritor.

Ter medo de escrever é normal, mas com o temor de se revelar ninguém escreve.

Quando você escreve acha que não há nenhuma outra forma de ver aquilo que você transcreve.

Escrever é revelar, esclarecer, iluminar o mundo que você acredita que os outros não veem.

Escrever exige ter de antemão uma linha de chegada. Porém, é comum ter apenas uma linha de partida – e desviar-se por um atalho fácil ou uma alternativa melhor.

A originalidade do escritor não está em descrever o ordinário, mas sim em transformar o cotidiano em algo extraordinário nunca antes revelado.

O escritor filtra as diversas ideias e os fatos, só narrando o que lhe parece lógico e ordenado e abandonando o que foge de seu esquema mental.

Quando não tem nada a dizer, o escritor expressa o vazio de uma forma diferente.

Escrever não é seguir as regras da gramática, mas sim criar em cima delas.

Escritor poderia dar um testemunho ocular de seu tempo, mas costuma se transformar em um oráculo sobre o passado e o futuro…. Um previsor do que se passou! E um historiador do que virá!

Os perfeccionistas, que buscam demonstrar inteligência e erudição, jamais escrevem.

Os escritores de sucesso nem sempre são os melhores escritores.

O escritor passa a vida conversando consigo mesmo e cada vez mais acha essa conversa interessante para os outros.

Só escreva quando for impossível não deter esse impulso.

Escrever é uma iniciativa particular e não seguir um aconselhamento.

Escritor clássico é aquele lido e bem avaliado pelos leitores de futuras gerações, distantes da parcialidade e inveja de seus críticos contemporâneos.

Escrever é tentar superar o total esquecimento post-mortem.

Escrever exige a arte de convencer o leitor desconhecido virar cada página.

Escrever exige ler tanto até o ponto de achar que você é apenas uma fraude, pois está reescrevendo ou plagiando o que outros já escreveram.

O que distingue os escritores é o talento natural ou o esforço mental? Parece ser o primeiro, mas a criatividade vem do segundo.

A felicidade do escritor é escrever sobre sua infelicidade.

 

Escrevinhador: aquele que escreve mal.

“Quem envergonha um escrevinhador?

Rompe uma teia de aranha,

Ele volta a refazer o fio tênue que tanto lhe agrada;

Destrói-lhe a peta ou sofisma – em vão,

A criatura volta ao seu trabalho sujo.

Entronizado no centro de seus trabalhos fracos,

Orgulhoso da vasta extensão de suas linhas frágeis.”

POPE (1688-1744). Prólogo às Sátiras.

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