Desemprego com a Volta da Velha Matriz Neoliberal

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A taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em outubro de 2016 foi estimada em 11,8% para o Brasil, ficando acima da taxa do trimestre móvel encerrado em julho de 2016 (11,6%) e superando em 2,9 pontos percentuais a taxa do mesmo trimestre do ano anterior (8,9%).

A população desocupada (12,0 milhões de pessoas) permaneceu estável em relação ao trimestre de maio a julho de 2016 e subiu 32,7% (mais 3,0 milhões de pessoas) no confronto com igual trimestre de 2015.

Já a população ocupada (89,9 milhões de pessoas) apresentou redução de 0,7%, quando comparada ao trimestre de maio a julho de 2016 (menos 604 mil pessoas). Em comparação com igual trimestre de 2015, foi registrada queda de 2,6% (menos 2,4 milhões de pessoas).

O número de empregados com carteira assinada no setor privado, estimado em 34,0 milhões de pessoas, apresentou queda de 0,9% frente ao trimestre de maio a julho de 2016 (menos 303 mil pessoas). Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a redução foi de 3,7% (menos 1,3 milhão de pessoas).

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 2.025) cresceu 0,9% frente ao trimestre de maio a julho de 2016 (R$ 2.006) e caiu 1,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 2.052).

A massa de rendimento real habitualmente recebida pelas pessoas ocupadas em todos os trabalhos (R$ 177,7 bilhões) não apresentou variação significativa em relação ao trimestre de maio a julho de 2016, mostrando redução de 3,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. A publicação completa da PNAD Contínua Mensal pode ser acessada aqui.

Os indicadores da PNAD Contínua são calculados para trimestres móveis, utilizando-se as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa. A taxa do trimestre móvel terminado em outubro de 2016 foi calculada a partir das informações coletadas em agosto/2016, setembro/2016 e outubro/2016. Nas informações utilizadas para o cálculo dos indicadores para os trimestres móveis encerrados em outubro e setembro, por exemplo, existe um percentual de repetição de dados em torno de 66%. Essa repetição só deixa de existir após um intervalo de dois trimestres móveis. Mais informações sobre a metodologia da pesquisa estão disponíveis aqui.

 

6 thoughts on “Desemprego com a Volta da Velha Matriz Neoliberal

  1. Boa noite, Professor,

    O título do texto da a entender que há uma relação de causalidade (“volta da velha matriz neoliberal” x desemprego atual), contudo, o contudo do texto é bastante descritivo, e particularmente não observei o momento em que você traça essa relação.

    De qualquer maneira. Essa relação de causalidade é de fato a hipótese do texto? Caso positivo, aonde você enxerga que tenha sido o ponto de inflexão no caso recente do Brasil?

    Obrigado!

    1. Prezado Vitor,
      a terapia de choque tarifário de Joaquim Levy, em simultâneo com o choque cambial que levou a cotação do dólar a atingir R$ 4,20 / US$, tudo isso levou ao choque inflacionário que justificou a elevação do juros para 14,25% aa e sua manutenção por 15 meses. A taxa de desocupação sai de 6,4% e vai para quase 12%, dobrando o número de desocupados. Caem as vendas, eleva-se a capacidade ociosa, cai a taxa de investimento.

      Em outras palavras, os neoliberais que louvavam a política econômica levyana hoje tentam culpar os problemas pela “herança maldita” da Nova Matriz Macroeconômica. É um mero espantalho para se esquivarem da responsabilidade dos erros cometidos em 2015.

      E foi o maior erro da Presidenta Dilma: o estelionato eleitoral ao entregar o comando da política econômica a um seguidor da doutrina neoliberal de seus adversários, tanto a do Aécio Neves, quanto a da Marina Silva.

      Estamos pagando por isso de maneira dobrada depois do golpe que aprofundou essa política econômica: a atual Grande Depressão é a maior da história econômica brasileira.
      att.

      1. Olá, Professor,

        Pertinente a sua colocação, mas o ciclo de aperto monetário já havia sido iniciado em abril de 2013, no início de 2015 a taxa básica de juros já estava em 11,75% (ante 7,5% no início do aperto), correto?

        Isso devido a pressões inflacionarias que segundo alguns economistas era causada pelo fato de a economia estar acima do pleno emprego e o governo tentar implementar as mesmas políticas anticíclicas aplicadas após a crise financeira de 2008.

        Acredito que entendi a sua crítica à política econômica implantada por Levy no início de 2015, no meu entendimento o maior erro parece ter sido o choque dado na economia, mas como você vê essa questão da inflação represada (por motivos eleitorais) e manutenção do baixo nível de desemprego através de políticas anticíclicas que já davam sinais de esgotamento desde 2012?

        Acredito isso seja parte da “herança maldita” a que você se referi-o, e sendo assim, atribuir a recessão que vivemos unicamente ao “neoliberalismo” de Joaquim Levy, também não seria se esquivar da responsabilidade dos erros cometidos a partir de 2012 e principalmente em 2014 (e olha que ainda há a questão das pedaladas, que se for do seu interesse também teria grande prazer em debater sobre!).

        Obrigado!

        Abs.,

        Vitor

      2. Prezado Vitor,
        há “dependência de trajetória”, i.é, a história importa, assim como há influência do contexto de crise mundial. Não ignoro os erros como a desoneração fiscal sem contrapartidas, talvez a única tenha sido não desempregar, tanto que a taxa de desemprego atingiu seu nível mais baixo em novembro de 2014.

        A volta da Velha Matriz Neoliberal com Joaquim Levy a partir da “fácil sabedoria ex-post”, sem dúvida, foi um estelionato eleitoral. Acho que a tentativa de apaziguar O Mercado com o presidente do Bradesco (Trabuco) foi sugestão do Lula, porém ele não aceitou o convite e entregou como “troco” na negociação o Joaquim Levy. Este, aliás como o atual MinFaz, é obsessivo com o ajuste fiscal em qualquer tempo e lugar, mesmo em condições de uma Grande Depressão, ou seja, tratam as ideias de Keynes como próprias de hereges.

        Pior entre os neoliberais é outra obsessão: preços livres a qualquer custo, pois O Mercado com sua imensa e divina sabedoria saberá equilibrar tudo. Quando lhes pergunta por que a taxa de juros não é deixada livre, deixando que o excesso de liquidez, provocada pela expansão das reservas internacionais e a operação canhestra de troca de LFT pós-fixadas por LTN/NTN prefixadas, junto com a arbitragem internacional, a coloque em um patamar mais próximo dos demais países, eles mudam de assunto…

        Consideram essa “ameaça à riqueza financeira” outra heresia. Então, a Selic é a único preço básico determinado, arbitrariamente a favor da sub-casta dos financistas, e determinante indiretamente dos demais preços que remuneram as demais castas: lucros (casta dos comerciantes), alugueis (castas dos aristocratas rentistas) e salários (casta dos trabalhadores organizados).

        De fato, a operação equivocada de troca de LFT pós-fixadas por LTN/NTN prefixadas, quando houve a reversão súbita da Selic de 7,25% aa em abril de 2013 e passou a se elevar em ritmo mais acelerado até atingir 14,25% aa em junho de 2015, ficando 15 meses neste patamar, enriquecendo mais os ricos do Private Banking e empobrecendo os dependentes de emprego, no primeiro mandato da Dilma reverteu o apoio político que ela tinha dos ricos. Houve MtM (marcação-a-mercado) e perda de riqueza por quem não foi ágil para logo mudar de pré para pós.

        O pior da política econômica levyana, que não isenta os novos-desenvolvimentistas das FGV-SP (Mantega e seu SPE — Márcio Holland) de alguns erros anteriores, foi o choque tarifário que provocou o choque inflacionário. Pela primeira vez, desde 2005, a taxa de inflação superou o teto da meta de 6,5% aa e foi para 10,7%. Com isto se achou o argumento para a disparatada taxa de juros que concentra riqueza financeira e desestimula os ricos empresários a correrem risco, ampliando a capacidade produtiva necessária para empregar os desocupados.

        As tais “pedaladas” eram uma prática contábil corriqueira de todos os governos. Foi um falso argumento usado para dar um revestimento de suposta “legalidade” no golpe contra a Presidenta eleita democraticamente por votos da maioria dos eleitores. Não se deve esquecer que os empréstimos perpétuos do TN aos bancos públicos são legais e foram corretos para suas atuações anticíclicas que seguraram o emprego até o final de 2014, mesmo com a Grande Crise Mundial pós-2008.

        O argumento de pleno emprego acusado por economistas neoliberais, desde quando a Dilma assumiu, foi porque em 2009 o salário real recuperou o mesmo nível de dezembro de 2002, após o arrocho de -13% em 2003, seguido de gradual recuperação. A partir de 2009, ele continuou a se elevar, acumulando mais 16% até 2014. Bastou para os empresários reclamarem que o CUT (Custo Unitário do Trabalho) tinha ultrapassado a produtividade!

        Esqueceram que, desde 2003, o poder aquisitivo do capital, acumulado com juro real de 6,6% aa, aumentou 120%, enquanto o do salário cresceu 1,1% aa e aumentou o poder aquisitivo dos trabalhadores em apenas 16%…

        Enfim, o debate econômico brasileiro se esquece desse conflito entre interesses do capital e do trabalho. Enquanto isso, os ricos vão muito bem, obrigado.
        att.

      3. Professor,

        Acredito que o argumento do pleno emprego venha do fato de que desde 2011 tanto a inflação quanto as expectativas de inflação de longo prazo estavam acima da meta de 4,5%. Não foi em 2015 a disparata dos juros. De abril de 2013 a julho de 2015 foram 17 aumentos na taxa básica de juros, sendo que no início de 2015 (antes da posse de Levy) 70% do ciclo de aperto monetário já havia sido realizado. O que concordo que disparou em 2015 foi a inflação, devido a um “cavalo de pau” na política de preços administrados. Também critico qualquer obsessão, mas acredito que o controle de preços praticados principalmente na segunda metade do governo Dilma teve um viés altamente eleitoral (entre tantos outros obscuros da chapa Dilma/Temer), prejudicando o equilíbrio da economia. Assim como a crença cega de que o mercado pode equilibrar tudo é equivocada, a crença cega de que se pode controlar todas as variáveis econômicas, ao meu ver, também é. Isso ainda se agrava quando se observa motivos eleitorais por trais de tais práticas, pois isso ajudou a sustentar uma narrativa na campanha de 2014 que refutava veementemente que o país passasse por qualquer problema econômico.

        Soma-se isso as pedaladas. Você diz que era uma prática comum, mas no governo FHC, o maior atraso foi de R$ 918 milhões (maio de 2000), no governo Lula de R$ 750 milhões (novembro de 2007) e no governo Dilma de R$ 4,3 bilhões (dezembro de 2014). Isso somente analisando os dados disponibilizados pela Caixa Econômica Federal e em meses pontuais, sem considerar o volume acumulado (que no final de 2014 somavam R$ 55,6 bilhões). Na minha opinião, há distinção entre atrasos pontuais e o uso sistêmico dessa dinâmica para a manipulação de resultados contábeis (pratica nociva às finanças de qualquer organização ou indivíduo).

        De qualquer maneira, acredito que entendo a sua crítica e agradeço pelas respostas e pelos esclarecimentos!

        Abs.,

      4. Prezado Vitor,
        acho que não temos muitas discordâncias.

        Só destaco, neste comentário, duas:
        1. a aversão à “real politik”: acho ingênua a crítica da oposição a la Marina Silva por causa de motivos éticos, que o vencedor teria dito mentiras e o perdedor não. Faz parte do jogo político a propaganda negativa e/ou a desconstrução da imagem idealizada pelos adversários.

        2. analisar a dimensão nominal das “pedaladas” sem reajuste real (deflacionar) e em contextos de crises distintos acho que não é correto, pois a crise 2008 em sua dimensão sistêmica só é tão grave como a de 1929. O fato é que Lula/Dilma (e demais BRICS) se saíram bem até que explodiu a bolha de commodities, que foi apenas uma das dimensões da reversão cíclica.

        Enfim, há certos reducionismos ingênuos ou de má fé por parte de opositores. Por exemplo, li uma resenha de livro da literatura de direita que tem se divulgado no País — “De Lula a Temer: Capitalismo Inacabado” –, cujo autor, Francisco Petros, advogado e economista do mercado de capitais, diz: “o sucesso político-eleitoral de Lula espelhou a sua eficiente navegação pelas ondas do “bônus externo”, a valorização dos preços das commodities”.

        Acho dizer que “Lula teve apenas sorte” expressa má fé e/ou ignorância — talvez apenas inveja.

        Dizer que “Dilma é analfabeta econômica” é um lugar-comum estúpido, misógino e arrogante. Conheço pessoalmente a Dilma e certamente é uma figura muito mais sábia, capaz e importante na história do Brasil do que esses boçais direitistas que a criticam, levianamente, e nunca fizeram nada à altura do que ela fez por seu País.
        abs

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