Theasurus e Economia

thesaurus

Do latim thesaurus (“tesouro”), em diversos idiomas (português, inglês etc.), usa-se esse termo para designar listas ou dicionários cujas palavras são agrupadas por temas.

Tesauro, também conhecido como dicionário de ideias afins, é uma lista de palavras com significados semelhantes, dentro de um domínio específico de conhecimento. Por definição, um tesauro é restrito. Não deve ser encarado simplesmente como uma lista de sinônimos, pois o objetivo do tesauro é justamente mostrar as diferenças mínimas entre as palavras e ajudar o escritor a escolher a palavra exata. Tesauros não incluem definições, pelo menos muito detalhadas, acerca de vocábulos, uma vez que essa tarefa é da competência de dicionários.

O Dicionário Analógico supõe que temos noção de um significado, uma intenção de uso, mas não nos ocorre uma palavra satisfatória. Ele, a partir de um contexto de possíveis significados, oferece uma nuvem de palavras em torno desse significado, ou seja, palavras analógicas em maior ou menor grau de proximidade e exatidão, para que nessa nuvem possamos achar a palavra – ou expressão – que melhor nos convém, em qualquer de suas mais prováveis funções gramaticais.

Em busca de ideias afins, de maneira ordenada, pode-se:

  1. identificar a área conceitual na qual se encaixa a palavra ou a expressão que se quer encontrar ou
  2. buscar nos grupos analógicos onde ele se encontra outras alternativas de expressão.

No primeiro caso, a busca se faz pela árvore classificatória dos grupos analógicos. No segundo, pelo índice geral que relaciona cada um dos quase 100 mil termos e expressões do dicionário ao grupo em que se encontra.

Na Classificação das Palavras, encontram-se:

  1. Relações abstratas: existência, relação, quantidade, ordem, número, tempo, mudança, causa;
  2. Espaço: em geral, dimensões, forma, movimento;
  3. Matéria: em geral, inorgânica, orgânica;
  4. Entendimento: formação de ideias, comunicação de ideias;
  5. Vontade: individual, com referência à sociedade;
  6. Afeições: em geral, pessoais, simpáticas, morais e religiosas.

No Quadro Sinóptico de Categorias, encontra-se uma relação detalhada de todos os grupos por área de conceito. Por exemplo, na classe Relações Abstratas, a divisão I está definida como Existência, por sua vez dividida em quatro subdivisões: Abstrata, Concreta, Formal e Modal.

Cada uma destas pode ter dois grupos antagônicos. Por exemplo, o conceito Existência e Inexistência, e assim por diante. Os antagônicos estão, no Quadro, lado a lado, nas colunas extremas, os “neutros”, na coluna central.

Vamos exercitar focalizando a disciplina que estou ministrando: Métodos de Análise Econômica.

Cabe começar pesquisando a Divisão II: RELAÇÃO, por sua vez dividida em quatro subdivisões: Absoluta, Contínua, Parcial, Geral.

Dentro da Absoluta, encontra-se Correlação: reciprocidade, compatibilidade, correspondência de direitos e deveres, mutualidade, interdependência, intercâmbio, enfim, todas são ideias-fortes em Economia. Mais ainda ação e reação, oferta e procura, barganha recíproca, permuta. Acrescenta que “compra recíproca” se refere às relações de mútua dependência.

Então, o verbo correlacionar é análogo a pôr em mútua relação, estar em relação entre; reciprocar, contracambiar, trocar mutuamente, permutar. Os adjetivos recíproco, mútuo, compatível, correspondente, concernente, reflexivo, permutável, bilateral, todos são atinentes. Ao advérbio reciprocamente se soma os adjuntos com reciprocidade, de parte a parte, com geral correspondência, mutatis mutandis, e vice-versa.

Por ora, saltamos as divisões Quantidade, Ordem, Número, Tempo, Mudança, para chegar logo à Causa. De um lado, encontramos Antecedente Constante; de outro, Consequente Constante.

A constância do efeito coloca causa como antecedente e efeito como consequente. Reciprocamente, atribuição e acaso. A relação entre causa e efeito refere-se a, respectivamente, força e fraqueza.

O poder em ação se refere à produção e à destruição. Reprodução é neutra. Daí os extremos são: produtor X destruidor; ascendência X posteridade; produtividade X improdutividade (agência é neutra); energia X inércia; violência X moderação.

Poder indireto: influência X inocuidade (tendência é neutra assim como risco).

Finalmente, combinação de causas refere-se à concorrência, de um lado, e resistência, de outro.

Consultemos causa: motivo, origem, procedência, nascença, processão, proveniência, vida, princípio, mãe, nascimento, elemento, objeto, fator, razão, respeito.

Causa geradora: semente ou as expressões latinas vera causa e causa causans. Força motriz, alicerce, base.

Causa primitiva: fonte, primórdio, matriz, manancial, cabeceira, embrião, teta, geração, paternidade, genitora, pivô, eixo, chave, alavanca.

Queremos sempre uma razão por quê. História tem causação? Única ou milhares, cuja seleção de algumas é arbitrária com o critério de se fazer uma narrativa lógica segundo a mecânica causa-e-efeito?

Correlação é causalidade? Não, da teia de relações ou rede de relacionamentos de diversos nódulos emerge um sistema complexo, cujas partes componentes interativas devem ser percebidas com ponderações distintas e/ou como influências diversas.

Para tanto, não devemos sair do individualismo metodológico com as divisões da classe Vontade Individual, seja da vontade em geral, seja da vontade em projeto?

Os atos de vontade individual se colocam como duplas antagônicas:

  • vontade-compulsoriedade,
  • boa vontade – má vontade,
  • resolução-irresolução,
  • perseverança-desistência,
  • obstinação-tergiversação (capricho é neutro),
  • escolha-abstenção ou rejeição,
  • predeterminação-ímpeto,
  • hábito-descostume.

Quanto às causas, aparece motivo-ausência de motivo ou dissuasão, sendo neutra a alegação. Os objetos podem ser bem ou mal.

Saltemos para a divisão II da Vontade com referência à Sociedade. O mais pertinente à análise econômica se trata das relações referentes à posse. Quanto à propriedade em geral, de um lado, aquisição, de outro, perda, entre elas, posse, desprovimento, participação, possuidor. Pode haver também retenção ou abandono.

Nossa rede neural se expande com ideias afins como as que relacionamos à transferência de propriedade: desde a transmissão (neutra), até os polos doação-recebimento (partilha é neutra); empréstimo-empenhamento; apropriação-restituição. Entre essas expressões estão: furto, ladrão, presa.

Quanto à troca de propriedade, há a neutra permuta entre compra e venda, realizada pelos intermediários “neutros”: mercador, mercadoria e mercado.

Por fim, há as relações monetárias: a tesouraria é vista como neutra face aos polos riqueza-pobreza, crédito-débito ou dívida, pagamento-insolvência, despesa-receita. Também contabilidade é neutra, contrastando com preço-desconto, carestia-barateza, liberalidade-economia, prodigalidade-sovinaria.

Entendi, por fim, meu professor de Psicologia no curso básico da graduação em Economia. Ele relacionou economia à sovinaria, daí à retenção das fezes e, com um passo a mais de um neurônio a outro, sugeriu que nós estudantes de Economia não tínhamos ainda superado a idade anal!

Comentário grosseiro — e não politicamente correto (avant la lettre em 1971) — que escutei de um colega: coisa de veado

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