Governo Temeroso A Favor da Renda do Capital

mordomo-de-filme-de-terrorO governo golpista e temeroso continua anunciando “medidas impopulares” em desfavor da renda do trabalho sob aplausos daqueles que vivem de renda do capital. Com elas só aprofunda a Grande Depressão brasileira, detonada com a volta da Velha Matriz Neoliberal através da política econômica levyana em 2015. Todos os indicadores, sejam econômicos, sejam sociais, são tão tenebrosos quanto a figura do “Mordomo de Filme de Terror” (veja acima).

 

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Camilla Veras Mota (Valor, 05/12/16) informa que o peso dos benefícios sociais e das rendas “alternativas” no orçamento das famílias brasileiras cresceu em 2015 – ano em que, diante do aumento do desemprego, o rendimento do trabalho despencou em praticamente todas as classes sociais.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram, na comparação com 2014, que a participação do trabalho na renda domiciliar per capita caiu mais de um ponto percentual, de 76,7% para 75,5%. As chamadas “outras fontes“, nas quais estão incluídos desde Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada até rendimentos de aplicações financeiras e dividendos, passou de 18,2% para 19,8%.

Comparando: os 110.351 clientes do Private Banking obtiveram um aumento de seus ativos financeiros, em nove meses (dez/2015-set/2016), de 14,57% ou R$ 914.106,50 — quase “um milhãozinho de reais” per capita. Certamente, sem colocar nenhum capital novo, o ultrapassarão até o final deste ano inesquecível do País Tropical em que acumulam capital sem oferecer emprego!

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O corte por salários mínimos da pesquisa revela ainda o peso da recessão sobre a mobilidade social. Entre 2014 e 2015, o número de famílias no Brasil cresceu 1,5%, somando 71,3 milhões. O total daquelas com renda per capita de até um quarto do piso, contudo, avançou 16,8%. São 4,8 milhões de domicílios nessa condição, que representam 6,8% do total, contra 5,9% em 2014. O Nordeste concentra 59,8% deles.

Para as famílias mais pobres, com renda de até um quarto do mínimo, a participação das aposentadorias chegou a 36,3% da renda mensal disponível. Com exceção do dado de 2014, o percentual é o maior desde o início da série da Síntese de Indicadores Sociais da Pnad, 2005 – quando respondia por apenas 18,5% da renda. Em dez anos, a fatia de “outras fontes” – principalmente a benefícios sociais – cai de 8,1% para 7% em 2015, percentual ainda superior, entretanto, que o de 2014, de 6,3%.

Nos lares que contam com rendimento per captia entre um quarto e meio salário mínimo por mês, as fontes alternativas atingiram o maior peso. Elas passaram a cobrir 16,9% do orçamento, contra 15,2% em 2014 e 14,7% em 2005, enquanto a participação do trabalho recuou de 70% para 69,6% de um ano para outro. As aposentadorias somaram 13,5% do total de 2015, o maior percentual da série, excetuando-se os 14,8% registrados em 2014.

Dois fatores explicam o quadro depressivo caracterizado pelos dados do IBGE:

  1. à medida que o desemprego cresce, tende a cair a contribuição da renda do trabalho na renda familiar;
  2. os rendimentos de aposentadorias, pensões e alguns benefícios que compõem as “outras fontes” são protegidos pela política do salário mínimo, já que estão indexados a ele.

No caso da renda previdenciária, o aumento significativo de participação nos últimos dez anos é decorrente de:

  1. o próprio envelhecimento da população,
  2. a política do salário mínimo, indexador dos benefícios, e
  3. a política de redistribuição de renda adotada nos critérios de concessão.

Mesmo com a anunciada reforma da Previdência, cortando benefícios sociais, as aposentadorias continuarão ganhando espaço no orçamento neste e no próximo ano, à custa, principalmente, da queda da renda do trabalho, devido ao desemprego. No cenário da Tendências, a massa de rendimentos do trabalho recuará 1,2% em termos reais em 2017, quando a massa de benefícios previdenciários do INSS terão alta real de 1,3%.

E o governo temeroso continua a tomar mais “medidas impopulares”, cortando benefícios sociais e a demanda agregada, o que aprofundará a Grande Depressão brasileira (2015-2017)!

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A economia do Nordeste encolheu 6,1% nos quatro trimestres encerrados em setembro, pior desempenho entre as cinco regiões do país e queda bem mais intensa do que na média do Brasil, de 4,4% no período. Só no terceiro trimestre, o PIB nordestino teve queda de 1,25% na comparação com os três meses anteriores, na série com ajuste sazonal, de acordo com estudo da 4E Consultoria.

A região, durante a Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014) demorou mais a sentir os efeitos da crise do que o Sul e o Sudeste, mas com a volta da Velha Matriz Neoliberal (2015-…) teve uma forte piora do mercado de trabalho e agravamento da situação fiscal de Estados e municípios. Em todos os trimestres do ano do Golpe Parlamentarista, a economia nordestina encolheu mais de 1%.

Nenhuma das cinco regiões cresceu neste período golpista. Para o Banco Central, que divulgou seu Boletim sobre a Economia Regional, a fragilidade do consumo afeta todas as regiões do país, mas o Nordeste em particular. Todos os componentes do PIB, pelo lado da oferta, caíram na região, considerando os dados da 4E, mas o segmento de pior desempenho foi o ramo de serviços, que encolheu 1,6% no terceiro trimestre e 4,9% em 12 meses.

A trajetória da economia nordestina vem sendo condicionada pelo desempenho negativo de segmentos relacionados ao consumo das famílias, repercutindo:

  1. o ambiente de redução da massa real de salários e
  2. o baixo dinamismo do mercado de crédito.

Na Pnad Contínua do terceiro trimestre, ficou mais claro que o ajuste no mercado de trabalho tem ocorrido em maior intensidade no Nordeste, com intenso aumento do desemprego na região ao longo de 2016, o que não era observado até o ano passado. A taxa de desempenho atingiu 14,3% no Nordeste no terceiro trimestre, na série com ajuste sazonal construída pelo Bradesco – é a mais alta do país, seguido pelas regiões Norte (12,3%) e Centro-Oeste (11,9%).

Considerando a massa de rendimento real de todos os trabalhos, o Nordeste também apresentou o pior desempenho, com queda de 8,4%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Até 2015, o mercado de trabalho na região mantinha-se mais preservado, com queda de 0,3% da massa de rendimentos.

A forte piora das economias do Norte e do Nordeste, que deixaram de ter desempenho médio melhor do que o restante do país, indicam que a redução da desigualdade regional observada nos últimos anos provavelmente estancou. As condições econômicas, hoje mais fragilizadas, tendem a impactar de forma negativa, por exemplo, na prevenção a problemas de saúde feita pelas famílias. Essa tendência menos favorável, por sua vez, tende a se acentuar considerando a situação fiscal complexa de Estados e municípios.

Não à toa, a maioria do eleitorado popular do Nordeste votou, em 2014, a favor da continuidade da Era Social-Desenvolvimentista. Porém, o estelionato eleitoral sob pressão de O Mercado levou à volta da Velha Matriz Neoliberal…

Os dados fiscais da região mostram forte piora ao longo do último ano em grande parte em função do agravamento da crise econômica e política. No acumulado dos últimos 12 meses até outubro de 2016, o Nordeste teve déficit primário de R$ 4,4 bilhões. O número, apresentado no Boletim Regional do BC, mostra uma piora grande das contas públicas da região, que registrou superávit de R$ 568 milhões ao longo de todo ano passado. Por causa da maior dependência em relação ao setor público, a economia do Nordeste pode demorar mais a retomar o crescimento do que o restante do Brasil.

E o governo golpista e temeroso, sob hegemonia de interesses personalistas de oligarcas regionais, predominantemente os dos paulistas, nada faz para evitar o aprofundamento disso!

O cenário de incerteza e desorganização do setor público tem efeitos tanto sobre o setor industrial quanto sobre o ramo de serviços, pela redução da demanda de governos locais e pela piora da confiança dos agentes econômicos. Se a crise dos Estados não for encaminhada, deveremos observar recuos sensíveis da atividade econômica nos próximos trimestres.

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O desempenho negativo da produção industrial continua. É a Maldição do Pato Amarelo da FIESP! O infeliz golpista ficou boiando a ver navios… Snif, snif… 🙂

Em outubro de 2016, houve queda de 1,1% em relação ao mês anterior, feito o ajuste sazonal, com resultados especialmente ruins da fabricação de bens de capital e bens intermediários (insumos e matérias-primas), justamente os segmentos que deveriam puxar a recuperação.

O elevado grau de endividamento das empresas e a grande capacidade ociosa ajudam a explicar a atividade anêmica da indústria, num cenário em que os juros ainda estão muito elevados. A produção deve encolher mais uma vez no quarto trimestre, voltando a crescer apenas em 2017 se bater no fundo-do-poço e picar…

O recuo em outubro de 2016 — em pleno governo da “genial” equipe econômica “salvadora-da-pátria” dos golpistas — levou a indústria para o mesmo nível registrado em dezembro de 2008, no pior momento da crise global. Com exceção daquele breve tombo extraordinário, a indústria precisaria recuar até janeiro de 2004 para registrar patamar equivalente.

Depois de subir entre março e junho do ano corrente na série que desconta efeitos sazonais, a produção industrial ficou estável em julho e caiu 3,7% em agosto, acendendo a luz amarela sobre o que parecia ser o início da retomada, ou no mínimo a estabilização. Em setembro, houve uma alta modesta, de apenas 0,5%, seguida pela contração de 1,1% em outubro.

O crescimento observado em alguns meses deste ano tinha “bases muito instáveis”, supostamente influenciada pela “melhora da confiança empresarial”, que tem demorado a se refletir nos indicadores de atividade. Ora, confiança ocorre não por causa de um golpe parlamentarista, para encobertar malfeitos parlamentares, mas sim com retomada de vendas, esgotamento de estoques, encomenda de produtos, ocupação de capacidade produtiva…

Alguns “fatores intrínsecos” ao atual ciclo recessivo têm pesado sobre a indústria, atrasando a retomada da produção. As empresas, assim como as famílias, estão muito endividadas por causa da política de juros disparatados em relação ao do resto do mundo, que dificultam o refinanciamento em bases mais saudáveis.

A estabilização das condições financeiras em níveis ainda restritivos, depois de uma melhora ao longo do primeiro semestre, ajuda a entender o comportamento da indústria no período mais recente. Essas condições são influenciadas por um conjunto de diversos elementos perversos, como:

  1. a situação do setor externo — “desglobalização”, devido ao protecionismo e queda do comércio internacional,
  2. o comportamento volátil do diminuto mercado de capitais brasileiro, submetido às pressões de especuladores oportunistas,
  3. o crédito bancário e a curva de juros.

Dos 24 setores indústria, nada menos de 20 viram a produção recuar em outubro na comparação com setembro de 2016. A fabricação de produtos alimentícios caiu 3,1% e a de veículos, reboques e carrocerias, 4,5%.

Nesse “cenário de terra arrasada“, provocado pelo golpe contra o governo eleito democraticamente, a indústria tem grande ociosidade. O nível de utilização de capacidade instalada calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) baixou de 77% em setembro para 76,6% em outubro, o menor nível da série com ajuste sazonal iniciada em 2003. Os atuais mínimos na utilização de capacidade começam a perder quase três pontos percentuais comparativamente a recessões anteriores. Já, já, os industriais golpistas da FIESP estarão se lamentando: — “Eu era feliz e não sabia”… Snif, snif… 🙂

Pelo lado da demanda, essa ociosidade retarda a volta dos investimentos.

O desempenho fraquíssimo da indústria em outubro de 2016 é um sinal que haverá mais queda do setor — e do PIB — também no quarto trimestre. Se a produção industrial ficar estável em novembro e dezembro, ela registrará queda de 2% nos três últimos meses do ano. A recuperação da indústria, com isso, deverá ficar para o ano de “São Nunca”, sob o comando do ex-banqueiro Henrique Meirelles, que só atua em defesa do risco imaginário de eutanásia dos rentistas.

Além da ociosidade monstruosa, as empresas se encontram em situação financeira delicada, com dívidas elevadas. Um corte de juros mais acentuado pode dar algum alívio, ao permitir a renegociação dos débitos a taxas mais baixas. A questão é saber qual o ritmo de redução da Selic a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Neste ano, o Copom cortou a taxa em 0,25 ponto em cada uma das últimas reuniões, levando os juros básicos da economia para 13,75%. Oh, 1/2 % aa!

O Mercado já reduziu a projeção de expansão do PIB de 2017 de 1% para 0,3%… Isto tudo?! E a retomada da confiança empresarial pelo golpe?

2 thoughts on “Governo Temeroso A Favor da Renda do Capital

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