Ponte (para o Futuro) Que Caiu! Que se Vayam Todos!

moro-e-aecioO nome do presidente Michel Temer aparece 43 vezes no documento do acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é mencionado 45 vezes e Moreira Franco, secretário de Parceria e Investimentos do governo Temer, 35. O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que pediu demissão recentemente, surge em 67 trechos.

O líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR), apontado como o “homem de frente” das negociações da empreiteira no Congresso, tem 105 menções no relato, um arquivo preliminar, ao qual a Folha de S.Paulo (10/12/16) teve acesso, do que o ex-executivo vai dizer em depoimento às autoridades da Lava Jato.

De acordo com Melo Filho, o presidente Temer atua de forma “indireta” na arrecadação financeira do PMDB, mas teve papel “relevante” em 2014, quando, segundo ele, pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para a campanha eleitoral durante jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

Segundo o delator, Temer incumbiu Padilha de operacionalizar pagamentos de campanha. O ministro, diz o ex-executivo, cuidou da distribuição de R$ 4 milhões daqueles R$ 10 milhões: “Foi ele o representante escolhido por Michel Temer –fato que demonstrava a confiança entre os dois–, que recebeu e endereçou os pagamentos realizados a pretexto de campanha solicitadas por Michel Temer. Este fato deixa claro seu peso político, principalmente quando observado pela ótica do valor do pagamento realizado, na ordem de R$ 4 milhões”.

Claramente, o local escolhido para a reunião foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro que foi feito naquela ocasião. Inclusive, houve troca de e-mails nos quais Marcelo se referiu à ajuda definida no jantar, fazendo referência a Temer como ‘MT‘”, ressalta o ex-executivo da Odebrecht. Um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia de José Yunes, atual assessor especial da Presidência da República.

Segundo o delator, “o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha”.

Enquanto isso, após quase sete meses à frente do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer fez nesta sexta-feira (9/12/16) sua primeira visita ao Nordeste, considerado reduto eleitoral do PT, e optou por eventos fechados ou em pequenas cidades para evitar protestos contra seu governo. O deslocamento do presidente até o centro de treinamento do Banco do Nordeste, em Fortaleza, foi feito de helicóptero, de modo que ele ficasse o menos exposto possível ao público. Segundo a Folha apurou, auxiliares temiam manifestações contra Temer.

pinguela-para-o-futuroAí, a piauí deu a manchete:

Reviravolta: Temer recua e nega recuo

INÉRCIA – Com medo de vaias, o presidente Michel Temer anunciou que recuará de seu último recuo. “O recuo do recuo não quer dizer que o recuante andou para trás. Uma força anulou a outra e, destarte, tudo permaneceu onde sempre esteve”, argumentou, com um lindo e delicado bailar de mãos. Para deixar claro que deseja cuidar da coisa pública com absoluta transparência, Temer mostrou a gravação de uma conversa que teve com um assessor.

ASSESSOR: Presidente, com a saída do Geddel, precisamos encontrar um nome forte para consolidar nossa base. Mas ainda não temos nenhum consenso. O que fazer?

TEMER: Embaça aí…

Após apertar o pause, o presidente explicou: “Urge reconhecer aqui que esse lépido conciliábulo foi subtraído do gravador pelas mãos de um jornalista ladino, o que perpetrou a coscuvilhice de que o deputado Antônio Imbassahy, um homem politicamente muito adequado, elegantíssimo no trato, seria promovido à Secretaria de Governo. Tal formulação não traduz com fidedignidade meu sentimento autônomo.” Aos repórteres que continuaram acordados, versou sobre a atemporalidade das conjunturas jurídicas que tratam da discrepância sintática entre os verbos “ratificar” e “retificar”.

No final da tarde, a revista Isto É recuou do recuo de dar o prêmio de Personalidade do Ano para Michel Temer.

Instado a opinar sobre o assunto, Caetano Veloso não resistiu e disse que “Michel Temer é o recuo do recuo do recuo do recuo do recuo”.

temer_pinguelandoPor sua vez, o “Santo” (codinome do “Picolé-de-Chuchú”), governador tucano de São Paulo (razão desse codinome) não é nada santo… Odebrecht afirmou no acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato que realizou pagamento de caixa dois, em dinheiro vivo, para as campanhas de 2010 e 2014 do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo a delação, R$ 2 milhões em espécie foram repassados ao empresário Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama, Lu Alckmin. A entrega do recurso, de acordo com os termos da delação, ocorreu no escritório de Ribeiro, na capital paulista.

Os principais partidos aparecem na Operação Lava-Jato e há um grande medo em relação à delação premiada da Odebrecht, gerando um clima de fim dos tempos de mordomias entre os políticos. Curiosamente, as doações são de muitos milhões para o PMDB e PSDB e de poucos mil reais para comprometer alguns políticos do PT com a corrupção. Merreca, coisa de pobre, mas se apronta o maior escândalo… 🙂

golpe_pinguela_horizontalA elite tucana/paulistana já conspira, abertamente (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 09/12/16), em busca de um nome de “consenso” entre os de suas castas “para completar a travessia até o futuro” (sic), quando imagina escolher um tucano para ser urgido eleitoralmente à Presidência da República.

Nelson Jobim é um dos nomes em pauta, segundo um grupo seleto de “intelectuais” (ou conspiradores), no fim de semana, em Ilhabela (SP). O ex-ministro da Justiça e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal foi um dos convidados a debater o tema da desigualdade (!).

Citado em rodas da elite como um eventual nome para assumir a Presidência do Brasil em um cenário de eleições indiretas em 2017caso a “pinguela” de Michel Temer (PMDB), como definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, possa ruir antes do tempo –, Jobim fez uma análise crua e realista do cenário político do país. “Vou tentar botar os pés no chão, trazer um pouco da experiência de como as coisas se dão.” O chão é alcançado com a constatação primeira de que teorias democráticas, como a de Joseph Alois Schumpter, não cabem na realidade brasileira.

A concorrência livre, pelo voto livre, não assegura a igualdade de escolha, nem tampouco o sistema permite que os representados cobrem “responsabilidade política” dos representantes. O gaúcho de Santa Maria não economizou em críticas aos interesses e corporativismos do Poder Judiciário e aos excessos individualistas dos ministros do STF. Praguejou contra omissões do Executivo. Refletiu sobre a balbúrdia e o gradual colapso das instituições brasileiras e sobre os efeitos de se ter um Congresso pouco qualificado por causa de um sistema político-eleitoral falido.

Segundo Jobim, as saídas para as crises no Brasil passam por superações e composições, nunca por rupturas. “O hábito do Brasil é o da conciliação. Nós sempre tivemos superação de dentro de um determinado regime. Quando o regime sentia que estava se esgotando, criava, por dentro dele próprio, a superação.” Temer, que Jobim conhece de longa data, “pensa e age com a cabeça do Parlamento”, ou seja, é movido pelo “hábito da conciliação”.

“Agora, se nós levarmos essa cabeça do Parlamento para dentro do Executivo, estamos lascados! Porque no Executivo tu tens um breve momento de negociação política. Mas tem um segundo momento, imediato, de decisões. E aí você contraria interesses. Aquele que não tem hábito de contrariar interesses adia as decisões e cruza os braços. E esse é um fato real. Nós estamos vivendo isso hoje”, definiu o ex-ministro, numa alusão à paralisia política e econômica do governo temeroso.

Amparado pela experiência de parlamentar (1987-1995) e membro da Assembleia Nacional Constituinte, Jobim disse que “o Parlamento é o lugar de conciliação de interesses”. “Se dessa negociação conciliatória não surge maioria necessária para se decidir, o Parlamento não decide. O não decidir é um tipo de decisão do Parlamento. Adia o problema até criar condições para formar a maioria.

Em outros termos, este simulacro de Parlamentarismo informal que vive o País o empurra para um abismo futuro sem nenhuma ponte!

PS:

Cuidado com qualquer “salvador-da-pátria”! Em conjuntura de turbulência política-econômica-e-jurídica, algum representante da casta dos guerreiros — como o neofascista Boçalnaro — pode se apresentar para botar ordem-unida na pátria e, até mesmo sem apelar para outro golpe militar, ganhar uma eleição democrática em 2018! Não acreditávamos nessa possibilidade, mas o populismo demagógico de direita aflorou em um mundo com profunda crise econômica e moral

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