Lista de Vieses Heurísticos

ver-o-mundo-com-lentes-cor-de-rosaPesquisando um viés heurístico, achei uma lista deles no Wikipedia! Compartilho-os, pois podem ser úteis a outros como foi para mim tê-los à mão.

Vieses cognitivos são as tendências de pensar de certas maneiras — aprendidas na “escola-da-vida” — que podem levar a desvios sistemáticos de lógica e a decisões irracionais. São frequentemente estudadas em Psicologia Econômica ou Economia Comportamental.

Embora a realidade desses preconceitos seja confirmada pela pesquisa replicável, muitas vezes há controvérsias sobre como classificar esses vieses ou como explicá-los. Alguns deles são consequências de nossas regras de processamento de informações (ou seja, atalhos mentais), chamados de heurística, que o cérebro usa para produzir decisões ou julgamentos.

Tais efeitos são chamados tendências cognitivas. Os vieses tem uma variedade de formas e podem ser vistos como viés cognitivo (“frios”), tais como ruído mental, ou vieses cognitivos motivacionais (“quentes”), tal como quando as decisões são distorcidas por crenças e desejos. Ambos os efeitos podem estar presentes ao mesmo tempo.

Também há controvérsias quanto ao fato de algumas destas tendências ser sempre inúteis e irracionais ou se são comportamentos úteis. Por exemplo, quando conhecem alguém, as pessoas tendem a fazer perguntas importantes que parecem favorecer e confirmar suas suposições sobre a pessoa. Esse tipo de viés de confirmação pode ser visto como um exemplo de habilidade social, ou seja, uma forma de estabelecer uma conexão com a outra pessoa.

Muitos dos vieses afetam:

  1. a formação de crenças,
  2. as decisões de negócios e financeiras e
  3. o comportamento humano em geral.

Eles emergem como resultados replicáveis em condições específicas. Quando confrontado com situações específicas, o desvio pode normalmente ser caracterizado como:

  • Efeito de ambiguidade — tendência de evitar opções nas quais a falta de informações faz com que a probabilidade pareça “desconhecida”.
  • Ancoragem ou focalismo — tendência a confiar demais, ou “ancorar-se”, em uma referência do passado ou em uma parte da informação na hora de tomar decisões.
  • Tendência de confirmação — tendência do observador de procurar ou interpretar informações de forma que estas confirmem pré-concepções próprias.
  • Viés atencional — tendência de prestar atenção a estímulos emocionais dominantes em seu ambiente e negligenciar dados relevantes ao fazer julgamentos de correlação ou associação.
  • Heurística de disponibilidade — tendência no qual as pessoas predizem a frequência de um evento, baseando-se na facilidade com que conseguem lembrar de um exemplo.
  • Cascata de disponibilidade — um processo de auto-reforço no qual uma crença coletiva ganha mais e mais plausibilidade por meio da crescente repetição no discurso público (ou “repita algo mil vezes e ele torna-se verdadeiro”).
  • Backfire effect — quando as pessoas reagem refutando evidências pelo fortalecimento em suas crenças.
  • Efeito adesão — a tendência de fazer (ou acreditar) em coisas porque muitas outras pessoas fazem (ou acreditam) na mesma coisa.
  • Falácia da probabilidade de base — a tendência de basear julgamentos em especificidades, ignorando informações estatísticas gerais.
  • Viés da crença — efeito onde a avaliação da consistência lógica do argumento é influenciado pela credibilidade da conclusão.
  • Viés do ponto cego — a tendência de ver-se menos enviesado que outras pessoas ou identificar mais viéses cognitivos nos outros que em si próprio.
  • Viés pró-escolha — a tendência de lembrar que suas decisões foram melhores do que elas realmente foram.
  • Ilusão de agrupamentos — a tendência de pensar que eventos aleatórios que ocorrem em aglomerados não são eventos realmente aleatórios.
  • Viés de confirmação ou auto validação ilusória — é uma tendência das pessoas preferirem informações que confirmem suas crenças ou hipóteses, independentemente de serem ou não verdadeiras.
  • Viés da congruência — a tendência de testar hipóteses exclusivamente através de testes diretos ao invés de testar possíveis hipóteses alternativas.
  • Falácia da conjunção — a tendência para assumir que condições específicas são mais prováveis do que as condições gerais.
  • Conservadorismo (Bayesiana) — a tendência de revisar crenças insuficientemente quando se apresenta nova evidência (estimativas de probabilidades condicionais são conservadoras).
  • Efeito Contraste — aumento ou diminuição de uma medida quando comparando com algum objeto contrastante recentemente observado.
  • Maldição do Conhecimento — quando o conhecimento de algum assunto diminui a habilidade de se pensar sobre ele a partir de uma perspectiva menos profunda.
  • Efeito de dominância assimétrica — a preferência de escolha muda quando existe uma terceira opção que é assimetricamente dominada.
  • Efeito da denominação — a tendência de gastar mais dinheiro quando este é denominado em pequenas quantidades (por exemplo, moedas) ao invés de grandes quantidades (por exemplo, cédulas).
  • Viés da distinção — tendência de ver duas opções de forma diferente quando avaliando-as simultaneamente do que quando avaliando-as separadamente.
  • Vácuo da empatia — a tendência de subestimar a influência ou força dos sentimentos, em si próprio ou em outros.
  • Efeito dotação — é tendência na qual as pessoas muitas vezes exigem muito mais para desistir de um objeto do que eles estariam dispostos a pagar para adquirí-lo.
  • Essencialismo — categorizar pessoas e coisas de acordo com sua natureza essencial, apesar das variações.
  • Expectativa exagerada — com base em estimativas, no mundo real a evidência acaba sendo menos extrema que nossas expectativas (condicionalmente inverso do viés do conservadorismo).
  • Viés da expectativa — a tendência de experimentadores de acreditar, certificar e publicar dados que concordam suas expectativas para o resultado de uma experiência e desacreditar e descartar ponderações correspondentes que aparecem em conflito com essas expectativas.
  • Efeito do falso consenso — a tendência de alguém exagerar no quanto outras pessoas concordam com ela.

Vieses em probabilidade e em crenças

  • Estereótipo — esperar que um membro de um grupo tenha certas características sem ter informações reais sobre esse indivíduo.
  • Pareidolia — a tendência de perceber um estímulo vago e aleatório (geralmente uma imagem ou um som) como algo significativo, por exemplo, ver imagens de animais ou faces em nuvens.

Vieses sociais

  • Efeito Dunning-Kruger — um viés duplo: por um lado a falta de habilidade metacognitiva ilude as pessoas, que superestimam suas próprias capacidades; por outro lado, pessoas habilidosas subestimam suas habilidades enquanto presumem que outras pessoas têm uma compreensão similar.
  • Efeito Forer (também conhecido como Efeito Barnum) — a tendência de dar altos níveis de precisão a descrições de personalidades que supostamente foram adaptadas ao observador, mas são na verdade vagas e gerais o suficiente para se aplicar a uma grande gama de pessoas. Por exemplo, horóscopos.
  • Projeção — a tendência de inconscientemente presumir que as outras pessoas compartilham dos mesmos estados emocionais, pensamentos e valores atuais próprios.
  • Viés da auto conveniência ou auto validação — a tendência de reivindicar mais responsabilidade pelos sucessos do que pelas falhas. Este viés também pode se manifestar como a tendência de avaliar informações ambíguas de uma forma benéfica a interesses próprios.

Erros de memória

  • Confabulação — é a confusão da imaginação com a memória, ou a confusão entre memórias verdadeiras e falsas.
  • Sugestionabilidade — é a qualidade de estar disposto a aceitar e agir de acordo com a sugestão de outras pessoas.

Causas teóricas comuns de alguns vieses cognitivos

Ver também

2 thoughts on “Lista de Vieses Heurísticos

  1. Prezado Fernando,

    gostaria de comentar sobre um viés que funciona como uma falsa representação do foco, ideia ou tentativa de resolver um problema apresentado. Ex: procurar uma agulha no palheiro, ou um gato numa pilha de entulhos. Se fizermos a pergunta, onde devemos procurar primeiro ou quem deve procurar?

    A falsa representação ocorre quando pensamos (ou memorizamos): sou “eu” que devo procurar; mas esse é o primeiro erro cometido pelo simples fato: “não sou eu” e sim meu cérebro; essa é a diferença crucial. Para resolvermos determinados problemas de representação, antes o foco deve estar em nosso cérebro e não em nossa personalidade ou personificação.

    O mesmo princípio pode ser aplicado na técnica de montagem de um quebra cabeça, não adianta simplesmente ficar procurando as peças antes de termos um quadro formado em nosso cérebro, e quando esse quadro estiver pronto, a velocidade na montagem do quebra cabeça será impressionante, na realidade não são nossos olhos que estão procurando as peças, é nosso cérebro, com base na imagem formada.

    A aprendizagem é a construção de novas redes neurais que chamam cada vez mais neurônios para montar as sinapses necessárias à formação da memória de aprendizagem. Você e eu, somos apenas observadores, quem na realidade está aprendendo é nosso cérebro. É por isso que determinadas crenças são inibidoras da construção de novas correntes ou agrupamentos neurais (os ruídos mentais).

    Caso alguém ainda tenha dúvidas sobre algum assunto hoje em dia, o erro está – quase sempre – na dificuldade em fazer as perguntas corretas e não na dúvida propriamente dita.

    Nosso sistema educacional está aos frangalhos, justamente pela construção de tautologias (redundâncias) que afetam do começo ao fim – do primário ao doutorado – a formação de nossos jovens. Isso precisa mudar urgente. O físico Richard Feynman afirmou: enquanto vocês estiverem decorando fórmulas nunca saberão o que é o mundo físico. Abs.

    Segue as conclusões de Feynman sobre o ensino no Brasil: http://www.uel.br/cce/fisica/pet/EnsinoRichardFeynman.pdf

    1. Reinaldo,
      grato pelas interessantes observações. O nosso cérebro deve observar o todo, destacando os nódulos-chave na rede de interconexões entre os componentes, de onde há emergência daquele todo. Então, invertemos a tradicional lógica de agregar as partes para tentar alcançar o todo. Ao fim e ao cabo, com os sofismas de composição, verificamos que “o todo é maior do que a soma das partes”, i.é, ele possui movimentos auto-organizados (e não equilibrados) que não enxergamos quando analisamos cada parte.

      Nessa trilha, percebemos como é reducionista o conhecimento compartimentado em que dividimos o trabalho entre especialistas tentando somar o conhecimento de cada qual para entender o mundo real!

      Viva a multidisciplinaridade! Necessitamos de conhecimento genérico sobre o todo para depois especializarmos na pesquisa de cada componente!
      abs

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s